Filler, censura e seis dedos! Os 10 piores erros da 3ª temporada de ‘One Punch Man’!

Luiz Gustavo Gonçalves

A 3ª temporada de ‘One Punch Man’ entrou para a história — mas infelizmente pelos piores motivos. O que era para ser a consolidação definitiva de um dos animes mais populares da última década acabou se tornando um verdadeiro manual de como não adaptar um mangá. Cortes sem sentido, censuras constrangedoras, erros técnicos grotescos e decisões narrativas que simplesmente destroem personagens e temas centrais da obra original.

E não estamos falando de detalhes pequenos ou preciosismo de fã. São mudanças que quebram a lógica da história, esvaziam o impacto emocional e transformam momentos épicos em cenas involuntariamente cômicas. A seguir, você vai entender por que tanta gente considera essa temporada um show de horrores animado, digno de estudo — e crítica pesada.

1 – Muita coisa comprometida logo no começo

Logo no início da invasão ao covil dos monstros, o mangá estabelece tensão, hierarquia e conflitos claros entre os vilões. O Estripador é peça-chave nesse momento, interagindo com diversos personagens, ferindo mercenários e sendo responsável direto por trazer Garou para a cena. Ele dá ritmo, coerência e peso dramático à sequência.

No anime, simplesmente apagaram o personagem da existência. O resultado é um amontoado de monstros sem dinâmica, rivalidades inexistentes e um Garou que surge do nada, contrariando totalmente sua motivação de não ser visto. É o tipo de corte que não só empobrece a cena, como compromete toda a narrativa subsequente.

Comparação entre o anime e mangá mostrando a ausência do personagem Estripador
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

2 – Quando o erro técnico vira piada involuntária

Se a ausência do Estripador já era estranha, o estúdio conseguiu piorar a situação ao reutilizar modelos de animação de forma preguiçosa. Em uma cena rápida, o personagem simplesmente ganha peitos, algo que passou despercebido por muitos, mas virou símbolo do descaso técnico da temporada.

Esse tipo de erro não é apenas engraçado — ele revela uma produção apressada, sem revisão adequada e com prioridade zero para qualidade visual, algo inaceitável para um anime do tamanho de ‘One Punch Man’.

Estripador de One Punch Man com peitos no anime
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

3 – Garou: um cartaz de papelão barato

Garou deveria ser o coração da temporada, um vilão carismático, ameaçador e complexo. Mas em vez disso, o anime entregou uma das cenas mais vergonhosas da história recente da animação japonesa: Garou descendo uma ribanceira flutuando, sem tocar os pés no chão.

O momento virou meme, mas o dano foi real. A aura intimidadora do personagem simplesmente evaporou. Em vez de um caçador de heróis temido, ele parece um adesivo colado na tela, destruindo qualquer tentativa de levá-lo a sério.

Garou mal animado
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

4 – Mizuki, seis dedos e animação travada

A personagem Mizuki ganhou destaque visual, mas não escapou da tragédia técnica. Durante uma cena de empolgação dos heróis da classe B, enquanto todos deveriam estar pulando e vibrando, ela aparece completamente rígida, celebrando apenas com a voz.

Para piorar, em um dos frames de ataque, Mizuki surge com seis dedos na mão. Erros assim até acontecem em animes semanais, mas aqui estamos falando de uma temporada que demorou anos para sair e ainda assim voltou com qualidade inferior a episódios medianos de séries semanais como ‘One Piece’.

Mizuki com 6 dedos
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

5 – Phoenix Man descartado e Saitama removido da própria história

O arco do Phoenix Man é um dos mais simbólicos do mangá, explorando identidade, fantasia e amadurecimento através da luta contra o Kid Emperor. ONE e Murata, os autores, chegaram a refazer completamente essa batalha justamente por não estarem satisfeitos com a versão original.

O anime, em uma decisão inacreditável, escolheu justamente a versão descartada pelos autores. Cortou o conflito psicológico, removeu a dimensão mental do Phoenix Man e eliminou uma das cenas mais absurdas e geniais do arco: Saitama invadindo uma dimensão pessoal com um soco.

E como se não bastasse, o protagonista simplesmente some da história até a luta contra Orochi. Um anime chamado ‘One Punch Man’ que remove o One Punch Man da narrativa.

Phoenix Man e Saitama
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

6 – A cena do Genos no prédio que parece um PowerPoint

A subida do prédio com Genos e Fubuki deveria ser simples, íntima e visualmente envolvente. Mas o estúdio optou por algo inacreditável: uma imagem estática do prédio enquanto o diálogo acontece em off.

Não há animação, não há movimento, não há esforço. Parece literalmente uma aula de escola usando projetor. Um dos exemplos mais claros de economia extrema disfarçada de adaptação.

Comparativo entre a cena do Genos e Fubuki no mangá e no anime
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

7 – Amai Mask descaracterizado até perder a essência

O Amai Mask do anime não é o mesmo do mangá. No original, sua brutalidade é construída com cuidado, gerando dúvida, tensão e revelações graduais. No anime, ele simplesmente mata mercenários inocentes para resolver a cena mais rápido.

Com isso, o estúdio corta todo o arco posterior envolvendo os samurais, a Do-S, a revelação monstruosa do Amai Mask e até monstros bizarros como a água mineral do mal. É uma simplificação tão agressiva que transforma um personagem complexo em uma caricatura vazia.

Cena do Amai Mask no mangá
Reprodução – Viz Media

8 – A história do verdadeiro vilão foi simplesmente cortada

O grande antagonista da temporada não era só Orochi, mas também Gyoro Gyoro, a identidade falsa da doutora Psykos. No mangá, isso é apresentado de forma sutil, com flashbacks e diálogos que funcionam como foreshadowing inteligente.

O anime remove tudo. Sem pistas, sem construção, sem impacto. Quando Psykos aparecer de verdade, parecerá algo jogado, sem preparação. E a luta contra Orochi também perde profundidade ao cortar toda a lore envolvendo o God e o altar no centro da Terra.

Cena da Psykos e Orochi removida do anime
Reprodução – Viz Media

9 – Uma mudança ofensiva na história do Homeless Emperor

A adaptação da história do Homeless Emperor é, talvez, o ponto mais baixo da temporada. No mangá, ele é um personagem profundamente trágico, que tentou se suicidar antes de receber seus poderes do God.

O anime suaviza tudo de forma covarde. Remove a cena da corda, do banco, do desespero real, e coloca o personagem segurando sacolas de mercado, esvaziando completamente o peso da situação. Uma abordagem que não só banaliza o tema, como chega a ser desrespeitosa.

Comparativo entre anime e mangá com Homeless Emperor
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

10 – Censura absurda: sangue, xixi e até cigarro

Para fechar com chave de ouro, a censura da temporada é simplesmente ridícula. Sangue removido, ferimentos transformados em sombras pretas, xixi censurado e, no auge do absurdo, Zombieman trocando um cigarro por um pirulito após um massacre.

É o tipo de decisão que não protege ninguém — apenas ridiculariza a obra. A violência faz parte do tom de ‘One Punch Man’, e censurá-la dessa forma só evidencia a desconexão total do estúdio com o material original.

No fim das contas, a 3ª temporada de ‘One Punch Man’ não falha por falta de potencial, mas por falta de respeito ao próprio mangá. Um lembrete doloroso de que nem todo retorno aguardado vale a espera.

a censura do Zombieman
Reprodução – J.C STAFF/Viz Media

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