James Cameron detona Netflix e diz que filmes não deveriam ir ao Oscar

Cheyna Corrêa

James Cameron detona Netflix e diz que filmes não deveriam ir ao Oscar
Foto: Angela George [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

O lendário diretor James Cameron, a mente brilhante por trás de sucessos colossais como Titanic e Avatar, voltou a causar polêmica em Hollywood. Desta vez, o cineasta decidiu defender com unhas e dentes a experiência tradicional das salas de cinema e mirou sua artilharia pesada contra a Netflix. Em uma entrevista recente, ele criticou duramente as estratégias que a plataforma de streaming utiliza para conseguir colocar seus filmes na disputa pelo Oscar.

Durante sua participação no podcast The Town, apresentado por Matthew Belloni, Cameron não poupou palavras. Ele classificou uma possível compra da Warner Bros. pela Netflix como um completo “desastre” para a indústria. No entanto, o ponto mais quente da conversa foi sobre a “manobra” que os serviços de streaming fazem, lançando filmes nos cinemas apenas pelo tempo mínimo exigido pela Academia, visando apenas a elegibilidade para a premiação.

A polêmica regra do Oscar

Atualmente, para que um filme possa concorrer à estatueta dourada, as regras da Academia exigem uma exibição comercial por apenas sete dias consecutivos, com três sessões diárias. Para Cameron, cumprir apenas essa tabela burocrática desvaloriza o prêmio. “Colocamos o filme por uma semana, colocamos por 10 dias; assim qualificamos para o Oscar. Eu acho que isso é podre na essência”, disparou o diretor.

Para ele, o Oscar perde totalmente o sentido se não celebrar a experiência coletiva e imersiva que apenas as salas de exibição proporcionam. “O Oscar, para mim, não significa nada se não significar cinema”, completou, deixando claro seu descontentamento com produções como O Irlandês ou o futuro Frankenstein, de Guillermo del Toro, que seguem esse modelo de lançamento limitado.

Uma solução radical

Mas James Cameron não ficou apenas na reclamação e propôs uma solução prática e bastante ousada. Segundo ele, para que um filme de streaming possa competir de igual para igual com as produções tradicionais, ele deveria ter um lançamento significativo. A proposta do diretor é que essas produções sejam exibidas em, no mínimo, 2.000 salas de cinema por um período de um mês inteiro.

Essa declaração coloca lenha na fogueira em um debate que já divide Hollywood há anos: a guerra entre o streaming e o cinema tradicional. Enquanto a discussão esquenta, Cameron se prepara para provar seu ponto na prática. Seu próximo grande projeto, Avatar: Fogo e Cinzas, tem estreia marcada exclusivamente para os cinemas no dia 18 de dezembro, prometendo levar multidões de volta às poltronas.

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