IA está impactando a indústria de games, segundo mais da metade dos devs

Andre Luiz

A IA generativa voltou ao centro do debate na indústria de games, desta vez com dados que indicam um aumento significativo da insatisfação entre profissionais do setor. O levantamento State of the Game Industry 2026, divulgado durante a Game Developers Conference (GDC), aponta que mais da metade dos desenvolvedores acredita que a tecnologia está causando impactos negativos no mercado.

De acordo com o estudo, 52% dos entrevistados afirmaram que a IA generativa prejudica diretamente a indústria de jogos, um salto expressivo em comparação aos anos anteriores: 30% em 2025 e 18% em 2024. Apesar disso, 36% dos profissionais dizem utilizar ferramentas de IA no dia a dia, o que demonstra uma relação contraditória entre uso prático e percepção de impacto.

Uso varia entre estúdios e publishers

O relatório também destaca diferenças relevantes entre áreas do mercado. Apenas 30% dos desenvolvedores de estúdios utilizam IA generativa, enquanto entre publishers esse número sobe para 58%. Entre os que adotam a tecnologia, 81% a utilizam para pesquisa, brainstorming e tarefas administrativas, como redação de e-mails. Outros 47% recorrem à IA para auxílio em programação, e 35% para prototipagem.

Baixa percepção de benefícios para o setor

Mesmo com a adoção crescente, apenas 7% dos participantes acreditam que a IA generativa trouxe efeitos positivos para a indústria de games, número inferior aos 13% registrados no ano anterior. A rejeição é mais forte entre artistas visuais e técnicos (64%), designers narrativos e de gameplay (63%) e programadores (59%).

Um consultor de design de jogos, baseado nos Estados Unidos e que preferiu não se identificar, comentou de forma irônica sobre o tema:

“Nossa regra permanente é: se um de nós sugerir usar IA generativa em qualquer parte do trabalho, é seguro assumir que fomos assimilados por O Enigma de Outro Mundo e devemos ser queimados vivos por Kurt Russell.”

Estúdios defendem uso controlado da tecnologia

Apesar das críticas, algumas empresas seguem apostando na IA generativa. Em dezembro de 2025, Swen Vincke, fundador da Larian Studios e diretor de Baldur’s Gate 3, respondeu às reações negativas nas redes sociais:

“Eu não disse que usamos IA para desenvolver artes conceituais… Usamos ferramentas de IA para explorar referências… Nas fases iniciais de ideação, usamos como um esboço bruto de composição, que depois é substituído por arte conceitual original. Não há comparação.”

Na mesma época, o CEO da CD Projekt Red, Michal Nowakowski, também comentou o tema ao ser questionado sobre possíveis cortes de pessoal:

“Nosso uso de IA está principalmente ligado à produtividade… Os benefícios são reais e significativos, mas não é uma situação em que a IA possa sentar e fazer jogos. Ela não vai criar The Witcher 5 ou 6.”

Debate segue aberto na indústria de games

Os números da GDC 2026 reforçam que a IA generativa continua sendo um tema sensível, especialmente entre profissionais criativos. Enquanto empresas buscam eficiência e otimização de processos, a resistência interna cresce, indicando que o futuro da tecnologia nos jogos ainda será marcado por discussões intensas e ajustes estratégicos.

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