Criador de “Tokyo Ghoul” surpreende fãs com resposta humilde sobre críticas ao anime

William Prado

Sui Ishida, autor do mangá “Tokyo Ghoul”, voltou a ser assunto nas redes sociais após uma declaração antiga sobre a adaptação em anime ressurgir e viralizar.

Em vez de reclamar das mudanças feitas pelo Studio Pierrot, o mangaká demonstrou uma gratidão que poucos esperavam.

O que Sui Ishida disse sobre o anime de “Tokyo Ghoul”?

Tudo começou quando o perfil @AniTVOfficial no X (antigo Twitter) resgatou trechos de uma livestream realizada por Ishida em novembro de 2021.

Na ocasião, um fã desabafou sobre as diferenças entre o anime e o mangá, expressando frustração com as mudanças na adaptação. A resposta do criador, porém, foi na contramão do que muitos esperavam.

Bem, eu fico feliz apenas pelo fato de que as pessoas conhecem o nome. Tenho sorte por isso ter se tornado algo maravilhoso. Já sou grato pelas pessoas conhecerem o título.

A publicação rapidamente viralizou, acumulando mais de 232 mil visualizações e quase 3 mil curtidas em poucas horas.

Nos comentários, fãs do mundo inteiro elogiaram a postura do autor e reacenderam o debate sobre um possível remake do anime.

A ironia genial de Ishida sobre adaptações ruins

Tokyo Ghoul
Divulgação: Crunchyroll

Além da resposta gentil, Ishida foi ainda mais longe durante a mesma transmissão. Com um tom bem-humorado, o mangaká soltou uma frase que conquistou a internet.

É melhor ter um anime terrível do que um bom, porque assim algumas pessoas vão querer ler a história original.

Essa mistura de autocrítica e humor revela muito sobre a personalidade de Ishida. Em outras entrevistas, ele já demonstrou que sua definição de sucesso é bastante pessoal. Para ele, o mais importante é a sensação de ter desenhado algo bom, independentemente da recepção do público.

Por que o anime de “Tokyo Ghoul” decepcionou tantos fãs?

O mangá original de “Tokyo Ghoul” foi serializado na revista Weekly Young Jump entre 2011 e 2014. Sua continuação, “Tokyo Ghoul:re”, estendeu a saga até 2018.

Juntas, as duas séries ultrapassaram a marca de 47 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, consolidando a obra como um dos grandes sucessos do gênero seinen.

A primeira temporada do anime, lançada em 2014 pelo Studio Pierrot, foi bem recebida. A produção capturou com competência a atmosfera sombria do mangá e apresentou a transformação de Ken Kaneki de estudante universitário comum a meio-ghoul atormentado. A atuação de Natsuki Hanae como Kaneki também foi amplamente elogiada.

Entretanto, a segunda temporada, intitulada “Tokyo Ghoul √A” (2015), optou por seguir um roteiro original que se distanciou drasticamente do mangá.

Arcos inteiros foram condensados, motivações de personagens foram alteradas e desenvolvimentos cruciais foram apressados. O resultado desagradou profundamente os leitores do mangá.

A situação piorou com a adaptação de “Tokyo Ghoul:re” em 2018. Problemas de ritmo, animação inferior nos episódios finais e a omissão de detalhes narrativos importantes diluíram o peso emocional da história. Personagens como Touka Kirishima e Eto Yoshimura tiveram seus arcos drasticamente reduzidos, o que frustrou ainda mais a base de fãs.

O legado do anime e a demanda por um remake

Tokyo Ghoul
Divulgação: Crunchyroll

Apesar de todas as críticas, é inegável que o anime cumpriu um papel fundamental na popularização global de “Tokyo Ghoul”. A adaptação televisiva impulsionou as vendas do mangá, gerou uma linha de produtos licenciados, jogos e até filmes live-action.

Ou seja, mesmo com suas falhas, o anime foi responsável por transformar a obra de Ishida em um fenômeno cultural que transcendeu as páginas da revista.

Ainda assim, a comunidade de fãs nunca desistiu de pedir um remake fiel ao mangá. Petições online e campanhas em redes sociais mantêm o assunto vivo, especialmente em um momento em que remakes de animes clássicos estão em alta.

Produções como o novo “Samurai X” (Rurouni Kenshin) e “Urusei Yatsura” mostraram que é possível revisitar obras consagradas com qualidade superior.

Até o momento, nenhum remake oficial de “Tokyo Ghoul” foi anunciado. O Studio Pierrot seguiu para outros projetos, mas a expectativa dos fãs é de que um novo estúdio possa assumir o desafio no futuro.

O que Sui Ishida faz atualmente?

Após encerrar “Tokyo Ghoul:re”, Ishida não ficou parado. Em 2021, ele lançou Choujin X, um novo mangá de ação sobrenatural serializado na plataforma Manga Plus, da Shueisha.

A obra vem recebendo elogios pela qualidade artística e pela narrativa envolvente, mostrando que o mangaká continua em plena forma criativa.

Ishida raramente se envolve publicamente em debates sobre adaptações de suas obras. Essa postura discreta, combinada com declarações humildes como a que viralizou recentemente, só aumenta o carinho e o respeito dos fãs pelo criador.

O futuro de Tokyo Ghoul

Tokyo Ghoul
Divulgação: Crunchyroll

A viralização desse trecho da livestream de 2021 é mais do que uma simples curiosidade. Ela reforça que “Tokyo Ghoul” continua relevante no imaginário dos fãs de anime e mangá, mesmo anos após o encerramento do anime original.

A demanda por um remake permanece alta, e o mercado de animação japonesa nunca esteve tão receptivo a revisões de obras clássicas.

Se um novo projeto for anunciado algum dia, os fãs esperam que a essência sombria, psicológica e complexa do mangá de Ishida seja finalmente honrada na tela.

Enquanto isso, a humildade do autor serve como lembrete: para conhecer o verdadeiro coração de “Tokyo Ghoul”, o caminho mais seguro ainda é o mangá original.

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