Pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, em parceria com a startup europeia LEAP71, realizaram com sucesso testes daquele que pode ser o primeiro motor de foguete do mundo projetado integralmente por inteligência artificial e fabricado por impressão 3D. O experimento foi conduzido em junho de 2024, e os detalhes técnicos passaram a ser divulgados nas últimas semanas, representando um avanço relevante na aplicação de IA na engenharia aeroespacial.
O projeto utilizou um sistema computacional chamado Noyron, desenvolvido pela LEAP71, que é capaz de gerar projetos funcionais de engenharia sem intervenção humana direta durante a fase de concepção. A partir da definição dos parâmetros iniciais, o sistema produziu automaticamente o design completo do motor, que ficou pronto para fabricação em apenas 2 semanas após o início da parceria entre a universidade e a startup.

A fabricação do motor foi realizada por impressão 3D, utilizando uma liga de cobre conhecida como CuCrZr. Esse material foi escolhido por sua elevada eficiência térmica e resistência mecânica, características essenciais para suportar as condições extremas enfrentadas por motores de foguete durante a operação. Segundo os envolvidos no projeto, a combinação entre o design gerado por IA e a escolha do material foi determinante para o desempenho observado nos testes.
O ensaio principal consistiu em um teste de queima quente, realizado nas instalações da Airborne Engineering, também no Reino Unido. Durante o procedimento, o motor operou de forma contínua por 12 segundos, produzindo aproximadamente 5 kN de empuxo, valor equivalente a cerca de 20 mil cavalos de potência. De acordo com os pesquisadores, o motor manteve estabilidade ao longo de todo o teste e não apresentou falhas estruturais.

Esse resultado é considerado significativo dentro do setor aeroespacial, especialmente em fases iniciais de desenvolvimento. Tradicionalmente, testes preliminares de motores costumam revelar problemas críticos relacionados a vibração, resfriamento ou integridade dos materiais. No caso do motor desenvolvido com apoio da inteligência artificial, o desempenho obtido superou as expectativas iniciais da equipe.
Além do aspecto tecnológico, o projeto também está integrado a iniciativas acadêmicas. Uma delas é o programa Race2Space, que busca ampliar o acesso de estudantes universitários a ambientes reais de desenvolvimento e testes aeroespaciais. A participação no projeto permitiu que alunos acompanhassem de perto etapas como validação computacional, fabricação aditiva e testes práticos de sistemas de propulsão.
Os dados coletados durante o teste serão utilizados para aprimorar o sistema Noyron, tornando-o ainda mais preciso na geração de projetos complexos. A expectativa dos pesquisadores é que, com a evolução da plataforma, seja possível reduzir custos, prazos de desenvolvimento e dependência de longos ciclos de prototipagem física, fatores que tradicionalmente elevam o custo de projetos espaciais.
No médio e longo prazo, a aplicação desse tipo de tecnologia pode impactar diretamente a indústria espacial global. Motores de foguete projetados por inteligência artificial e fabricados por impressão 3D têm potencial para tornar missões espaciais mais acessíveis, além de acelerar o desenvolvimento de novos veículos de lançamento e sistemas experimentais.
Embora o motor ainda não esteja destinado a aplicações comerciais imediatas, o sucesso do teste demonstra a viabilidade do uso de inteligência artificial generativa em áreas críticas da engenharia. O avanço reforça a tendência de integração entre algoritmos avançados, fabricação digital e pesquisa acadêmica, abrindo caminho para uma nova abordagem no desenvolvimento de tecnologias espaciais.





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