Muitos podem não gostar do Snyderverse criado por Zack Snyder, seja pelo tom mais sombrio e melancólico ou pela sensação de falta de coesão entre suas histórias.
Mas há um consenso quase absoluto entre os fãs mais dedicados da DC Comics: Henry Cavill é, para muitos, uma das — senão a — melhores interpretações do Superman já vistas no cinema.
Embora sua versão de Clark Kent não seja tão marcante quanto poderia, o Superman imponente de Cavill permanece vivo na memória dos fãs. Se James Gunn tivesse decidido mantê-lo no novo DCU, é possível que o impacto positivo de “Superman” (2025) fosse ainda maior.
Infelizmente, Cavill enfrentou roteiros, no mínimo, questionáveis — textos que lhe negaram a oportunidade de viver o Superman esperançoso, luminoso e inspirador que muitos desejavam. O ator teve de interpretar um herói consumido pelo peso, luto e desânimo diante da própria humanidade.
SNYDERVERSE

Versões mais sombrias de super-heróis tornaram-se comuns durante a Era de Bronze dos quadrinhos, nos anos 80.
E o Superman de Snyder seguiu esse caminho, adotando um tom pessimista, marcado pela paranoia e por um conflito indireto que culminaria em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (2016).
Snyder sempre demonstrou apreço por narrativas densas, como “Watchmen” (2009), “300” (2006) e “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (1986).
No entanto, em meio a tanta grandiosidade visual e dramatização quase bíblica, seu universo acabou carecendo de cor, bondade e, acima de tudo, esperança.
Levar o público diretamente para tramas sombrias e versões alternativas, como “Injustice” (2013), poderia ter funcionado melhor se antes tivéssemos visto esses heróis em suas versões mais clássicas e heroicas.
Para leitores de quadrinhos e jogadores acostumados a múltiplas interpretações, a proposta fazia sentido. Mas para o público geral, o impacto inicial pode ter sido brusco demais.
Snyder trabalha tudo em escala monumental — e funciona, até certo ponto. Mas faltou explorar o elemento humano, especialmente no Superman, um herói cuja essência sempre foi iluminar o mundo ao seu redor. Talvez, com mais tempo e menos pressão dos estúdios, o Snyderverse tivesse tido uma trajetória diferente.
Ainda assim, muitos acreditam que o melhor cenário seria permitir que Snyder finalizasse sua visão, nem que fosse em uma animação.
Os fãs que lutaram por esse universo merecem ver o encerramento da história que acompanharam por tantos anos.
HENRY CAVILL NO DCU

Até o último instante, os fãs acreditaram que Henry Cavill poderia retornar em “Superman” (2025).
A teoria mais popular era a de que ele interpretaria Ultraman, o clone maligno criado por Lex Luthor. Embora essa decisão pudesse soar desrespeitosa para alguns, seria ao menos uma despedida digna para o ator que representou o último filho de Krypton durante uma década.
Após o fim do Snyderverse, Cavill ainda precisou lidar com a falsa expectativa criada por Dwayne Johnson, que tentou construir um universo onde “Adão Negro” (2022) enfrentaria o Superman. O plano, porém, se desfez rapidamente.
Mas, se James Gunn quiser surpreender o público — e aproveitar a atual onda de nostalgia que fortalece até mesmo a Marvel — a melhor jogada seria permitir que Cavill interpretasse a melhor versão de si mesmo como Superman.
Um herói maduro, experiente, poderoso e novamente esperançoso seria suficiente para fazer o cinema explodir em aplausos.

A alternativa mais elegante seria introduzir Cavill como o Superman da Terra 2 (Kal-L) — uma versão clássica, com presença ocasional sempre que o DCU precisasse lidar com o Multiverso. Apenas o anúncio do personagem já seria uma jogada de mestre.
O Superman de David Corenswet continuaria como protagonista principal, enquanto o Superman de Cavill assumiria o papel emocional que os fãs desejam revisitar.
A DC sempre foi rica em variações, realidades paralelas e versões alternativas de seus heróis, e o público moderno está mais do que acostumado a isso desde “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021).
Assim, Gunn não correria risco algum — e ainda presenteava os fãs (e o próprio Cavill) com uma interpretação verdadeiramente lendária.
Uma única imagem “vazada” seria suficiente para movimentar redes sociais, fóruns e veículos de entretenimento por anos. E o marketing orgânico faria, sozinho, o que milhões em publicidade jamais alcançariam.





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