O UCM vai acabar? Como a Marvel planeja sobreviver APÓS a nostalgia!

William Prado

Se os fãs de filmes de super-heróis estão animados para o próximo filme dos Vingadores, é porque a Marvel trouxe de volta parte de sua era de ouro, incluindo Robert Downey Jr. no papel de um dos vilões mais icônicos da história dos quadrinhos.

Mas nem o monarca da Latvéria, o Doutor Destino, seria capaz de movimentar os fãs a ponto de fazer com que os trailers de Vingadores: Doomsday batessem dezenas de milhões de visualizações sem uma força poderosa por trás. Nós sabemos quem é a verdadeira responsável por tamanho sucesso: a nostalgia.

Ela está presente na Marvel desde o momento em que o Multiverso surgiu no UCM e se tornou a carta na manga perfeita toda vez que o estúdio balança nas bilheterias. Levar Tobey Maguire e Andrew Garfield para as telas junto com Tom Holland comprovou algo que Kevin Feige provavelmente já sabia: resgatar heróis clássicos é o melhor caminho para lidar com a fase conturbada pós-Ultimato.

Não há dúvidas de que a chegada do Doutor Destino — um personagem magistralmente explorado nas HQs de Jonathan Hickman, especialmente no megaevento Guerras Secretas (2015), onde ele molda o multiverso à sua imagem — fará o filme performar muito bem nas telonas. Mas e quando tudo isso acabar? O que resta para a Marvel? Será que um novo elenco de X-Men pode ser a salvação? Ou a coroa do cinema de super-heróis será passada de vez para o novo DCU de James Gunn?

O Futuro do UCM e a Síndrome da Substituição

Doutor Destino
Marvel Comics

Após esse tão esperado reboot do UCM que Guerras Secretas deve trazer, as coisas precisarão mudar para manter o público nas salas de cinema, acabando gradativamente com a dependência exclusiva dos atores consagrados da casa. Mas como a Marvel vai fazer isso? Esse deve ser um dos maiores medos de Feige desde os tropeços recentes. Lidar com a troca de protagonistas ou alterar a essência de personagens clássicos sempre gerou atrito com os fãs.

A solução ideal é manter os dois mundos coexistindo até que a transição seja natural. Assim como a Marvel estabeleceu o conceito de Seres Âncoras em Deadpool & Wolverine, ela terá que aplicar essa lógica na fundação do novo universo. Quando as lendas originais se aposentarem, o estúdio precisará de âncoras sólidas para segurar a audiência. Essas âncoras terão que ser escolhidas a dedo para garantir que, por exemplo, uma nova versão do Homem de Ferro não “flope” nas bilheterias por pura rejeição do público.

O Fator Wolverine: O “Velho Logan” como Ponte

Wolverine em Deadpool & Wolverine
Wolverine – Divulgação / Marvel Studios

Uma das melhores opções que existem hoje para o futuro do UCM — e que já é alvo de fortes rumores — é o Wolverine de Hugh Jackman. Ele é um Ser Âncora tanto na ficção quanto nos bastidores. Amado pelos fãs, o eterno mutante dos cinemas é capaz de mover multidões, principalmente se a Marvel mantiver seu status de herói “sem universo”, permitindo que ele se ajuste ao novo mundo que surgirá.

A presença de Jackman não precisaria se apoiar apenas na nostalgia. A Marvel poderia adaptar a genial fase do Velho Logan, baseada na obra original de Mark Millar e Steve McNiven (2008), focando especificamente em sua fase pós-Guerras Secretas. Nos quadrinhos, escritos posteriormente por Jeff Lemire (em Old Man Logan Vol. 2), essa versão envelhecida de Logan é integrada ao universo principal (a Terra-616). No cinema, isso daria tempo para que a audiência criasse vínculo com os novos heróis, preparando o terreno para uma despedida definitiva do Velho Logan e abrindo as portas para um novo Wolverine assumir as garras de adamantium de forma nativa.

Um Novo Deus do Trovão sob a Sombra do Pai de Todos

Thor
Marvel Studios

Outro personagem que pode ser perfeitamente reformulado nessa Saga do Multiverso é o Thor de Chris Hemsworth. Assim que os Irmãos Russo limparem a bagunça cômica deixada pela direção recente, a Marvel finalmente poderá colocar o Deus do Trovão no panteão divino que ele merece.

Como um imortal, Thor pode continuar existindo por longos anos, mas seu papel pode mudar. Se antes Odin baniu o filho para que ele aprendesse a ser digno, agora o próprio Thor de Hemsworth poderia assumir o trono de Asgard e o manto do Pai de Todos. Dessa forma, ele enviaria seu martelo para a Terra sob a clássica premissa: “Àquele que empunhá-lo, se for digno, possuirá o poder de Thor”.

Isso permitiria um soft reboot brilhante, referenciando diretamente a estreia do herói em Journey into Mystery #83 (1962). Um novo ator poderia interpretar o médico Donald Blake, assumindo a ação na Terra, enquanto o Odinson de Hemsworth permaneceria vivo no imaginário dos fãs como o verdadeiro regente nos céus, assim como foi feito durante a aclamada fase de J. Michael Straczynski nos quadrinhos.

O Legado como Alicerce, não como Muleta

Homem de Ferro
Marvel Studios

Lendas não devem ser apagadas ou simplesmente substituídas, mas sim elevadas a posições de reverência. Suas presenças não devem desaparecer, mas sim inspirar a renovação. É perfeitamente possível introduzir novos atores no UCM sob os grandes mantos enquanto se respeita a importância dos originais.

Se a Marvel Studios quiser construir uma nova dinastia de personagens lucrativos e amados, ela jamais pode desrespeitar seu passado. A franquia precisa se conectar de forma íntima e estrutural, parando de expandir o universo com laços fracos e personagens que são facilmente ignorados pelo grande público. A verdadeira sobrevivência da Marvel após a nostalgia dependerá de usar o seu passado como um alicerce sólido para o futuro.

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