O capítulo mais recente deixa claro: Módulo é continuação de Jujutsu Kaisen! Não se trata de um spin-off qualquer tentando surfar no sucesso de ‘Jujutsu Kaisen’. A obra já cravou uma identidade própria, mas sem medo nenhum de dialogar diretamente com o que funcionou no mangá do Gege. E o resultado é um capítulo absurdo de intenso, tanto em conceito quanto em drama.
Enquanto todo mundo está de olho na luta desesperada entre Yuuka e Dabura, um alienígena no nível de Sukuna, o mangá decide ampliar o caos colocando Tsurugi contra Maru em um combate que brinca com as leis fundamentais do universo. E quando o autor decide brincar com gravidade, tempo e espaço, você já sabe que a coisa vai ficar séria.
Maru transforma a realidade em arma
A habilidade de Maru não é só poderosa — ela é conceitualmente aterradora. Seu domínio sobre o “caos” permite alterar trajetórias, congelar ou ferver matéria instantaneamente, manipular o fluxo do tempo e até decidir como a gravidade afeta o mundo ao redor. Não é exagero dizer que ele luta como se estivesse editando o próprio cenário da batalha.
O mangá faz questão de mostrar isso visualmente: paredes viram chão, o céu se torna um abismo abaixo dos pés, prédios se invertem e o mundo perde qualquer noção de eixo. É impossível não lembrar das cenas mais psicodélicas do Doutor Estranho, onde avançamos para uma geometria não euclidiana.

Tsurugi: A restrição celestial é vantajosa?
Do outro lado, Tsurugi entra na luta com o que parece ser uma desvantagem clara: uma restrição celestial no estilo da Maki, ou seja, quase nenhuma energia amaldiçoada. Só que isso vem acompanhado de força, velocidade e reflexos absurdos, além de um detalhe: seus movimentos são praticamente impossíveis de prever.
Mesmo assim, o mangá deixa claro que habilidade física sozinha não é suficiente para enfrentar alguém que manipula as leis da natureza. E quando Maru prende sua espada, inverte o mundo e o lança em direção ao “céu” — que agora é o “chão” — fica evidente que Tsurugi está encurralado. Ele foi esmagado por carros, ônibus e destroços no meio de uma enorme explosão sem chance de reação.

Rika retorna — e toca o terror
É nesse ponto que ‘Módulo’ puxa uma de suas cartas mais pesadas: a Rika retorna. O anel herdado do avô se ativa, e a presença que transformou Yuta em um dos quatro feiticeiros mais fortes do mundo surge novamente. E não sem personalidade. Ela deixa claro seu incômodo com o fato de Tsurugi lembrar a Maki — o que mistura ciúme, sarcasmo e intimidação. E deixa tudo bem divertido!
Quando Tsurugi pergunta se ele pode vencer aceitando o poder da Rika, a resposta é direta: “Que pergunta mais tola.” O que vem a seguir não é uma simples invocação. Rika se funde com ele, em uma estética que lembra diretamente a máscara hollow de ‘Bleach’. O impacto é brutal: um único soco faz Maru explodir contra um prédio, completamente chocado com o novo nível do oponente.

Uma corrida contra a tragédia iminente
Tudo isso acontece enquanto um dilema muito maior se desenrola. Yuuka ativou o ritual envolvendo o Mahoraga — a única chance real de enfrentar Dabura e garantir a sobrevivência da humanidade. O problema? Ninguém jamais controlou o Mahoraga, com exceção de Sukuna. Mesmo uma vitória significaria morte certa depois para ela.
Do outro lado, Dabura não pode recuar. Se voltar ao seu planeta, sua irmã será atingida por uma maldição fatal. Todos os caminhos levam à tragédia, e Tsurugi luta contra o tempo tentando impedir um massacre inevitável. O mangá constrói essa tensão de forma brilhante, deixando uma sensação clara: a volta de Itadori não é mais uma possibilidade distante — é uma necessidade narrativa.
No fim das contas, Módulo é continuação de Jujutsu Kaisen: poder sem consequência não existe, e toda escolha cobra um preço. E é exatamente por isso que essa obra começa a se firmar como uma sequência digna, sombria e emocionalmente brutal.






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