‘Dele & Dela’: A nova série da Netflix já é uma das maiores decepções de 2026?

Cheyna Corrêa

O ano mal começou e a Netflix pode já ter entregado uma forte candidata ao título de produção mais frustrante de 2026, de acordo com a crítica. A minissérie Dele & Dela (His & Hers), que chegou ao catálogo cercada de expectativas por trazer nomes de peso como Tessa Thompson e Jon Bernthal nos papéis principais, transforma um material de origem promissor em um thriller melodramático que desafia a paciência do espectador.

Baseada no romance homônimo de 2020 escrito por Alice Feeney, a trama acompanha Anna (Thompson), uma jornalista de sucesso, e Jack (Bernthal), um detetive. O casal, que vive separado e atravessa o luto pela perda do filho, acaba se reencontrando quando um assassinato brutal acontece na pequena cidade de Dahlonega, na Geórgia. O problema é que o mistério envolve ambos de maneiras perigosas.

Talentos desperdiçados em um roteiro confuso

A série é comandada por William Oldroyd (Lady Macbeth) e tem Dee Johnson (Plantão Médico) como showrunner, mas nem essa experiência nos bastidores salvou a execução. A produção tenta emular o clima de sucessos da HBO Max, como Mare of Easttown e Objetos Cortantes, apostando em um mistério de queima lenta onde traumas do passado colidem com o presente. No entanto, a atmosfera falha em tornar a cidade um “personagem” real, parecendo apenas um cenário genérico.

O maior pecado de Dele & Dela é o desperdício de talento. Tessa Thompson, que brilha em Creed e no MCU, e Jon Bernthal, aclamado por O Urso e O Justiceiro, fazem o possível para elevar o material. Porém, nem eles conseguem salvar os diálogos e as decisões questionáveis de seus personagens. O elenco de apoio, que conta com Pablo Schreiber e Chris Bauer, também acaba subutilizado em papéis unidimensionais.

Reviravoltas implausíveis e falta de lógica

Ao longo dos seis episódios, a narrativa pede que o público jogue a lógica pela janela. O que deveria ser um suspense psicológico complexo se torna uma sucessão de furos no roteiro. A série tenta abordar temas sérios, como bullying, agressão sexual e luto, mas faz isso de forma superficial, priorizando o valor de choque em vez de construir um desenvolvimento de personagem sólido.

A dinâmica entre os protagonistas soa artificial. As inconsistências narrativas tornam difícil acreditar nas ações de Anna e Jack, que muitas vezes agem de forma distorcida apenas para servir às conveniências do roteiro. Diferente do livro, que trazia nuances, a adaptação aposta em histrionismos e gritos excessivos que perdem o impacto emocional.

No fim das contas, a série entrega um clímax irritante e uma resolução que pode deixar muita gente com raiva.

E você, já começou a maratonar? Concorda que o roteiro se perdeu ou gostou das reviravoltas? Comente aqui embaixo!

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