GTA Tokyo quase se tornou realidade, afirma dev

Vinicius Miranda

A franquia Grand Theft Auto esteve muito próxima de ganhar um jogo ambientado em Tóquio, no Japão, antes de a ideia ser descartada internamente. A revelação foi feita por Obbe Vermeij, ex-diretor técnico da Rockstar North, que confirmou que discussões avançadas aconteceram no passado para levar a série a um cenário fora da América do Norte. Segundo ele, o projeto chegou a “quase acontecer”, mas acabou sendo abandonado antes de sair do papel.

Ao longo de mais de 25 anos, GTA se consolidou como uma franquia fortemente associada aos Estados Unidos, com cidades fictícias inspiradas em locais reais como Liberty City (Nova York), San Andreas (Califórnia) e Vice City (Flórida). Desde a breve passagem por Londres, ainda nos anos 1990, a série nunca mais deixou a América do Norte, e hoje essa mudança é considerada cada vez mais improvável.

Em entrevista ao GamesHub, Vermeij explicou que a ideia de um GTA ambientado em Tóquio chegou a ser seriamente considerada. Segundo o desenvolvedor, o plano envolvia até mesmo a participação de um estúdio japonês, que utilizaria a tecnologia da Rockstar para criar o jogo. “Tivemos ideias de jogos de GTA no Rio de Janeiro, Moscou e Istambul. Tóquio quase realmente aconteceu. Outro estúdio no Japão iria fazer, pegar nosso código e fazer GTA: Tóquio. Mas no final isso não aconteceu”, afirmou.

GTA III – Divulgação / Rockstar Games

O ex-diretor técnico trabalhou diretamente em títulos importantes da franquia, como ‘GTA III’, ‘GTA: Vice City’ e ‘GTA: San Andreas’, o que dá peso às informações reveladas. De acordo com ele, a ambição de levar Grand Theft Auto para outros continentes existiu por um período considerável, mas foi deixada de lado à medida que a franquia cresceu em escala e orçamento.

Com o lançamento de ‘GTA V’ e a expectativa gigantesca em torno de ‘GTA VI’, Vermeij acredita que o momento para uma mudança radical de cenário já passou. Para ele, projetos que movimentam bilhões de dólares tendem a apostar em fórmulas e ambientações que o público global já reconhece facilmente. “As pessoas adoram ter ideias malucas, mas quando há bilhões de dólares em jogo, é muito fácil dizer: vamos fazer o que já conhecemos”, explicou.

Segundo Vermeij, a escolha dos Estados Unidos como palco principal também se deve ao fato de o país ser visto como o epicentro da cultura ocidental. Mesmo jogadores que nunca visitaram cidades americanas conseguem formar uma imagem mental clara desses locais, o que facilita a conexão com o mundo do jogo. “Todo mundo conhece essas cidades, mesmo quem nunca esteve lá”, destacou.

O ex-desenvolvedor também descartou a possibilidade de cenários considerados menos óbvios no futuro da franquia. Para ele, a expansão para lugares como Bogotá ou Toronto não funcionaria dentro da lógica atual da série. “Não faz sentido ambientar o jogo em um local totalmente fora do padrão só pela novidade”, afirmou, citando que o risco e o custo não compensariam.

Além disso, Vermeij comentou sobre a expectativa de alguns fãs de que o mapa de ‘GTA VI’ possa se expandir para regiões do Caribe ou até para a Colômbia. Embora admita que pessoalmente gostaria de ver essa abordagem, ele acredita que a Rockstar dificilmente seguirá esse caminho. “Eu adoraria isso. Acho que o tráfico de drogas combina bem. Eu tentei empurrar essa ideia nos jogos antigos, mas nunca aconteceu”, disse.

Apesar do interesse pessoal, Vermeij reforçou que esse tipo de expansão exigiria um esforço adicional significativo por parte da equipe, sem um retorno proporcional. Para ele, a decisão final da Rockstar tende a priorizar foco, escala e coerência, em vez de apostar em múltiplas localizações complexas.

No fim das contas, a revelação confirma que GTA: Tóquio esteve muito mais perto de existir do que muitos imaginavam, mas também evidencia como o crescimento da franquia acabou limitando suas possibilidades de explorar novos territórios fora dos Estados Unidos.

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