Com ventos que chegaram a 300 km/h, o Furacão Melissa se tornou o mais poderoso registrado nos últimos 200 anos na Jamaica. Classificado como um fenômeno de Categoria 5, o Melissa foi chamado de “Tempestade do Século” pela Organização Meteorológica Mundial, e causou destruição em larga escala no Caribe.
O impacto devastador na Jamaica
Na tarde da última terça-feira, o Melissa atingiu o solo jamaicano com ventos de até 295 km/h e ondas de 4 metros. O país, acostumado a tempestades tropicais, nunca havia enfrentado algo dessa magnitude.
Casas foram destruídas, ruas ficaram alagadas e mais de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas direta ou indiretamente. O governo da Jamaica confirmou oito mortes, enquanto no Haiti o número de vítimas subiu para 40, em consequência dos alagamentos.
O Ministério da Educação da Jamaica relatou que 77% do país está sem energia elétrica, e a infraestrutura segue em colapso. Equipes de resgate dos Estados Unidos, Nações Unidas e Reino Unido já foram enviadas para auxiliar nas operações e na reconstrução.
Por que o Melissa foi tão forte?
O Melissa foi resultado de uma combinação de fatores climáticos extremos. O primeiro é o El Niña, fenômeno natural que altera os ventos e reduz o “cisalhamento”, processo que normalmente impede o crescimento de ciclones. Com o El Niña em ação, o ciclone conseguiu se desenvolver sem barreiras.
O segundo fator foi o aquecimento anormal das águas do Atlântico, que chegaram a ficar até 5°C acima da média na região do Caribe. Segundo o meteorologista César Soares (Climatempo), “os ciclones tropicais se alimentam exatamente desse calor”. Essa combinação transformou o Melissa em uma tempestade monstruosa.
Há risco de furacões assim no Brasil?
Os especialistas afirmam que a chance é mínima. O Atlântico Sul possui um forte cisalhamento e águas mais frias, o que impede a formação de furacões de grande escala. O único registro parecido no Brasil foi o Catarina, em 2004, que atingiu o Sul do país com ventos de até 180 km/h.
Mesmo assim, o aumento da temperatura dos oceanos preocupa meteorologistas do mundo todo. A professora Hannah Cloke, da Universidade de Reading, alertou que “o aquecimento global está impactando diretamente a força dessas tempestades”. A previsão é de que o número de furacões extremos aumente nas próximas décadas.
A temporada de furacões de 2025 já é considerada a mais intensa da História recente. O Furacão Melissa deixa um alerta para o futuro: enquanto o planeta continuar aquecendo, a força das tempestades continuará crescendo — e a “Tempestade do Século” pode ser apenas o começo.



Seja o primeiro a comentar