Esse detalhe na 3ª temporada de Jujutsu Kaisen prova que o anime é ainda melhor do que o mangá!

Luiz Gustavo Gonçalves

Logo no início da 3ª temporada de ‘Jujutsu Kaisen’, muita coisa sinistra acontece em sequência. Temos Itadori caçando maldições criadas por Kenjaku, Choso enfrentando Naoya, Itadori sendo morto pelo Yuta e uma sensação constante de que o mundo entrou em colapso definitivo. Tudo isso já seria suficiente para impactar qualquer espectador.

Mas o detalhe que realmente mostra que o anime de Jujutsu Kaisen é melhor que o mangáacontece antes de qualquer luta explosiva. Uma cena simples, silenciosa, mas profundamente simbólica: Itadori lavando as mãos compulsivamente. Sem diálogo, sem exagero, apenas imagem e significado puro. Isso é cinema. 

Essa escolha não existe por acaso. A direção do anime entende que nem todo trauma precisa ser verbalizado, alguns precisam apenas ser sentidos. E essa cena inicial deixa claro que Yuji não saiu inteiro do Incidente de Shibuya. Ele sobreviveu, mas algo dentro dele foi quebrado para sempre.

A culpa que não sai da pele

O gesto de lavar as mãos em excesso remete diretamente ao estresse pós-traumático, lembrando até a clássica cena do Kakashi em ‘Naruto’, também tentando se livrar de uma culpa invisível. 

Durante o Incidente de Shibuya, Sukuna assumiu seu corpo e promoveu um massacre. Centenas morreram. Shibuya foi destruída. E o pior: tudo isso aconteceu usando o corpo de Itadori como arma. Mesmo sem ter controle, ele viu o resultado com os próprios olhos. Ele sabe que, se Gojo não tivesse revogado sua sentença de morte, milhares de pessoas ainda estariam vivas. Inclusive Inumaki não teria perdido os braços.

Esse sentimento de culpa é tão forte que se transforma em comportamento obsessivo. O sangue não sai, não importa o quanto ele lave as mãos. E o anime faz questão de mostrar isso visualmente, sem precisar verbalizar nada. É uma decisão madura, sensível e extremamente poderosa.

Itadori lavando as mãos compulsivamente
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

Shibuya: o pecado original que nunca acaba

O caos de Shibuya não foi um acidente. Foi um plano meticuloso de Kenjaku, usando o corpo de Suguru Geto. Ao manipular maldições especiais como Hanami e Jogo, ele criou o cenário perfeito para selar Satoru Gojo. Com o feiticeiro mais forte fora do tabuleiro, o mundo ficou indefeso.

Mesmo com Hanami sendo derrotada e Jogo encontrando seu fim ao despertar de Sukuna, o estrago já estava feito. O momento mais crítico vem quando Megumi, sem saída (finalmente) invoca o Mahoraga. Sukuna entra em combate para detê-lo, mas sua expansão de domínio e a flecha de fogo causam uma devastação sem precedentes. Prédios caem, vidas são apagadas e Inumaki é ferido de forma irreversível.

Tudo isso constrói o pano de fundo emocional que explica por que Itadori decide se afastar da Escola Jujutsu e do Megumi. Ele passa a agir apenas ao lado do Choso, entrando no Jogo do Abate como alguém que já não se vê mais como herói, mas como um risco ambulante para quem estiver por perto.

O vitral vermelho e o julgamento eterno

No mangá, vemos Itadori sentado sozinho em uma escadaria. A cena é bonita, funciona bem e cumpre seu papel. Mas o anime vai além. Muito além.

Sob a direção da adaptação, a escadaria ganha um vitral ao fundo, evocando imediatamente a atmosfera de uma igreja. Não é só solidão. É julgamento, confissão e pecado. A iluminação vermelha banha o corpo do Itadori como um banho de sangue, simbolizando todas as mortes causadas por Sukuna enquanto usava seu corpo.

Esse vermelho não é aleatório. Ele já havia sido estabelecido na cena inicial como a cor da culpa, ligada ao sangue e à dor. Quando a luz vermelha recai sobre Itadori, a mensagem é clara: esse trauma não vai desaparecer, não importa quantas maldições ele derrote. O anime transforma um momento simples do mangá em uma experiência visual e emocional devastadora, provando que, às vezes, a adaptação não só respeita a obra original — ela a eleva.

Se isso é só o começo do Jogo do Abate, dá até medo de imaginar o que vem pela frente.

Itadori desolado, sozinho debaixo de um vitral vermelho
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN
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