É CHATO, MAS É O EPISÓDIO MAIS IMPORTANTE DE ‘JUJUTSU KAISEN’: O INÍCIO DE ALGO MUITO MAIOR

Luiz Gustavo Gonçalves

O 3º episódio começa com algo que parece simples, mas é importante, que é a forma como Tengen se refere ao grupo: “Crianças dos Zen’in, descendente de Michizane, feto das Pinturas da Morte e hospedeiro do Sukuna” – não é estilo, é lore puro. Essa frase conecta diretamente os protagonistas aos pilares históricos do mundo Jujutsu e deixa claro que nada ali é aleatório.

Michizane Sugawara foi ancestral de Gojo e Yuta e um dos três grandes espíritos vingativos do Japão. Isso é só um detalhe de um episódio que é mais parado, mas que é carregado de significados. ‘Jujutsu Kaisen’ deixa claro que estamos lidando com destino, herança amaldiçoada e ciclos que se repetem há séculos, e esse episódio existe justamente para reforçar isso.

O verdadeiro plano do Kenjaku

Aqui fica evidente que Kenjaku nunca agiu por impulso. Ao absorver Mahito usando o Uzumaki, ele não buscava força bruta, mas controle absoluto sobre a alma humana. A Transfiguração Inerte do Mahito deixa de ser algo individual e passa a funcionar em escala coletiva, afetando pessoas à distância, todas ao mesmo tempo.

O Uzumaki funciona como uma genki-dama de maldições, gastando toda a energia acumulada sem retorno. Isso prova que o plano foi calculado até o limite exato do possível. Kenjaku não queria soldados, queria um sistema funcional para dar início ao maior experimento amaldiçoado da história.

O destino quebrado por Toji Fushiguro

O elo entre o usuário dos Seis Olhos, a Tengen e o receptáculo sempre existiu. Matar nunca resolveu, porque o ciclo se reorganizava. Toji foi a falha do sistema. Sua Restrição Celestial permitiu que ele agisse fora do destino, algo que simplesmente não deveria acontecer.

Ao matar Riko, Toji abriu o caminho para tudo: a evolução descontrolada da Tengen, o plano de Kenjaku e o selamento do Gojo. ‘Jujutsu Kaisen’ deixa claro que o caos atual não nasceu agora, ele começou anos atrás, com uma única ruptura no fluxo natural do mundo.

Toji Fushiguro
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

A criatura que pode trazer o fim do mundo

O ponto mais assustador do episódio é a condição atual da Tengen. Após a morte de Riko Amanai pelas mãos do Toji, ela deixou de se fundir com um receptáculo adequado. Sua alma se espalhou e evoluiu, tornando-se cada vez mais próxima de uma maldição.

Se a Tengen se fundisse com a população do Japão, o resultado seria uma consciência coletiva instável, onde o colapso mental de uma única pessoa contaminaria todas as outras. Isso é energia amaldiçoada em seu estado mais puro: medo, desespero e ódio compartilhados. Um ser acima de humanos, feiticeiros ou maldições — e impossível de ser detido.

O Jogo do Abate e o colapso inevitável

O Jogo do Abate foi criado para nunca acabar. Suas regras impedem o encerramento, mesmo que Kenjaku morra. Para adicionar uma regra, são necessários cem pontos — e quando cada humano vale um ponto e cada feiticeiro vale cinco, fica óbvio que o sistema foi feito para incentivar massacres.

Do lado dos protagonistas, os objetivos são desesperados: salvar Tsumiki e libertar Gojo usando o poder da Anjo. Mas nada disso será simples. Esse episódio deixa claro que, apesar de ser parado, ele constrói algo gigantesco e bem amarrado. Tirar o Gojo de cena foi cruel, mas… necessário. Agora, o mundo de ‘Jujutsu Kaisen’ pode finalmente mostrar todo o seu potencial.

Caso queira mais detalhes (e alguns spoilers) focados no Jogo do Abate em si, pode clicar aqui!

Kenjaku em holograma quando os participantes falam dele
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

 

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