Chloé Zhao Explica Por Que Eternos Não Era Prioridade da Marvel

William Prado

A diretora Chloé Zhao voltou a falar sobre sua experiência à frente de “Eternos” (Eternals), o filme mais divisivo do Universo Cinematográfico Marvel.

Em entrevista recente ao podcast Awards Chatter, Zhao admitiu algo que muitos fãs já suspeitavam: o longa simplesmente não era uma prioridade alta para o estúdio.

Marvel Não Investiu Tanto Quanto Deveria

Segundo a cineasta, “Eternos” era considerado uma propriedade intelectual única e arriscada, o que fez com que a Marvel Studios não dedicasse o mesmo nível de atenção dado a outras franquias estabelecidas.

Eternos não estava no topo da lista de prioridades deles. Por ser uma propriedade intelectual bastante única, estava apenas na lista de jogadores em potencial. Com a Marvel, é muito uma questão de encontrar o cineasta certo antes de dizerem: ‘Essa é a propriedade que vamos desenvolver’.

A declaração sugere que o filme pode não ter recebido o tempo e os recursos necessários para atingir seu potencial máximo.

Zhao também revelou que Kevin Feige depositou confiança em sua paixão pelo projeto, permitindo que ela fizesse um filme sobre personagens que, nas palavras dela, “literalmente ninguém no mundo estava interessado”.

Antes de “Eternos”: A Chance Perdida Com Viúva Negra

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Marvel Studios

Em outra entrevista recente, Zhao contou que quase dirigiu um projeto Marvel diferente antes de assumir “Eternos”. A cineasta estava cotada para comandar “Viúva Negra” (Black Widow), mas um conflito de agenda impediu o acordo.

Eu fui inicialmente para Viúva Negra, e depois houve um conflito de agenda. E então, quando Nate Moore, meu produtor de Eternos, me mostrou o tratamento, eu pensei: ‘Uau, eu posso ter todos esses imortais, como uma peça grega, para discutir humanidade. E ainda por cima posso criar monstros e deuses espaciais, certo?’ Provavelmente deveria ter me assustado. Não sei. Eu tendo a pular antes de saber nadar.

A revelação levanta uma questão interessante: como seria “Viúva Negra” nas mãos de Zhao? E será que “Eternos” teria sido diferente com outro diretor à frente?

O Peso do Fracasso Crítico e Comercial

desempenho de “Eternos” nos cinemas e na crítica foi decepcionante para os padrões Marvel. O longa se tornou o primeiro filme do MCU a receber avaliação negativa (“Rotten”) no agregador de resenhas Rotten Tomatoes, além de ter arrecadado apenas US$ 164,9 milhões em território doméstico — uma das menores bilheterias da franquia.

Apesar dos números fracos, o filme tem seus defensores. A narrativa ambiciosa, que mistura mitologia cósmica com questionamentos filosóficos sobre a existência humana, conquistou um nicho de fãs que apreciaram a ousadia criativa de Zhao.

O Futuro Incerto dos Eternos no MCU

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Marvel Studios

Desde o lançamento em 2021, rumores sobre uma possível sequência circularam nos bastidores de Hollywood. No entanto, com o passar do tempo, as chances de “Eternos 2” se tornaram cada vez menores.

A aparição de Tiamut em “Capitão América: Admirável Mundo Novo” foi vista por muitos como uma oportunidade de revitalizar o interesse nos personagens, mas o Celestial gigante serviu apenas como dispositivo narrativo para introduzir o Adamantium ao MCU.

É difícil imaginar a Marvel simplesmente ignorando tudo que foi estabelecido em “Eternos”, mas ao mesmo tempo, não há sinais claros de onde ou como esses personagens retornarão.

A questão permanece: qual projeto faria sentido para trazer os Eternos de volta?

Um Experimento Que Não Deu Certo

As declarações de Zhao revelam algo crucial sobre o modelo de produção da Marvel: nem todos os filmes recebem o mesmo nível de investimento e atenção.

Enquanto propriedades como Homem-AranhaVingadores e Pantera Negra contam com todo o aparato do estúdio, projetos mais arriscados como “Eternos” acabam sendo tratados como apostas secundárias.

O resultado? Um filme visualmente deslumbrante e conceitualmente ambicioso que, no fim das contas, não conseguiu encontrar seu público.

Para a Marvel, a lição parece clara: é preciso equilibrar melhor ambição criativa e suporte executivo para que projetos experimentais tenham chance real de brilhar.

Resta saber se o estúdio aprenderá com esse erro ou se continuará tratando suas propriedades menos conhecidas como projetos de menor importância.

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