Faltam apenas 10 dias para que ‘Anthem’ deixe de existir como jogo jogável. O multiplayer online da BioWare terá seus servidores desligados em 12 de janeiro de 2026, encerrando de forma definitiva uma das experiências mais problemáticas da história recente da desenvolvedora.
A data de encerramento foi anunciada pela Electronic Arts (EA) ainda no verão do ano passado, quando a empresa confirmou oficialmente o fim do suporte ao jogo. Na ocasião, a publisher declarou: “Após uma cuidadosa consideração, vamos encerrar Anthem em 12 de janeiro de 2026”. O prazo parecia distante naquele momento, mas agora marca a reta final da vida útil do título.

Até o momento, não há confirmação sobre qualquer tipo de evento especial de despedida dentro do jogo antes do desligamento dos servidores. Também não foi informado se haverá algum conteúdo final ou ação comemorativa para os jogadores que ainda permanecem ativos nos últimos dias.
Por se tratar de um jogo exclusivamente online, ‘Anthem’ se tornará completamente inacessível após o desligamento. Mesmo quem comprou o jogo não poderá mais jogá-lo, já que toda a experiência depende da infraestrutura online da EA. Esse tipo de encerramento tem se tornado cada vez mais comum na era dos jogos como serviço.
A prática, no entanto, gera forte insatisfação entre jogadores. Nos últimos anos, surgiram movimentos como Stop Destroying Games e Stop Killing Games, que pressionam governos a criarem mecanismos de proteção ao consumidor, evitando que jogos adquiridos legalmente desapareçam por completo quando seus servidores são desligados.
Do ponto de vista das empresas, o argumento costuma ser financeiro. Manter servidores ativos envolve custos contínuos, e títulos que não conseguem sustentar uma base de jogadores significativa acabam se tornando inviáveis economicamente. ‘Anthem’, desde seu lançamento, enfrentou dificuldades para manter engajamento consistente, o que contribuiu diretamente para sua descontinuação.
Ainda assim, parte da comunidade questiona por que o código do jogo não é liberado para que servidores privados possam ser mantidos. Na prática, essa alternativa envolve desafios técnicos, legais e comerciais que raramente são resolvidos de forma simples, especialmente em projetos desse porte.
O encerramento de ‘Anthem’ também carrega um peso simbólico na trajetória da BioWare. Tradicionalmente reconhecida por experiências single-player focadas em narrativa e RPG, a empresa apostou alto em um multiplayer como serviço que acabou não correspondendo às expectativas. Um dos principais nomes envolvidos no projeto descreveu o jogo como uma “dicotomia”, tentando ser ao mesmo tempo uma experiência BioWare clássica e um jogo multiplayer moderno, sem alcançar plenamente nenhum dos dois objetivos.
Essa crise de identidade foi destacada inclusive em análises especializadas, que apontaram ‘Anthem’ como um projeto fragmentado por decisões conflitantes. Houve planos ambiciosos para uma reformulação completa, conhecida como Anthem 2.0, que prometia revitalizar o jogo, mas essas iniciativas acabaram sendo canceladas.
Os problemas de ‘Anthem’ se somaram às dificuldades enfrentadas anteriormente com ‘Mass Effect: Andromeda’, lançado em 2017. O acúmulo de fracassos colocou a BioWare em uma posição delicada após o sucesso de ‘Dragon Age: Inquisition’ em 2014. Nem mesmo o lançamento de ‘Dragon Age: The Veilguard’ em 2024, após um desenvolvimento longo e instável, conseguiu reverter completamente esse cenário.
Atualmente, as atenções se voltam para o quinto jogo da franquia ‘Mass Effect’, que segue em desenvolvimento. O desempenho desse projeto é visto como crucial para o futuro da BioWare, especialmente em um contexto de mudanças estruturais na EA, que se aproxima de uma aquisição com forte foco no setor esportivo. O destino do estúdio, portanto, permanece em aberto.






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