‘Fallout’: a Grande Guerra pode acontecer no mundo real? Especialista explica

Andre Luiz

A Grande Guerra, evento central de toda a franquia Fallout, voltou ao debate após declarações de uma especialista em armamentos nucleares. Com a nova fase da adaptação televisiva do Prime Video em evidência, a Dra. Emma Belcher, referência internacional no tema, analisou o quão plausível seria um conflito nuclear global semelhante ao retratado na saga.

Ambientada décadas antes dos jogos e cerca de 200 anos antes da série, a Grande Guerra de Fallout foi consequência de anos de tensão geopolítica entre Estados Unidos e China, as últimas grandes potências em meio à escassez de recursos naturais. Após a retomada do Alasca e a invasão do território chinês pelos EUA, o conflito culminou em um ataque nuclear em larga escala, dando origem ao mundo devastado conhecido como Wasteland.

Na primeira temporada da série, o enredo revelou que o início da guerra não partiu diretamente das nações, mas de megacorporações como Vault-Tec, West-Tek, REPCONN, RobCo e Big MT, que teriam arquitetado o caos para lucrar com a construção de abrigos e moldar o futuro da humanidade.

Especialista comenta possibilidade de guerra nuclear na vida real

Em entrevista ao ScreenRant, a Dra. Emma Belcher — presidente da organização Ploughshares, dedicada à eliminação de armas nucleares — foi questionada sobre a chance de um conflito semelhante ocorrer fora da ficção, inclusive com influência de bilionários e executivos de tecnologia.

Segundo ela, o tema não é tão distante quanto parece. “Isso diz algo que fica rondando o inconsciente de muitos de nós”, afirmou, ao reconhecer o receio coletivo de decisões tomadas fora do alcance público.

A especialista destacou ainda a existência de processos e jogos de poder pouco visíveis, ressaltando que parte de seu trabalho é justamente evitar que esses bastidores levem a consequências irreversíveis. Em um dos trechos mais diretos da entrevista, Belcher alertou:

“Existem nove países no mundo que possuem armas nucleares atualmente, e eles têm a capacidade de iniciar uma guerra nuclear de forma intencional. Alguém pode decidir: ‘É isso que vou fazer’, e condenar o resto de nós a uma possível extinção — ou isso pode acontecer por erro, cálculo equivocado ou mal-entendido.”

Influência privada e gastos bilionários entram em alerta

A Dra. Belcher também chamou atenção para o peso do setor privado nas decisões políticas, especialmente de empresas ligadas à indústria bélica. Para ela, esse tipo de influência cria um desequilíbrio de poder que afeta diretamente a população.

De acordo com dados citados pela especialista, mais de US$ 190 bilhões são gastos anualmente com armas nucleares em todo o mundo. Apenas os Estados Unidos, segundo projeções, devem investir cerca de US$ 2 trilhões na modernização de seu arsenal nas próximas décadas.

“Educação, saúde, o que você quiser citar — é realmente assim que queremos gastar nossos recursos?”

Por que um cenário como o de Fallout ainda é improvável

Apesar dos riscos apontados, Belcher destacou fatores que reduzem a probabilidade de uma guerra nuclear total nos dias atuais. Entre eles estão a diminuição da tensão global em relação ao período da Guerra Fria e o fato de que, economicamente, manter o mundo funcionando ainda é mais lucrativo do que destruí-lo.

A especialista reforça, porém, que informação, vigilância e comunicação continuam sendo elementos-chave para evitar uma catástrofe. O tema também é abordado no filme A Casa de Dinamite, de Kathryn Bigelow, citado como exemplo da importância do diálogo em momentos de crise nuclear.

Com a franquia Fallout reacendendo debates sobre poder, guerra e sobrevivência, a análise de especialistas ajuda a contextualizar como a ficção se conecta a riscos reais, reforçando a necessidade de atenção contínua às decisões que moldam o futuro global.

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