A verdadeira história dos ‘Peaky Blinders’: O que é real e o que é ficção?

Cheyna Corrêa

Com a estreia de Peaky Blinders: O Homem Imortal na Netflix neste início de 2026, a “frieza calculista” de Thomas Shelby voltou a ser o assunto principal nas redes sociais. O filme encerra a saga que começou na TV, mas reacende uma dúvida antiga: quanto do que vemos na tela realmente aconteceu nos becos de Birmingham?

Embora o criador Steven Knight tenha construído um épico de gângsteres digno de Hollywood, a verdadeira história dos Peaky Blinders é bem diferente da versão romantizada da Netflix. Para separar o fato da ficção, mergulhamos nas origens dessa gangue que, na vida real, nunca chegou a construir um império internacional.

Divulgação/Netflix

A Gangue Real: Décadas antes de Thomas Shelby

A primeira grande diferença é a linha do tempo. Na série, a trama começa após a Primeira Guerra Mundial (1918). No entanto, os Peaky Blinders reais atuaram muito antes disso, tendo seu auge na década de 1890. Quando os soldados voltaram das trincheiras em 1918 (época em que Tommy Shelby começa sua ascensão), a gangue original já havia praticamente desaparecido, perdendo território para grupos rivais como os “Birmingham Boys” por volta de 1910.

Outro ponto crucial: Thomas Shelby é um personagem fictício. Ele e sua família foram criados para dar um rosto humano e carismático à criminalidade da época. Na realidade, não havia um “imperador” de Birmingham. O poder era fragmentado entre jovens delinquentes que focavam em pequenos furtos, extorsão e brigas de rua, longe da organização mafiosa internacional que vemos no filme.

Registro histórico de ficha policial (mugshot) dos membros reais da gangue de Birmingham, frequentemente referida como os “Peaky Blinders”. Arquivo: Polícia de West Midlands

O Nome e o Mito das Lâminas

O visual impecável de terno e boina não é invenção da Netflix. O termo “Peaky Blinder” era uma gíria local para criminosos que se vestiam com extrema elegância (um “blinder” era alguém com aparência impactante). Eles usavam o estilo para demonstrar status em meio à pobreza industrial.

Já a famosa lenda das lâminas de barbear escondidas nas abas das boinas é considerada um mito pelos historiadores. No final do século XIX, navalhas eram artigos de luxo, raras e caras demais para serem usadas como armas descartáveis em brigas de rua. É muito mais provável que o nome “Blinder” viesse do fato de eles puxarem a aba da boina sobre um dos olhos para esconder a identidade ou de usarem a própria aba rígida para desferir golpes.

peaky blinders
“Peaky Blinders” – Reprodução/Netflix

De Sheldons a Shelbys: A Inspiração Familiar

Steven Knight não tirou a história do nada. Ele se baseou em contos que ouviu de seu pai, sobre gangsters “incrivelmente bem vestidos” e “incrivelmente poderosos” que atuavam na Inglaterra. Segundo Knight, a gangue original que inspirou a série tinha o sobrenome Sheldon. Ao adaptar a história para a ficção, ele optou pelo nome Shelby, que soava mais imponente para o protagonista.

Embora a série utilize o contexto real da miséria e do crime na Birmingham industrial, ela é uma celebração da ficção. Os Peaky Blinders reais eram brigões de rua locais; os Shelbys da Netflix são lendas do cinema.

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