Existem detalhes escondidos em ‘Jujutsu Kaisen’ que provam que nada ali é por acaso. O Jogo do Abate não surgiu do nada, ele vem sendo construído desde o primeiro episódio, com símbolos, metáforas e um subtexto assustador. E o mais chocante de tudo? O próprio Sukuna carrega um significado muito mais perturbador do que parece à primeira vista.
O anime está entrando na fase mais cruel de sua narrativa, entretanto… quem acompanha com atenção percebe que essa tragédia estava anunciada há muito tempo. O que parecia apenas estiloso ou abstrato se revela como uma das construções simbólicas mais geniais dos shonens modernos.
Shimetsu Kaiyuu: o verdadeiro significado do Jogo do Abate
O nome “Jogo do Abate” já é brutal por si só, mas em japonês ele carrega um peso ainda maior. “Shimetsu Kaiyuu” pode ser traduzido como “aniquilação da migração” ou “extinção à migração”, enquanto os participantes são chamados oficialmente de “nadadores”. Isso muda tudo. Não é apenas um jogo mortal, é um processo de extinção anunciado.
Esse termo é usado quando cardumes migram para ambientes hostis, onde simplesmente não conseguem sobreviver. Eles nadam, insistem, seguem adiante… até morrerem em massa. O paralelo é direto: os feiticeiros estão sendo empurrados para um ambiente onde não existe chance real de vitória, apenas sobrevivência temporária.
O Jogo do Abate não é sobre quem vence, é sobre quem demora mais para morrer. Desde o nome, a obra deixa claro que todos ali já estão condenados, mas em estágios diferentes do abate.

A água sempre esteve lá: o foreshadowing desde a primeira temporada
Se você voltar para o início de ‘Jujutsu Kaisen’, vai perceber que a temática da água sempre esteve presente. Na primeira abertura, Itadori aparece exausto dentro de um trem que começa a ser inundado. Não é só estética. É um afogamento simbólico.
Na mesma abertura, Junpei surge associado a uma água-viva, enquanto o peixe que se aproxima de Itadori é um peixe anjo-imperador. No caso, esse detalhe parece aleatório, mas biologicamente esse peixe se alimenta de invertebrados, incluindo águas-vivas. A metáfora é cruel: Junpei morre como consequência indireta da presença de Itadori e do Sukuna, exatamente como o peixe se alimenta da água-viva.
No encerramento da segunda temporada, Gojo e Geto aparecem como peixes beta, um branco e um preto, representando o Yin-Yang. Em um momento específico, uma gota cai, um clarão roxo surge, e um dos peixes escurece. É o instante simbólico da queda de Geto após o evento envolvendo Toji. A água não é cenário, é narrativa.

Migração para a extinção: feiticeiros como peixes em um oceano hostil
Quando juntamos todas essas pistas, fica claro que o anime vem construindo o conceito do Migração à Extinção desde o começo. Os feiticeiros são peixes migrando para um oceano que não foi feito para eles. Um ambiente onde as regras da sobrevivência foram distorcidas.
No Jogo do Abate, cada jogador é um nadador isolado, longe de qualquer cardume, tentando sobreviver em águas dominadas por predadores. Não existe abrigo, não existe rota segura. Apenas o avanço inevitável rumo à extinção humana.
O melhor é que isso não é dito em diálogos expositivos. Pelo contrário! É mostrado visualmente e simbolicamente, repetidas vezes, até que o conceito se solidifica de forma quase inconsciente no espectador.
Sukuna, o cozinheiro canibal, e o verdadeiro horror da obra
Chegamos ao detalhe mais insano de todos: as habilidades do Sukuna. Suas técnicas são literalmente conceitos de cozinha. Clivar e Desmantelar funcionam como facas que cortam e separam. O fogo entra depois, como uma forma de cozinhar o alvo.
Não é coincidência que ele só use a “fornalha” após a expansão de domínio. Primeiro ele corta. Depois ele frita. Exatamente como um preparo culinário. O detalhe que muda tudo? Sukuna é um canibal. Como ressaltado no epílogo de ‘Jujutsu Kaisen’ em que, ao encontrar Uraume, Sukuna pergunta se ele sabe preparar humanos. Ele chama de “uma iguaria”!
De repente, tudo se encaixa. Os jogadores não estão apenas migrando para um ambiente hostil. Eles estão migrando diretamente para o predador. Não para a boca de um tubarão, mas sim… para a faca de um cozinheiro canibal. O Jogo do Abate é um cardápio, e Sukuna é quem escolhe o prato.
Esse nível de simbolismo mostra por que ‘Jujutsu Kaisen’ não é apenas um anime de lutas. É uma obra que fala sobre culpa, destino e o horror inevitável de seguir em frente quando o fim já parece ter sido decidido. E quanto mais você percebe esses detalhes, mais aterrador tudo se torna.






Seja o primeiro a comentar