A Saga do Multiverso da Marvel Studios finalmente encontrou um antagonista de peso, e todo o mérito desse grande marco criativo pertence à elogiada e violenta série ‘Demolidor: Renascido’ do catálogo de streaming do Disney+. Embora a atração televisiva ocupe um espaço relativamente pequeno do gigantesco MCU, com a maior parte de sua densa história ocorrendo restrita às ruas noturnas de Nova York e mantendo o foco rígido em problemas de nível urbano, a equipe responsável pelo roteiro conseguiu introduzir os melhores e mais estruturados vilões da corporação até o momento, destacando taticamente as figuras implacáveis do Rei do Crime e do Mercenário.
Enquanto a imensa maioria dos grandes lançamentos nos complexos de cinema da atual Saga do Multiverso apresentou vilões que foram derrotados de forma muito acelerada ou inseriu figuras diplomáticas de bastidores como Valentina Allegra de Fontaine, que possuem enorme intimidação e poder tático de fogo, mas não são oponentes físicos para os super-heróis de elite. A exibição da 2ª temporada de ‘Demolidor: Renascido’ quebrou esse fraco padrão estrutural de roteiro e estabeleceu firmemente o letal Benjamin Poindexter como o vilão de maior destaque e peso desta longa era.
A jornada contínua do atirador e os impactos na narrativa

O formidável assassino Benjamin Poindexter, interpretado de maneira magistral e intensa pelo ator Wilson Bethel, teve o seu grandioso início documentado na antiga atração original da plataforma Netflix. Naquela encarnação digital, ele estabeleceu a sua incrível e mortal proficiência com armas brancas, dando um trabalho físico descomunal ao advogado de defesa Matt Murdock. O vilão igualou perfeitamente as rígidas habilidades marciais do protagonista não apenas para conseguir personificar perfeitamente o justiceiro de Hell’s Kitchen, mas também para quase destruir o verdadeiro herói em combates corporais contínuos e sangrentos.
Quando o perigoso sociopata fez o seu aguardado retorno logo na 1ª temporada de ‘Demolidor: Renascido’, o seu arco narrativo tornou-se ainda mais sombrio e tragicamente atrelado aos traumas de Murdock. O atirador foi o executor frio responsável por apertar o gatilho da arma que matou Foggy Nelson, o histórico melhor amigo do justiceiro, agindo estritamente sob as ordens dadas pela manipuladora Vanessa Fisk. Essa violenta perda levou o vigilante a quase esquecer e quebrar o seu impenetrável código moral ao tentar ceifar a vida do atirador, que comprovou ser extremamente resistente após ser atirado violentamente do topo de um edifício.
Nesta atual fase de transmissões da 2ª temporada da obra na plataforma de vídeo, é bastante seguro e justo afirmar para a audiência que ele roubou totalmente os holofotes criativos de toda a trama. O enorme sucesso atual com o público consolida-se graças ao seu comportamento cruel, sua visão severamente distorcida sobre como aplicar a verdadeira justiça e uma doentia e desesperada necessidade psicológica de equilibrar todas as escalas morais. O famoso atirador de elite urbano figura com muita facilidade como o vilão mais motivado, assustador e tridimensional que o grande sistema conectivo de universos entregou aos fãs.
A falta de inimigos globais fortes e a promessa do Doutor Destino

Os elogiados e brutais resultados registrados nas ruas urbanas de Nova York contrastam violentamente com as profundas deficiências do imenso formato estelar do estúdio cinematográfico. Os planos multimilionários da executiva planejavam cravar a autoridade de Kang como a grande e absoluta ameaça temporal corporativa. Após grandes polêmicas, a corporação cancelou as abordagens multiversais, definindo a rápida e frustrante derrota temporal do vilão no longa ‘Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania’ para abrir oficialmente um grande e escuro caminho que permita a ascensão repentina e suprema da figura do Doutor Destino.
Com exceção do vilão cronológico, outras entidades extremamente promissoras para a rica mitologia global da marca perderam muito de seu poder inicial de choque de terror nas mãos dos estúdios originais. O pesado e brutal papel escalado para assumir o arco focado no alienígena cego Gorr, o Carniceiro dos Deuses, vivido pelo renomado artista Christian Bale, possuía o grandioso potencial inerente para estabelecer um nível altíssimo de letalidade nas salas escuras, mas seu peso foi facilmente diluído com saídas rasas de roteiro.
No estágio crítico em que se encontra esse cenário conturbado, onde supostas e grandes ameaças planetárias não firmam o papel principal, Benjamin Poindexter dispara de forma avassaladora na incontestável liderança isolada na preferência da base ativa de espectadores. A única e formidável força criativa que figura nas espreitas das próximas fases com real potencial de derrubá-lo dessa liderança é o novo tirano intergaláctico. O astro e ícone Robert Downey Jr. assumirá a responsabilidade bilionária e dramática de tentar igualar a tensão entregue com facilidade pelo simples uso de cacos de vidros cortantes da vizinhança.




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