O Capítulo 1174 de ‘One Piece’ Pode Ser o Melhor dos Últimos Anos?

Luiz Gustavo Gonçalves

O capítulo 1174 de ‘One Piece’ começa de forma sufocante. As crianças de Elbaf, presas por um plano cruel do Governo Mundial, caminham sem parar em direção ao abismo. A morte é iminente. O sequestro só não foi concluído como planejado porque uma das criaturas dos pesadelos caiu sobre o navio que seria usado na fuga. Ainda assim, o caos estava instaurado.

Os gigantes, pais e mães desesperados, não conseguiam quebrar o poder que mantinha seus filhos presos. A habilidade de Gunko, ativada pela seta, era simplesmente imparável — e nem ela própria podia desfazê-la, já que Imu havia tomado sua consciência. Para piorar, Sommers se revela como um dos vilões mais cruéis de toda a obra, criando espinhos ao redor das crianças para impedir qualquer tentativa de resgate. O resultado é uma sequência de tensão que coloca este capítulo entre os mais impactantes da fase final do mangá.

As crianças de ELbaf
Reprodução – Shueisha/One Piece

A Cena Mais Emocionante de Elbaf

O nível de crueldade de Sommers atinge um patamar quase insuportável. Os jovens de Elbaf veem seus pais se ferindo nos espinhos, sangrando enquanto tentam salvá-los. E mesmo com o plano parcialmente frustrado, o vilão demonstra euforia ao imaginar as crianças caindo no abismo rumo ao “submundo” de Elbaf. É perversidade pura.

Mas então vem a catarse. Ripley, esposa de Gabban e mãe de Collon, abraça o filho quando percebe que a queda é inevitável. Se ele vai morrer, ela morrerá junto. O amor fala mais alto que o medo. Um a um, pais e parentes fazem o mesmo. Abraçam seus filhos para cair com eles. O desespero se mistura com conforto.

Em paralelo, uma criança que ecoa a história de Nico Robin se vê sozinha — até que sua professora a envolve em um abraço e decide compartilhar o destino. A garota chora ao lembrar que um dia rejeitou aquele carinho. É um dos momentos mais humanos e devastadores de ‘One Piece’ nos últimos anos.

Ripley abraçando seu filho Colon
Reprodução – Shueisha/One Piece

O Salvador Inesperado e o Dragão de Elbaf

Quando tudo parece perdido, todos caem… mas não no abismo. Caem sobre algo macio. É a barriga de Luffy. O capitão está ali, ao lado de Ragnir, em cima de Loki — agora revelado em sua verdadeira forma de dragão colossal, o suposto modelo inspirado em Nidhogg da mitologia nórdica. A lendária Akuma no Mi de Elbaf finalmente mostra seu poder completo.

A escala é absurda. Loki, em sua forma de destruidor do mundo. E então, como se não bastasse o tom épico já estabelecido, Jarul, o gigante ancião, proclama uma antiga profecia:

Em um dia estranho de tempestade, com raios e neve caindo em rajadas, uma criatura gigantesca surgirá para obscurecer os céus e, junto aos tambores da libertação, o deus do sol aparecerá.

Jarul, Montanha Barbada

É nesse momento que Luffy surge como Nika, atravessando Elbaf enquanto cada gigante parece minúsculo diante do dragão. É épico em proporções mitológicas.

Loki como dragão em Elbaf
Reprodução – Shueisha/One Piece

Oda Prova Mais Uma Vez Por Que É Um Gênio

O impacto desse capítulo não está apenas nas revelações ou nas teorias confirmadas. Está na execução. Muitos poderiam dizer que era previsível: no capítulo anterior, Loki afirmou que sabia voar. Era natural imaginar que ele salvaria as crianças. Mas a forma como Eiichiro Oda constrói a tensão faz o leitor esquecer qualquer previsão.

A emoção da Ripley abraçando o filho, o paralelo com Robin, a crueldade de Sommers, a tempestade profética e a aparição de Nika montado em um dragão colossal criam uma experiência quase catártica. Não é apenas sobre foreshadowing ou teorias de fãs. É sobre narrativa poderosa, ritmo e entrega emocional. Se alguém ainda duvidava que ‘One Piece’ vive uma de suas melhores fases, o capítulo 1174 é a resposta definitiva.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA