Sony está sendo processada por uso da dança de Bye Bye Bye em Deadpool e Fortnite

Vinicius Miranda

O criador de uma das rotinas de dança mais famosas da cultura pop iniciou uma batalha judicial motivada pelo recente ressurgimento de sua obra no cinema e nos games. O profissional Darrin Henson, responsável por coreografar a icônica faixa da boyband NSYNC, abriu oficialmente um processo legal contra a Sony Music Holdings.

A acusação central aponta que a empresa de entretenimento permitiu o uso comercial do seu trabalho sem qualquer tipo de aprovação prévia em projetos recentes, incluindo o longa-metragem Deadpool & Wolverine e o popular título multijogador ‘Fortnite’. De acordo com o documento da denúncia, que foi protocolado formalmente no dia 27 de março em um tribunal federal, o coreógrafo afirma ser o verdadeiro e legítimo proprietário dos direitos da dança.

Henson argumenta judicialmente que a Sony não possuía a autoridade legal necessária para realizar o licenciamento da obra para terceiros. A rotina, amplamente reconhecida pelo público devido aos seus movimentos inspirados em cordas de marionetes, consolidou-se como um elemento definidor da cultura do início dos anos 2000.

O impacto nas bilheterias e a falta de reconhecimento

O sucesso original da criação foi tão expressivo que rendeu ao autor o prêmio de Melhor Coreografia durante a cerimônia do MTV Video Music Awards no ano de 2000. Mais de duas décadas após o seu lançamento, os passos encontraram uma nova vida comercial por meio de momentos virais nas redes sociais. Esse ressurgimento ocorreu de forma notória durante a aclamada sequência de créditos de abertura de ‘Deadpool & Wolverine’.

No entanto, o processo argumenta que essa visibilidade renovada aconteceu sem o devido reconhecimento ao seu criador original. Nos documentos apresentados à justiça, a acusação alega que a coreografia tem sido frequentemente utilizada e reposicionada de maneiras que a desconectam de suas verdadeiras origens. O texto destaca que a rotina agora é amplamente associada ao personagem titular do filme, ofuscando a autoria real.

Henson também ressalta que outras pessoas estão se beneficiando diretamente do seu trabalho criativo. Ele cita o dançarino Nick Pauley, que executou a performance no longa, afirmando que vários profissionais estão lucrando enquanto ele permanece sem créditos ou compensação financeira.

A expansão para os games e a isenção de Marvel e Epic

Além do enorme sucesso arrecadado na indústria cinematográfica, a coreografia marcou presença no mercado de jogos eletrônicos. Os movimentos foram transformados em um emote adquirível dentro de ‘Fortnite’, expandindo ainda mais o alcance do material em diferentes plataformas digitais. Apesar dessa utilização direta, o processo esclarece que nem a Marvel e nem a desenvolvedora Epic Games foram listadas como rés na atual ação judicial.

O foco exclusivo do litígio recai sobre as decisões da Sony no processo de licenciamento dos direitos. O núcleo de toda a disputa legal baseia-se em um conflito direto sobre a propriedade intelectual da criação. Henson sustenta a versão de que desenvolveu toda a coreografia de forma independente em 1999.

Os passos foram criados para a primeira performance ao vivo do NSYNC, realizada durante o Radio Music Awards daquele ano específico. O coreógrafo afirma de maneira categórica que nunca assinou qualquer tipo de contrato de trabalho sob encomenda que pudesse transferir os seus direitos autorais para as gravadoras envolvidas.

A disputa pelos direitos e o futuro do processo legal

O profissional argumenta que a reivindicação de propriedade da Sony sobre a coreografia deriva unicamente do fato de a empresa deter os direitos do videoclipe oficial da música. Contudo, a acusação aponta que a corporação falhou em contabilizar adequadamente o trabalho criativo do autor no exato momento de garantir os seus registros de copyright.

Após realizar tentativas frustradas de resolver a situação de forma privada e amigável, o criador decidiu recorrer ao sistema de justiça para buscar uma definição para o imbróglio. Atualmente, o objetivo da equipe de acusação é obter uma sentença declaratória do tribunal federal que consiga estabelecer formalmente a sua propriedade intelectual sobre a obra.

Além disso, o coreógrafo busca recuperar todos os lucros financeiros que foram gerados a partir do uso recente de sua criação. “A realidade é que o trabalho pertence a Henson”, declara o texto oficial da denúncia. A citação enfatiza o esforço contínuo do profissional para obter reconhecimento total e restituição financeira atrelada ao sucesso contínuo da rotina.

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