O Guia de Sobrevivência de James Cameron: Como o diretor escaparia do Titanic

William Prado

Quase 30 anos depois, a discussão continua a mesma: havia espaço naquela porta para o Jack? James Cameron passou décadas defendendo a morte do personagem com ciência, testes de hipotermia e roteiro. Mas agora, o diretor de Avatar decidiu entrar na brincadeira de um ângulo diferente.

Em uma entrevista recente ao THR, perguntaram a Cameron o que ele faria se fosse um passageiro de segunda classe, sozinho, no momento em que o iceberg atingiu o navio. E, claro, o homem que desceu à Fossa das Marianas já tinha um plano tático pronto.

A Teoria do “Viajante do Tempo”

Cameron revelou que gosta de jogar cenários de “E se?” com seus especialistas em Titanic. O cenário favorito dele é o do “Viajante do Tempo”: imagine que você volta para ver o naufrágio, sua máquina do tempo quebra e você pensa: “Droga, estou preso aqui e preciso sair vivo”.

Esqueça plantas secretas do navio ou esconderijos. A estratégia de Cameron é puramente psicológica e conta com a pressão social.

O Plano “Bote 4”

A tática do diretor não envolve brigar por um lugar no convés em meio ao pânico. A lógica dele é a seguinte:

  1. Evite a multidão: A maioria das pessoas no convés estava em negação ou em pânico total. Lutar por um lugar ali era suicídio.
  2. O Salto Calculado: Cameron esperaria um bote ser descido até a água. Assim que o bote se soltasse do navio, ele pularia na água gelada, bem ao lado do barco.
  3. A Cartada da Culpa: “Eles vão deixar você se afogar ali, com o Titanic ainda inteiro e todo mundo olhando? Não”, explicou Cameron. Segundo ele, a pressão moral faria com que os ocupantes do bote o puxassem para dentro. Ele até especificou que o “Bote número 4” seria o ideal para essa manobra.

A Falha na Matrix (e na Lógica)

Embora o plano pareça sólido no papel, ele depende de algo que o próprio filme de Cameron mostrou ser escasso naquela noite: compaixão humana.

A ironia não passa despercebida. Estamos falando do mesmo diretor que filmou pessoas se pisoteando e subornando oficiais para fugir. Confiar que a elite nos botes salvaria alguém na água “por vergonha” é uma aposta arriscada.

E, claro, isso traz a velha ferida de volta: se Cameron acredita que estranhos num bote salvariam um homem na água, por que a Rose (que o amava) não fez um esforço extra para puxar o Jack para cima da porta? Pelo visto, a lógica de sobrevivência do diretor funciona melhor para ele do que para seus protagonistas.

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