Quando se fala em armadura nos animes, muita gente pensa logo em heróis como Batman ou Homem de Ferro. Mas em ‘Dragon Ball’, mesmo não sendo o foco principal, as armaduras sempre tiveram um papel importante — seja visualmente, narrativamente ou até comercialmente. Desde a primeira aparição de Vegeta com aquela armadura clássica cheia de ombreiras e saiote, ficou claro que aquele visual marcava uma era. Era imponente, agressivo e ajudava a consolidar o personagem como uma ameaça real.
Ao longo da série, as armaduras mudaram, evoluíram e até ganharam versões personalizadas, como a que Bulma criou para Vegeta na Saga Cell. E mesmo quando pareciam simples alterações — como a troca da alça da armadura após a luta contra Recoome — esses detalhes mostravam como o design em ‘Dragon Ball’ nunca é por acaso. As armaduras dos saiyajins eram elásticas o suficiente para suportar transformações em Oozaru, mas resistentes a ponto de quebrar sob ataques extremamente poderosos. Ou seja, havia função, lógica e impacto narrativo.

A lógica por trás das transformações e o peso do mercado
Existe um fator que não pode ser ignorado: ‘Dragon Ball’ é também um produto comercial extremamente forte. Cada nova transformação precisa ser visualmente marcante. Super Saiyajin Deus ficou vermelho. O Azul trouxe o cabelo azul vibrante. O Instinto Superior ganhou fios prateados. Nada disso é coincidência. Formas discretas demais não geram tanto impacto visual — e, consequentemente, não geram o mesmo apelo comercial.
Um exemplo claro disso é o Mafuba. Apesar de ser uma técnica extremamente poderosa, ela não altera a aparência do personagem. Isso dificulta a criação de produtos licenciados como bonecos ou skins de jogos. Já o Instinto Superior Presságio, que inicialmente tinha apenas uma aura diferente, evoluiu para uma transformação visualmente distinta justamente porque o mercado exige algo reconhecível. Em ‘Dragon Ball’, a estética muitas vezes anda lado a lado com a estratégia comercial.

A armadura biológica de Freeza e o simbolismo do design
Um detalhe curioso envolve o próprio Freeza. Em jogos como Xenoverse, foi apresentada a ideia de que ele possui uma armadura biológica natural da sua raça. Mesmo não sendo uma informação totalmente confirmada no cânone principal, ela faz sentido quando analisamos o design do personagem. Após perder a armadura tradicional na segunda forma, as partes brancas e roxas permanecem, inclusive nas versões Black Freeza e com tom amarelado diferente na Golden.
Isso mostra como o conceito de armadura vai além do equipamento físico. Em ‘Dragon Ball’, o design corporal também pode funcionar como proteção e identidade visual. E essa construção reforça como cada detalhe serve tanto à narrativa quanto ao impacto visual da franquia.

Goku vai precisar de armadura na Saga do Moro?
Na Saga do Moro, vimos até mesmo uma versão de Goku com a roupa da Patrulha Galáctica — ainda que ele praticamente não a tenha utilizado na história principal. Isso levanta uma questão interessante: Goku pode precisar de uma armadura no futuro? Narrativamente, talvez não. Ele sempre confiou em seu poder, resistência e evolução constante. Mas visualmente e comercialmente, a ideia não é absurda.
A Saga do Moro trouxe ameaças em escala universal e reforçou o padrão de “o guerreiro mais forte do universo”, algo que já virou até meme entre os fãs. Quanto mais poderosa a ameaça, mais impactante precisa ser a resposta — e isso pode envolver novas formas, novos visuais e, sim, até novas vestimentas. No entanto, produções mais recentes como ‘Dragon Ball Daima’ mostraram que é possível resgatar o espírito de aventura das origens sem depender apenas de transformações apelativas.
No fim das contas, seja com armadura ou não, ‘Dragon Ball’ sempre equilibra narrativa e mercado. As decisões visuais influenciam vendas, popularidade e até o rumo da história. Se o público tivesse escolhido outros protagonistas ao longo dos anos, talvez o destino da franquia fosse completamente diferente. A pergunta não é apenas se Goku vai precisar de armadura na Saga do Moro — mas sim qual será o próximo elemento visual forte o suficiente para marcar uma nova era na franquia.







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