A nova temporada do live-action de ‘One Piece’ na Netflix chegou cercada de expectativas e, como era de se esperar, trouxe várias mudanças em relação ao anime e ao mangá criado por Eiichiro Oda. Algumas dessas mudanças funcionam muito bem, enquanto outras acabam dividindo opiniões entre os fãs. Um dos casos mais curiosos envolve justamente Laboon, a baleia mais famosa da obra.
No anime e no mangá, Laboon não é apenas uma baleia gigante — ela é literalmente uma “baleia-ilha”. Essa espécie única é tão colossal que permite construções dentro do próprio corpo. O médico do antigo Rei dos Piratas, Crocus, chegou a construir estruturas completas dentro dela, criando algo quase surreal: túneis, estruturas metálicas e até um espaço que funciona como se fosse uma pequena ilha no interior da criatura.
A Laboon do anime era praticamente uma ilha viva
No material original de ‘One Piece’, o interior de Laboon é uma das coisas mais bizarras e criativas da obra. Dentro do estômago da baleia existe um navio de metal funcionando como se fosse uma ilha, algo que lembra até a famosa casa do Mestre Kame em ‘Dragon Ball’.
Além disso, Crocus, aparentemente, pintou o interior da baleia com uma tinta especial que simula a luz do sol, criando a sensação de que existe um pequeno mundo dentro do animal. É um conceito completamente absurdo — no melhor sentido possível — e acabou se tornando um dos elementos mais icônicos de toda a saga inicial de ‘One Piece’.
No live-action, porém, essa ideia foi simplificada. Laboon continua sendo enorme e carismática, mas seu interior é bem mais “normal”, sem aquele mini-ecossistema maluco que existia no mangá e no anime.

Mudanças no roteiro criaram algumas cenas estranhas
A alteração no cenário também mudou a forma como alguns personagens aparecem na história. No live-action, a entrada de Mr. 9 e Nefertari Vivi (ainda como Miss Wednesday) acontece dentro de Laboon, mas a execução da cena acabou gerando momentos um pouco estranhos.
Em determinado ponto, Sanji e Usopp encontram um cadáver. Só que, minutos depois, Mr. 9 aparece levantando exatamente daquele lugar, como se estivesse fingindo ser o corpo o tempo todo. O problema é que a própria cena mostra que ele claramente não estava ali antes, o que quebra um pouco a lógica interna da situação.
Algo parecido acontece com a luta entre Nami e Miss Wednesday. A batalha começa poucos segundos depois de Roronoa Zoro sair do local, mas curiosamente ele não escuta os gritos nem o barulho da luta, mesmo estando a poucos metros dali.

A fuga da Baroque Works também ficou estranha
Outro momento que gerou críticas foi a fuga da dupla da Baroque Works. Na série, eles simplesmente pulam no mar e nadam até Whiskey Peak, enquanto o navio dos Chapéus de Palha segue viagem. A ideia em si não seria um problema — adaptações sempre mudam coisas.
O problema é que a cena mostra claramente os personagens pulando do barco bem ao lado da tripulação, como se fosse impossível perceber duas pessoas nadando no mar. Pior ainda: a narrativa sugere que eles conseguem nadar mais rápido que o próprio navio, o que quebra um pouco a suspensão de descrença.
O live-action compensou com uma mudança interessante
Apesar dessas mudanças questionáveis, a série também trouxe uma adaptação interessante envolvendo a história de Laboon. No live-action, já vemos referências diretas a Brook e à música “Binks no Sake”, conectando emocionalmente a história da baleia com o passado da tripulação de piratas que a deixou esperando.
Isso é curioso porque, no mangá, Brook só aparece quase 400 capítulos depois, sendo praticamente um retcon dentro da narrativa. A série antecipou essa conexão para amarrar melhor a história desde o começo, algo parecido com o que aconteceu com personagens como Sabo e Bartolomeo ao longo da obra.
Ou seja, mesmo removendo um dos elementos mais icônicos da Laboon original, o live-action conseguiu criar uma nova camada emocional para a história, mostrando que adaptar ‘One Piece’ para outro formato é sempre um equilíbrio delicado entre fidelidade e reinvenção.






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