A cegueira de Benedict: Por que o protagonista da 4ª temporada de ‘Bridgerton’ não reconhece o amor de sua vida?

Cheyna Corrêa

A 4ª temporada de Bridgerton finalmente chegou à Netflix, colocando Benedict Bridgerton (Luke Thompson) no centro dos holofotes. Com a estreia da primeira parte em 29 de janeiro de 2026, os fãs foram apresentados à fascinante dinâmica entre o segundo irmão Bridgerton e Sophie Baek (Yerin Ha), a misteriosa Dama de Prata. No entanto, uma questão tem dominado as conversas nas redes sociais e confundido até os espectadores mais atentos: como Benedict não percebe que Sophie, a criada que ele conhece e por quem se apaixona, é a mesma mulher mascarada do baile?

Para muitos, a resposta parece óbvia, mas para o elenco e a produção da série, a “cegueira” de Benedict vai muito além de um simples recurso de roteiro. Em entrevistas recentes, o ator Luke Thompson e a showrunner Jess Brownell explicaram as camadas psicológicas e sociais que impedem o personagem de conectar os pontos.

O conflito entre Fantasia e Realidade

Em recente entrevista ao portal Entertainment Weekly, Luke Thompson, que dá vida ao carismático Benedict, defende que a incapacidade de seu personagem em reconhecer Sophie não é apenas distração, mas uma falha fundamental de sua personalidade. Segundo o ator, Benedict tem dificuldade em reconciliar o mundo dos sonhos com o mundo real.

De um ponto de vista poético, é como se Benedict não conseguisse unir fantasia e realidade. Para ele, são duas coisas separadas e ele quer ambas separadamente… Ele é um pouco cego.

Ao conhecer a Dama de Prata no baile de máscaras, Benedict a idealiza como uma figura etérea, um sonho inatingível. Quando ele encontra Sophie Baek em seu cotidiano, vestida como uma criada e vivendo uma realidade dura, seu cérebro simplesmente não aceita que aquela mulher “real” possa ser a mesma de sua fantasia perfeita. “É inesperado. Você pensa: ‘Certamente ele consegue ver!’. Mas todos nós temos pontos cegos, e esse é o de Benedict”, completou o ator.

Luke Thompson e Yerin Ha em “Bridgerton” – Foto: LIAM DANIEL/NETFLIX

A barreira invisível das classes sociais

Enquanto Thompson foca no psicológico, a showrunner Jess Brownell aponta para uma razão mais pragmática e histórica: o abismo social da Era da Regência. Para um cavalheiro da alta sociedade como Benedict, a simples ideia de que uma criada pudesse ter entrado em um baile da aristocracia é inconcebível.

“Naquela época, não havia como Benedict considerar isso uma possibilidade lógica. A Dama de Prata é uma pretendente adequada e aprovada pela sociedade, enquanto se envolver com Sophie é perigoso”, detalhou Brownell ao Screen Rant.

A invisibilidade imposta aos empregados domésticos na época cria uma barreira mental. Benedict vê a Dama de Prata como uma igual, alguém de seu mundo. Sophie, por outro lado, habita um universo que a elite raramente enxerga de verdade. Essa “cegueira de classe” é um tema central que a temporada promete explorar, mostrando como as estruturas sociais moldam — e limitam — a percepção do amor.

Um romance de duas facetas

A 4ª temporada, dividida em duas partes, brinca com esse tropo clássico de Cinderela, mas adiciona a complexidade emocional típica de Bridgerton. Benedict não está apenas procurando uma mulher; ele está dividido entre a segurança de uma memória idealizada (a Dama de Prata) e a conexão visceral e imediata que sente pela “verdadeira” Sophie.

Yerin Ha, que brilha como a protagonista da temporada, traz uma performance que equilibra a vulnerabilidade de Sophie com sua força interior, tornando a frustração do público com Benedict ainda mais palpável. A química entre os dois é inegável, restando aos fãs aguardar a segunda parte da temporada para ver o momento exato em que a ficha de Benedict finalmente cairá — e se o amor será capaz de superar tanto as barreiras sociais quanto as ilusões que ele mesmo criou.

Bridgerton – 4ª Temporada (Parte 1) já está disponível na Netflix. A Parte 2 tem previsão de estreia para as próximas semanas.

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