A nova adaptação de Guillermo del Toro para Frankenstein, lançada pela Netflix, apresenta uma releitura completa da Criatura criada por Victor Frankenstein. O design, desenvolvido pelo artista de efeitos especiais Mike Hill, rompe com a tradicional imagem eternizada por Boris Karloff nos cinemas e busca reconstruir o personagem a partir da essência descrita por Mary Shelley.
Segundo Hill, em entrevista ao CBR, a construção do visual exigiu reinvenção total. O especialista trabalhou diretamente com del Toro para criar um corpo que evoluísse fisicamente conforme o personagem avança emocionalmente na trama. O resultado foi um design escalonado que acompanha o desenvolvimento da Criatura, interpretada por Jacob Elordi.
Ao comentar o processo, Hill afirmou que a tarefa de criar algo novo para uma figura tão conhecida trouxe enorme pressão.
“Foi aterrorizante! […] É extremamente difícil criar um design totalmente novo.”
Mesmo assim, a equipe decidiu evitar completamente qualquer repetição de versões anteriores. “Eu ignorei totalmente [as versões clássicas]”, disse o artista, explicando que buscou apenas seguir as diretrizes de del Toro e moldar o visual de acordo com a interpretação de Elordi.
Criatura construída com intenção, não remendada
Hill destacou que o objetivo era se afastar da estética remendada de adaptações antigas. O visual deveria transmitir que aquele corpo foi planejado, e não restaurado após acidentes.
“Queríamos que ficasse claro que alguém o fez. Alguém o desenhou. Isso não é um acidente.”
Para isso, o artista criou padrões geométricos que percorrem o corpo do personagem, reforçando a ideia de fabricação. Além disso, a caracterização acompanha estágios de “infância”, “adolescência” e “vida adulta”, refletindo a jornada emocional do personagem.
Transformação extrema de Jacob Elordi
A atuação de Jacob Elordi exigiu uma caracterização complexa. De acordo com Hill, o ator utilizou próteses corporais completas, com 42 peças aplicadas diariamente.
O processo levava cerca de 10 horas para ser concluído, e mais 2 a 2h30 para ser removido no fim do dia.
“Ele passou por… não digo inferno, mas ficar sentado por 10 horas exige um tipo especial de resiliência.”
A equipe chegou a instalar uma sauna no trailer de maquiagem para facilitar a retirada do material, reduzindo o incômodo para o ator.
Cabelos, cores e textura inspirados na obra original
Para o design dos cabelos, a equipe buscou elementos diretamente do romance de Mary Shelley. A Criatura aparece primeiro totalmente careca, depois com fios curtos e, mais tarde, com cabelos longos e esvoaçantes, em tom castanho-claro, aproximando-se de uma estética romântica do século XIX. A paleta de cores também passou por diferentes fases.
Hill explicou que del Toro desejava tons acinzentados, enquanto ele buscou incluir referências à descrição de Shelley, adicionando áreas amareladas, além de tons que remetem ao cinema clássico.
“Queria que ele fosse uma borboleta que vira mariposa e depois volta a ser borboleta.”
O visual final também foi influenciado pela própria presença física do ator. Ao vê-lo pessoalmente pela primeira vez, Hill percebeu que não seria necessário aplicar próteses no maxilar, algo originalmente previsto no design.
Elordi também acabou expondo mais de seu físico real do que o planejado, reduzindo a quantidade de material aplicada ao corpo.
Para Hill, o instante em que percebeu a dimensão do projeto aconteceu na gravação da cena em que a Criatura carrega Elizabeth escada abaixo.
“Foi o momento em que percebi: ‘estamos fazendo Frankenstein’.”




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