Uma nova modalidade de crime cibernético, conhecida como Golpe do Silêncio ou “Silent Call Scam”, está utilizando a inteligência artificial para realizar a clonagem de voz de vítimas desavisadas. A fraude começa com uma simples ligação telefônica onde o criminoso permanece mudo, aguardando que a pessoa do outro lado da linha fale. Esse curto espaço de tempo é suficiente para que ferramentas tecnológicas capturem amostras de áudio que, posteriormente, serão usadas para simular a voz da vítima em pedidos de dinheiro falsos via WhatsApp.
De acordo com Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN, o diferencial desta ameaça é a facilidade de execução para os criminosos. Ao contrário de abordagens tradicionais que exigem persuasão e manipulação emocional imediata, o Golpe do Silêncio foca apenas na coleta de material bruto. O especialista afirma que uma tecnologia de clonagem de voz eficiente e de baixo custo já consegue criar imitações muito convincentes com poucos segundos de gravação.
O hábito comum de atender o celular dizendo “alô” tornou-se o gatilho perfeito para essa armadilha. Quando a vítima insiste no contato por curiosidade ou irritação, ela acaba fornecendo os 10 a 20 segundos de áudio necessários para que a inteligência artificial processe um modelo vocal preciso. Mesmo que a pessoa perceba o perigo e desligue, o material coletado pode ser combinado com vídeos e áudios das redes sociais para fortalecer a fraude contra familiares e amigos.
Após a fase de coleta e criação do clone digital, os golpistas iniciam a segunda etapa do crime. Eles entram em contato com pessoas próximas à vítima, geralmente pais, responsáveis ou idosos, simulando situações de extrema urgência. O uso de vozes familiares em histórias envolvendo acidentes, problemas com a polícia ou emergências financeiras cria uma pressão emocional que induz o alvo a realizar transferências de dinheiro imediatas sem checar a veracidade dos fatos.
Para combater o avanço do Golpe do Silêncio, especialistas recomendam a adoção de medidas preventivas rigorosas durante o uso do telefone. Uma das orientações principais é deixar o interlocutor falar primeiro ao atender uma chamada de número desconhecido. Se o silêncio persistir, a recomendação é encerrar a ligação imediatamente. Caso seja necessário falar, deve-se optar por frases neutras e sem entonação emocional, dificultando a criação de um modelo vocal expressivo pelos criminosos.
Outra estratégia eficaz sugerida por Warmenhoven é o estabelecimento de uma palavra-código ou frase secreta entre membros da família. Essa medida de segurança serve como um fator de autenticação para confirmar a identidade de quem está ligando em situações de suposta emergência. Se uma chamada parecer incomum ou urgente, solicitar a senha familiar pode interromper a ação do golpista e evitar prejuízos financeiros significativos.
A conscientização sobre a exposição em redes sociais também é fundamental, já que vídeos e áudios públicos servem como banco de dados para os criminosos. Além disso, é importante que, ao suspeitar de uma gravação indevida, a pessoa alerte seus contatos imediatos sobre a possibilidade de tentativas de fraude em seu nome. A verificação rápida por outros canais de comunicação, como retornar a ligação para o número salvo na agenda, permanece como a defesa mais sólida contra a clonagem de voz.
Abaixo, confira uma lista de diretrizes para evitar cair no Golpe do Silêncio:
- Deixe o chamador falar primeiro ao atender o telefone.
- Evite o uso excessivo de palavras ao perceber o silêncio do outro lado.
- Utilize respostas neutras como “Quem fala?” em vez do tradicional “alô”.
- Desligue imediatamente chamadas suspeitas que apresentem urgência incomum.
- Verifique pedidos de dinheiro entrando em contato direto com a pessoa por um meio seguro.
- Crie uma palavra-chave de segurança com seus familiares.
- Tenha cautela com a quantidade de áudio e vídeo pessoal postada em perfis públicos.
- Reporte números suspeitos às operadoras e autoridades competentes.
Ao seguir esses protocolos, usuários de smartphones e aplicativos como o WhatsApp podem reduzir drasticamente as chances de sucesso dos criminosos. A tecnologia de inteligência artificial trouxe avanços significativos, mas também abriu portas para que o Golpe do Silêncio se torne uma ferramenta perigosa de engenharia social. A prevenção e o ceticismo diante de chamadas silenciosas são, atualmente, as melhores armas para proteger dados pessoais e o patrimônio financeiro.





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