O cinema sul-coreano reafirma sua força global nesta quinta-feira (22), com a estreia oficial nos cinemas brasileiros de A Única Saída. Dirigido pelo aclamado Park Chan-wook (Oldboy, A Criada) e baseado no romance The Ax de Donald E. Westlake, o longa chega às salas nacionais com o selo de sucesso da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o peso de ser o representante da Coreia do Sul no Oscar 2026.
A Trama: Desespero e Humor Ácido
A história segue Man-su (vivido por Lee Byung-hun), um pai de família e gerente dedicado em uma fábrica de papel. Após 25 anos de serviço, ele é demitido abruptamente quando os novos donos da empresa decidem cortar custos. Diante do aviso de que “a única saída” é reduzir o quadro de funcionários, Man-su leva essa diretriz ao pé da letra.
Ele decide ir a “extremos para eliminar a concorrência pelo emprego que deseja”, resultando em uma mistura única de thriller, drama social e comédia ácida — uma assinatura clássica de Park Chan-wook.

Temporada de Prêmios e Reconhecimento Histórico
Antes mesmo de estrear comercialmente, o filme já fez história. A Única Saída recebeu três indicações ao Globo de Ouro:
- Melhor Filme de Comédia ou Musical
- Melhor Filme Internacional
- Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical (Lee Byung-hun)
Embora Lee tenha perdido a estatueta para Timothée Chalamet (Marty Supreme), sua nomeação marcou a primeira vez que um ator coreano foi indicado nesta categoria. Em entrevista à Variety, Lee revelou que descobriu a indicação de forma inusitada: “Eu estava dormindo. E meu amigo coreano me mandou uma mensagem… Foi como um sonho, porque eu realmente estava sonhando! Foi fantástico.”
Além disso, Lee foi indicado ao Gotham Awards e todos os seus projetos recentes — incluindo Round 6 e a animação Guerreiras do K-Pop — figuraram no Critics Choice Awards.
Lee Byung-hun: O Desafio do Riso na Tragédia
Para o protagonista, o grande atrativo do filme foi o equilíbrio delicado entre o humor e o desespero.
Nos filmes anteriores de Park, não se vê tanta comédia quanto em A Única Saída. Claro, o filme tem temas sombrios… Mas sabendo que havia tanta comédia nele, eu sabia que riria muito durante as filmagens.
Ele explica que a dualidade é central para a experiência do espectador:
De um ponto de vista distante, você pode rir de Man-su. No entanto, se você fosse ele, seria uma realidade completamente diferente. Para o personagem principal, não há nada de cômico. Ele está extremamente desesperado.
Uma das cenas mais desafiadoras, segundo o ator, foi a abertura do filme: um churrasco em família filmado em plano-sequência que exigiu 30 tomadas. “Foi muito desgastante fisicamente… Muita gente diz que filmar com animais ou crianças é difícil. Bem, nós tínhamos os dois”, relembrou com humor.
O “Efeito Parasita” e o Cinema Coreano no Brasil
A estreia de A Única Saída consolida um momento de expansão sem precedentes para o cinema coreano no Brasil, impulsionado pelo fenômeno de Parasita (2019/2020).
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo (via Rolling Stone), os cinemas brasileiros exibiram um recorde de 33 lançamentos coreanos em 2025 — um crescimento de 200% em relação ao ano anterior. O sucesso de Parasita (que levou 1 milhão de brasileiros aos cinemas) quebrou a “barreira de uma polegada das legendas” citada por Bong Joon-ho, abrindo portas para que filmes como o de Park Chan-wook encontrem um público amplo e ávido por histórias inovadoras.
Para Lee Byung-hun, o segredo está na imprevisibilidade:
Se você olhar para a minha filmografia, as pessoas podem dizer: ‘Ah, você vai para um lado e para o outro’. Eu transito por um gênero e depois por outro, sou imprevisível.
Fontes: Variety / Deadline / The Hollywood Reporter/ Folha de São Paulo / Rolling Stone Brasil





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