Maki Zen’in destrói o clã Zen’in em ‘Jujutsu Kaisen’! Análise completa!

Luiz Gustavo Gonçalves

No novo episódio, Maki Zen’in destrói o clã Zen’in em Jujutsu Kaisen e deixa ainda mais evidente que esse não é só um arco de lutas, mas um arco sobre opressão, abuso familiar, tradição doentia e ruptura definitiva.

Tudo aqui é pensado para amplificar tensão, simbolismo e impacto emocional. Desde pequenos detalhes de cenário até mudanças sutis de enquadramento, o anime deixa claro que a história da Maki não é sobre vingança vazia, é sobre sobrevivência e libertação.

O domínio psicológico do clã Zen’in

O primeiro encontro da Maki com o Naoya já deixa isso escancarado. No mangá a cena é tensa, mas no anime ela ganha uma camada extra quando o Naoya apoia o pé em cima do piano enquanto fala com ela. É um detalhe pequeno, quase invisível, mas que comunica domínio, arrogância e desprezo de forma imediata. Ele não precisa levantar a voz. Ele já se acha acima de tudo.

Esse mesmo cuidado aparece na conversa com o irmão do Toji. Onde antes era só uma sala comum, agora o anime transforma o ambiente em um verdadeiro palácio japonês, cheio de ornamentos. A mensagem é direta: o clã Zen’in se enxerga como nobreza absoluta dentro do mundo do jujutsu. Isso não é só poder físico, é poder simbólico, político e social esmagando qualquer um que esteja abaixo.

Por que o clã decidiu matar a Maki

A decisão de executar a Maki não tem nada a ver com justiça ou tradição. É pura conveniência política. Com o Gojo selado e declarado cúmplice do Incidente de Shibuya, a Central do Jujutsu — aquela velharada que controla tudo — aproveitou para passar uma lei absurda: qualquer um que tentar libertar o Gojo será preso ou executado.

E aí o clã Zen’in viu a oportunidade perfeita. Maki e Megumi fazem parte do grupo que quer libertar o Gojo. Se eles eliminam os dois, agradam a Central, ganham prestígio e ainda retiram o Megumi da linha de sucessão, já que ele não compactua com os interesses podres do clã. Para o Ogi, pai da Maki, isso é ainda mais importante. Mostrar que ele é capaz de matar a própria filha seria a prova máxima de lealdade ao sistema.

Maki indo enfrentar Ogi
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

Maki vs Ogi e a Espinha de Dragão

A luta entre Maki e Ogi dura poucos segundos, mas é cirúrgica em direção e simbolismo. A espada que a Maki usa é a Espinha de Dragão, uma obra-prima criada por Juzou Kamiya, um artesão macabro ligado ao Kenjaku. Diferente de armas cheias de habilidades mirabolantes, ela funciona como um propulsor, acumulando energia e liberando tudo de uma vez, transformando o golpe em um ataque quase explosivo.

O anime ainda eleva isso colocando a câmera como se fosse uma GoPro na espada, fazendo o espectador sentir o impacto junto com a Maki. O plano era simples: fingir um ataque direto e ativar o “turbo” no meio do movimento. Mas o Ogi estava preparado. Usando a técnica das Flores Caídas, uma barreira anti-expansão adaptada para combate com espada, ele consegue segurar o golpe, mesmo quebrando a arma. Ele vence não na força, mas na malandragem, enganando a Maki ao recriar a lâmina com energia amaldiçoada no último segundo.

Maki brigando com Ogi
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

O salão das maldições e o horror silencioso

Um detalhe ainda mais perturbador está no salão onde o Ogi joga as próprias filhas. No mangá, as maldições repetem frases infantis como pedidos de ingresso ou chamadas para os pais. Isso revela algo monstruoso: aquele lugar é alimentado pelo sofrimento de crianças, disciplinadas à força pelo clã ao longo dos anos.

Essas maldições não surgiram do nada. Elas nasceram do medo, do abandono e da violência sistemática. É o tipo de detalhe que passa rápido, mas quando você percebe, o arco inteiro ganha uma camada de horror psicológico muito mais pesada.

Maldições cercando Maki
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

A Restrição Celestial e o sacrifício da Mai

Maki e Mai são gêmeas ligadas por algo raríssimo no mundo do jujutsu. Para o sistema, elas são uma única pessoa. Isso fez com que ambas nascessem limitadas. A Mai só conseguia criar objetos simples, enquanto a Maki tinha força física absurda, mas nunca alcançava seu verdadeiro potencial. A existência de uma travava a outra.

Tudo muda quando a Mai decide levar consigo o último resquício de energia amaldiçoada da Maki. Isso ativa a Restrição Celestial completa, igual à do Toji. A cena da praia, com o junco e os gansos migratórios, simboliza esse ponto sem retorno. A Mai deixa o alimento para trás e segue adiante, libertando a Maki de vez.

Maki chorando pela Mai
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

A espada que corta a alma e a herança do Toji

Com esse sacrifício, nasce a nova espada da Maki, uma réplica da lâmina que corta a alma, a mesma usada pelo Toji. Essa arma ignora qualquer resistência física porque atinge diretamente a essência do alvo. Por isso ela é avaliada em 500 milhões de ienes e por isso a Maki passa a atravessar inimigos como se fossem manteiga.

O anime ainda adiciona um detalhe genial: um efeito de glitch na espada, como se o sistema do jujutsu tivesse sido desbugado. A Mai literalmente quebrou as regras. A espada não é só uma arma, é a representação física do vínculo final entre as duas irmãs.

Maki vista como Toji
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

Maki destrói o clã Zen’in

A partir daí, não é mais luta. É execução. A Maki elimina o próprio pai, extermina a unidade Kukuru em um banho de sangue digno de ‘Kill Bill’ e depois passa pelos Hei, a elite do clã. Mesmo com habilidades interessantes, eles não duram nada. A diferença de nível é absurda.

Cada cena reforça que aquilo não é vingança cega. É o colapso de um sistema inteiro. O clã Zen’in cai não porque a Maki ficou mais forte, mas porque ele já estava podre há gerações.

Maki após o massacre
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

O delírio do Naoya e a técnica dos 24 quadros

O confronto com o Naoya fecha tudo com chave de ouro. Ele se ilude achando que está no nível do Toji e do Gojo. Sua técnica de projeção exige que o alvo se mova em 24 quadros por segundo, ou fica paralisado. Para ele, um segundo é uma eternidade.

Só que agora a Maki enxerga tudo. Quando ela fica parada, não é paralisia. Ela já leu o padrão inteiro. Assim como o Toji, ela entende o campo de batalha antes do golpe final. A finalização, com referência direta ao X-Ray de Mortal Kombat, é brutal e simbólica.

Maki socando Naoya
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

O encontro final entre mãe e filha

O momento mais pesado não é uma luta, é o encontro da Maki com a mãe. A Maki ainda busca algum traço de humanidade, alguma chance de redenção. Mas o que encontra é medo e frieza. Mesmo sendo vítima do clã, a mãe foi completamente corrompida pela mentalidade Zen’in.

Antes de morrer, ela crava uma faca nas costas do Naoya, cumprindo ironicamente a frase misógina que ele mesmo dizia. No último instante, ela lembra de quando foi feliz com as filhas, antes de tudo apodrecer. Esse episódio não é só ação. É tragédia, catarse e libertação. Sem exagero, um dos pontos mais altos de ‘Jujutsu Kaisen’ até agora.

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