Hayao Miyazaki revela quem é o Sem Rosto em ‘A Viagem de Chihiro’

Andre Luiz

O cineasta Hayao Miyazaki, cofundador do Studio Ghibli, finalmente explicou um dos maiores enigmas de A Viagem de Chihiro: quem é o Sem Rosto (Kaonashi). As declarações foram divulgadas após a exibição do longa no programa japonês Friday Road Show, da Nippon Television, que publicou comentários inéditos do diretor nas redes sociais.

Ao ser questionado sobre o personagem no X/Twitter, Miyazaki afirmou que o Sem Rosto representa pessoas que buscam se apegar aos outros sem ter uma identidade própria. Segundo o diretor, trata-se de indivíduos que tentam conquistar atenção por meio de recompensas materiais:

Miyazaki também destacou que esse comportamento não é raro, afirmando que “há muitas pessoas como Kaonashi por aí”.

A função narrativa de Sem Rosto no filme

Lançado em 2001, A Viagem de Chihiro chegou aos cinemas quatro anos após Princesa Mononoke (1997) e apresentou um universo onde deuses e espíritos japoneses convivem com humanos. A história acompanha Chihiro, uma menina de 10 anos que entra em um mundo espiritual após seus pais serem transformados em porcos pela bruxa Yubaba.

Sem Rosto surge inicialmente como uma presença silenciosa e observadora. Com o tempo, passa a atrair os funcionários da casa de banhos oferecendo ouro, ganhando atenção e poder. À medida que é aceito por interesse, o personagem cresce de forma descontrolada, até perder o controle emocional quando não consegue conquistar Chihiro da mesma maneira.

Identidade, vazio e transformação

De acordo com Miyazaki, a falta de identidade própria de Sem Rosto é central para sua trajetória. Incapaz de criar vínculos reais, ele recorre a relações superficiais, o que o leva ao colapso. A mudança ocorre apenas quando encontra acolhimento genuíno com Zeniba, que lhe oferece reconhecimento e propósito.

O legado de A Viagem de Chihiro

Com cerca de US$ 396 milhões em bilheteria mundial, A Viagem de Chihiro permanece como o maior sucesso comercial da história do Studio Ghibli. Em junho de 2025, o filme também entrou para o ranking dos “100 Melhores Filmes do Último Século” do New York Times, consolidando ainda mais sua relevância cultural.

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