Empresa que trouxe lobo terrível de volta prepara nova Arca de Noé

Andre Luiz

A Colossal Biosciences, empresa de biotecnologia conhecida por ressuscitar os lobos-terríveis, espécie extinta há cerca de 12.500 anos e popularizada pela série Game of Thrones, anunciou um novo passo ambicioso na preservação da vida na Terra. A companhia revelou a criação do Colossal BioVault e do World Preservation Lab, uma iniciativa global voltada à proteção da biodiversidade ameaçada.

O anúncio foi feito em 2 de fevereiro, durante o World Governments Summit, e contou com apoio oficial dos Emirados Árabes Unidos. O laboratório será instalado de forma permanente no Museu do Futuro, em Dubai, consolidando a cidade como um dos principais polos mundiais de inovação científica e conservação ambiental.

Projeto bilionário mira preservar milhares de espécies

Descrito como uma versão moderna da Arca de Noé, o projeto representa um investimento de nove dígitos. Como parte da iniciativa, os Emirados Árabes lideraram um aporte inicial de US$ 60 milhões, ampliando a rodada Série C da empresa. Com isso, o total de recursos captados pela Colossal chega a US$ 615 milhões.

Além da estrutura física, o acordo inclui a licença das tecnologias de criopreservação e reanimação genética desenvolvidas pela companhia, fundamentais para a conservação de espécies ameaçadas e extintas.

Declarações reforçam foco em inovação e preservação

Durante o anúncio, o diretor executivo do Museu do Futuro, Majed Al Mansoori, destacou a importância do projeto. Ele afirmou:

“Acredito que o futuro pertence àqueles que usam tecnologia e inovação para enfrentar nossos maiores desafios.”

O executivo acrescentou:

“Ao trabalhar com a Colossal Biosciences, líderes em biologia sintética e conservação, damos um passo ousado para avançar a ciência que protege o planeta, restaura ecossistemas e constrói um legado sustentável para as futuras gerações.”

Estrutura global para proteger a vida no planeta

De acordo com a empresa, o World Preservation Lab surge diante de projeções que indicam que quase metade das espécies da Terra pode desaparecer até 2050, colocando em risco a biodiversidade, o bem-estar humano e a estabilidade econômica global.

O Colossal BioVault terá como principais objetivos:

  • Proteger mais de 10 mil espécies, armazenando mais de um milhão de amostras genéticas, com foco inicial nas 100 espécies mais ameaçadas do mundo
  • Mapear a diversidade genética, coletando múltiplas amostras por espécie
  • Compartilhar dados científicos de forma aberta, com acesso global para pesquisadores
  • Criar uma rede internacional de biovaults, começando por Dubai e pelos Emirados Árabes
  • Avançar pesquisas genômicas de espécies pouco estudadas
  • Garantir sistemas de backup redundantes em diferentes países
  • Envolver o público, convidando visitantes a atuarem como co-guardião da biodiversidade

Khaleesi, lobo-terrível, completa um ano

O anúncio acontece semanas após a Colossal confirmar que Khaleesi, a primeira fêmea de lobo-terrível ressuscitada, completou um ano de vida em 30 de janeiro. Ela se junta aos irmãos Romulus e Remus, os primeiros da espécie a nascerem após mais de 12 milênios de extinção.

Em publicação nas redes sociais, a empresa afirmou:

“Ela está crescendo rápido. Ainda está claramente na fase adolescente, mas já está alcançando os irmãos, que completaram um ano em outubro. Pisque e você perde.”

Com a combinação de biotecnologia, conservação ambiental e cooperação internacional, o novo projeto da Colossal reforça o papel da ciência na preservação da vida e da diversidade biológica em escala global.

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