A atriz Allison Mack, conhecida mundialmente por interpretar Chloe Sullivan na série “Smallville”, voltou a falar abertamente sobre seu envolvimento com o culto NXIVM, sua prisão e os anos de reconstrução pessoal após deixar a organização.
A conversa aconteceu no podcast “Inside of You”, apresentado por seu ex-colega de elenco Michael Rosenbaum, que viveu Lex Luthor na série.
Eles se conhecem desde 2001, mas, desta vez, o reencontro foi marcado por confissões profundas e dolorosas.
Os primeiros anos dentro do NXIVM
Mack explicou que a relação com o grupo liderado por Keith Raniere evoluiu de forma lenta e enganosa.
As coisas não começaram a ficar realmente disfuncionais e ilegais até o oitavo ou nono ano em que eu estava envolvida
Ela classificou o processo como “um típico caso de grooming”, algo que só conseguiu reconhecer ao olhar para trás.
Mesmo quando membros começaram a sair do grupo, sempre havia uma “justificativa”, segundo ela.
É essa comunidade insidiosa onde todos permanecem conectados e reforçam o sistema de crenças uns dos outros. E então você afunda cada vez mais.
A prisão, o isolamento e o impacto emocional
Após sua prisão em 2018, Mack passou três anos em prisão domiciliar, viajando frequentemente para Nova York para colaborar com as autoridades.
Foi como caminhar pelos portões do inferno. Foi horrível. Foi difícil porque eu ainda tentava entender o que tinha acontecido… eu me sentia louca.
A atriz contou que enfrentou um colapso pessoal, perdendo quase todo o círculo social:
Noventa por cento das pessoas da minha vida pararam de falar comigo.
Durante esse período, apoiou-se apenas na mãe, na irmã e em poucos amigos.
Momentos de crise e ideação suicida
Allison Mack também revelou ter passado por momentos de ideação suicida — tanto no México, quando se escondeu após a prisão de Raniere, quanto durante a prisão domiciliar.
Eu fui até a varanda e pensei: ‘Eu poderia pular e tudo isso acabaria’. Mas então eu não saberia o que acontece depois… e eu quero saber o que acontece depois.
Outro momento crítico aconteceu já nos Estados Unidos:
Tudo era tão pesado, escuro e doloroso… eu pensava: ‘Eu não sei se consigo carregar isso’. Mas aí vinha o pensamento: ‘Se eu me matar, vou machucar minha mãe de um jeito terrível.’ Então, eu não fiz.
A carta de Keith Raniere e a visão atual da atriz
Mesmo proibida de se comunicar com membros do NXIVM, Mack contou que recebeu uma carta de Keith Raniere, assim como todos os envolvidos no julgamento.
“Eu não a li”, afirmou. “Ainda não estou num lugar onde o perdoei, porque não compreendi totalmente o que ele fez. É algo em que ainda estou trabalhando.”
Ela reforçou ter sido simultaneamente vítima e participante, algo que ainda tenta elaborar:
É muito complicado ser ao mesmo tempo vítima e perpetradora. Ele é um homem maligno. E é bom que ele esteja longe.
O estado físico e psicológico durante o culto
A atriz também detalhou como estava mental e fisicamente debilitada durante os anos em que seguia Raniere.
Eu acreditava profundamente que o que eu fazia era justo, bom, poderoso e transformador.
Ela revelou viver sob extrema restrição alimentar e exercício compulsivo:
Eu vivia com 500 calorias por dia. Corria de 8 a 10 km todas as manhãs porque era isso que Keith queria. Eu estava muito doente.
O reencontro com Michael Rosenbaum
No final da entrevista, Mack se emocionou ao agradecer o acolhimento do antigo colega:
Significou muito quando você entrou em contato. Você foi uma das primeiras pessoas da minha antiga vida que me procurou.
Chorando, ela completou:
É por isso que estou aqui. Significou mais do que você pode imaginar que você tenha sido gentil.




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