A saga dos X-Men que precisa ser “aposentada” do cinema

Andre Luiz

Com o avanço do MCU rumo ao encerramento da chamada Saga do Multiverso, personagens antes controlados pela 20th Century Fox devem ganhar espaço nas próximas produções. Entre eles, os X-Men, que já aparecem em materiais promocionais de Vingadores: Doutor Destino. A expectativa reacende debates sobre quais histórias clássicas dos quadrinhos podem — ou não — ser revisitadas no cinema.

Entre os arcos mais conhecidos está a saga X-Men: Fênix Negra, considerada uma das narrativas mais marcantes da história da Marvel Comics. Apesar de sua relevância nos quadrinhos, o histórico de adaptações para animações e filmes live-action levanta questionamentos sobre uma nova versão dentro do MCU.

Origem da Fênix está ligada à reformulação dos X-Men

Criados em 1963, os X-Men enfrentaram queda de popularidade no final da década de 1960. A virada ocorreu nos anos 1970, com o lançamento de Giant-Size X-Men e a chegada do roteirista Chris Claremont, que conduziu a equipe por quase duas décadas.

Foi nesse contexto que Jean Grey, então conhecida como Marvel Girl, passou por uma transformação decisiva ao acessar um poder cósmico e ressurgir como Fênix. A mudança marcou uma nova fase da equipe, trazendo conflitos humanos mais profundos e ampliando o alcance emocional das histórias. O sucesso foi imediato: Uncanny X-Men tornou-se um dos títulos mais vendidos da Marvel a partir de 1978.

Saga da Fênix Negra gerou controvérsia nos bastidores

Com o aumento progressivo dos poderes de Jean Grey, surgiu a necessidade de elevar os riscos narrativos. Assim nasceu a Fênix Negra, quando a personagem, manipulada pelo Clube do Inferno, perde o controle, acredita que Ciclope morreu e passa a agir como antagonista.

Durante o arco, Jean destrói uma estrela e um planeta habitado, o que leva o Império Shi’ar a condená-la à morte. Nos bastidores, a história gerou intenso debate editorial. Enquanto Claremont defendia a perda dos poderes como punição suficiente, o então editor-chefe Jim Shooter discordou, considerando insuficiente diante do genocídio cometido. A solução encontrada foi a morte da personagem, um desfecho que chocou leitores e consolidou o impacto da saga.

Adaptações reforçaram a popularidade, mas dividiram público

O sucesso da história levou a diversas adaptações. A versão mais fiel é frequentemente atribuída a X-Men: A Série Animada. Outras produções, como X-Men: Evolution e Wolverine e os X-Men, chegaram a planejar suas próprias interpretações, mas foram encerradas antes da conclusão do arco.

No cinema, X-Men: O Confronto Final trouxe a primeira adaptação live-action, com mudanças significativas, como a exclusão da Força Fênix como entidade cósmica. Anos depois, X-Men: Fênix Negra tentou recontar a história, substituindo os Shi’ar pelos D’Bari e alterando motivações centrais da trama. Nenhuma das versões alcançou consenso crítico ou popular.

Contexto atual do MCU reduz impacto da saga

Dentro do cenário atual do MCU, ameaças de escala ainda maior já foram apresentadas, como o estalo de Thanos e a destruição de realidades inteiras. Esse contexto diminui o peso narrativo que a saga da Fênix Negra teve nos anos 1980.

Além disso, após décadas de quadrinhos e adaptações, a transformação de Jean Grey em Fênix Negra deixou de ser imprevisível.

Legado permanece, mas futuro segue aberto

Com mais de 45 anos de repercussão, a saga X-Men: Fênix Negra segue como um dos pilares da mitologia mutante. No entanto, seu impacto está profundamente ligado ao momento histórico em que foi criada. Diante disso, a história permanece como parte essencial do passado da Marvel, enquanto o futuro do MCU segue aberto para explorar novos caminhos e narrativas inéditas para os X-Men.

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