30% dos homens preferem jogar com personagens femininos, aponta estudo

Giovanna Camiotto

Um novo estudo sobre o universo dos gamers examinou qual é a preferência de escolha do avatar e o resultado demonstra uma curiosidade em relação ao público masculino: boa parte deles prefere personagens femininos.

Realizado pela Quantic Foundry (uma empresa de pesquisa de mercado gamer), o estudo contou com a amostra de mais de 500 mil jogadores de todo o mundo e suas preferências na seleção de personagens.

Além disso, conta com uma ampla variedade de gêneros, incluindo os MMOs e RPGs. As análises mostram que a maioria dos participantes preferem personagens que combinem com as suas próprias identidades de gênero.

No entanto, um fator curioso é que os jogadores masculinos parecem mais abertos a trocas de gêneros e adeptos aos personagens femininos do que o contrário: 29% destes revelaram a preferência por avatares mulheres e apenas 9% das jogadoras preferem avatares masculinos.

Outro ponto de relevância da pesquisa é que os indivíduos analisados mostraram uma forte taxa de preferência por personagens não-binários, ficando com 38% da preferência e a frente das escolhas femininas (33%) ou masculinas (10%).

Pesquisas anteriores sobre gamers

Apesar da descoberta, um estudo de 20 anos atrás sobre os jogadores de EverQuest revelou que o público masculino tinha entre quatro e seis vezes mais chances de escolher personagens femininos do que as próprias jogadoras.

Em 2005, um estudo de World of Warcraft (WoW) indicou, da mesma forma, que 55% dos avatares femininos eram controlados por jogadores homens. É de se questionar…

Apesar de uma teoria postular que os avatares femininos possuem uma vantagem tática nos jogos do que os masculinos (por serem vistas como mais fracas e menos habilidosas), há uma discussão sobre aspectos sociais muito válida a respeito.

Mas por quê?

Considerando que uma mulher é mais propensa a receber “prêmios” ou serem convidadas para grupos com facilidade, o fator de escolha pode obter uma raiz misógina por trás.

Ou seja, a hipótese de que jogadores homens estejam controlando corpos femininos pode ser uma maneira encontrada para que estes objetifiquem e desvalorizem os corpos das mulheres de “forma legalizada”.

Além disso, a explicação de escolha na pesquisa demonstra um machismo enraizado mundialmente, já que diversos jogadores forneceram respostas como “se eu tiver que ficar olhando para uma bunda o dia todo, prefiro que seja uma bunda feminina”.

A questão que fica, destacada com base na pesquisa, é por quê mulheres se recusam a interpretar personagens masculinos?

Seria uma recusa em sentir que replica um comportamento abusivo? Identificação social junto com necessidade de se impor em uma sociedade machista? Reflitamos!

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