A Netflix reafirmou que manterá o modelo tradicional de lançamentos nos cinemas da Warner Bros., mesmo após o anúncio do acordo de aquisição que gerou forte repercussão no setor audiovisual. Em meio a especulações sobre possíveis mudanças radicais, a empresa destacou que o cinema continuará sendo uma peça central da estratégia do estúdio.
De acordo com a Variety, o CEO da Netflix, Ted Sarandos, afirmou em entrevista ao The New York Times que não pretende alterar o funcionamento do braço de distribuição teatral da Warner Bros.. O executivo reforçou que a companhia reconhece o valor financeiro e estratégico do mercado exibidor.
“Quando esse acordo for concluído, teremos um sistema de distribuição cinematográfica que é fenomenal e gera bilhões de dólares em receita de bilheteria, algo que não queremos colocar em risco. Vamos conduzir esse negócio praticamente como ele é hoje, com janelas de 45 dias.”
Sarandos também enfatizou o interesse competitivo da Netflix no desempenho comercial dos filmes nos cinemas.
“Estou dando um número concreto. Se vamos estar no negócio cinematográfico — e vamos — somos competitivos. Queremos vencer. Quero vencer no fim de semana de estreia. Quero vencer na bilheteria.”
As declarações descartam rumores de que a Netflix estaria planejando reduzir drasticamente a janela teatral para cerca de 17 dias. Segundo o executivo, a intenção é preservar e potencializar a arrecadação nos cinemas, e não enfraquecê-la.
Cinema mais lucrativo do que o esperado
O CEO admitiu que a empresa tinha percepções equivocadas sobre o desempenho financeiro do modelo tradicional de exibição.
“A economia geral do negócio cinematográfico era mais positiva do que imaginávamos e do que havíamos projetado internamente. É um negócio saudável e lucrativo para eles.”
Sarandos também esclareceu por que a Netflix, historicamente, evitou o circuito comercial de cinemas.
“Não estávamos nesse negócio não porque o odiávamos, mas porque o nosso negócio de streaming estava indo muito bem.”
Aquisição bilionária e controvérsias
A Warner Bros. confirmou no fim de 2025 que estava à venda, despertando o interesse de diversos conglomerados de mídia. A Paramount chegou a apresentar uma proposta inicial, mas foi superada pela oferta da Netflix, avaliada em US$ 82,7 bilhões. A Comcast também teria considerado a aquisição, mas desistiu após o avanço da gigante do streaming.
Mesmo com o acordo fechado, o anúncio provocou reação negativa no mercado, incluindo uma tentativa de oferta hostil por parte da Paramount e o surgimento de novas disputas judiciais. Sobre a repercussão, Sarandos comentou:
“O que muitas pessoas gostariam de ver é que não houvesse acordo algum. Mas isso não é possível. Existem dois desfechos para esse negócio, e nós já temos um acordo assinado.”
Com a confirmação de que as janelas de exibição de 45 dias serão mantidas e de que a Warner Bros. continuará operando seu modelo tradicional de lançamentos, a Netflix sinaliza que pretende conciliar streaming e cinema, apostando em uma estratégia híbrida que preserve a relevância do circuito teatral.






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