O Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) apresentou uma nova forma de regular indivíduos com superpoderes, retomando um debate iniciado anos atrás com os Acordos de Sokovia. A mudança é introduzida na série ‘Wonder Man’ e estabelece a chamada Cláusula Doorman, uma política que proíbe a atuação de pessoas com habilidades sobre-humanas dentro da Hollywood do próprio universo da Marvel.
Os Acordos de Sokovia surgiram após os eventos de ‘Vingadores: Era de Ultron’, quando Tony Stark criou Ultron, responsável pela destruição de Sokovia. O acordo internacional concedeu à Organização das Nações Unidas autoridade para supervisionar e controlar indivíduos aprimorados, exigindo que pessoas com superpoderes se registrassem junto aos seus governos para monitoramento constante.
A medida dividiu profundamente os Vingadores em ‘Capitão América: Guerra Civil’. Enquanto Homem de Ferro defendia a regulamentação, Capitão América se opunha ao controle governamental. O conflito levou à separação da equipe e teve consequências diretas, culminando na derrota dos heróis em ‘Vingadores: Guerra Infinita’. Após a reunião dos Vingadores em ‘Vingadores: Ultimato’, os acordos foram gradualmente abandonados e oficialmente revogados em ‘Mulher-Hulk: Defensora de Heróis’.
Agora, a Marvel apresenta um novo modelo de restrição. Materiais promocionais de ‘Wonder Man’ revelam a existência da Cláusula Doorman, descrita como uma política de Hollywood que impede a participação de indivíduos superpoderosos em produções audiovisuais. Um dos materiais afirma: “Atores devem certificar que não possuem superpoderes sob a nova política ‘Doorman’ de Hollywood”. A divulgação também traz uma capa de revista fictícia com a manchete: “Hollywood proíbe todos os superpoderes – A Cláusula Doorman: artistas com superpoderes estão BANIDOS dos sets”.
Diferentemente dos Acordos de Sokovia, que buscavam registrar e limitar a atuação de vigilantes, a Cláusula Doorman impõe uma proibição total dentro do setor de entretenimento do MCU. A medida deve ter papel central na narrativa de ‘Wonder Man’, como indicado no trailer mais recente da série, mas suas implicações vão além da produção estrelada por Yahya Abdul-Mateen II.
O novo cenário se conecta a um movimento mais amplo contra indivíduos superpoderosos dentro do universo Marvel. Em Nova York, os acontecimentos do final da primeira temporada de ‘Demolidor: Renascido’ mostraram o prefeito Wilson Fisk criando a Força-Tarefa Antivigilantes, além de declarar ilegais todas as atividades de vigilantes na cidade. A decisão estabelece um confronto direto entre Demolidor e Fisk e reforça um ambiente de rejeição a pessoas com habilidades especiais.
Com restrições em diferentes frentes, o MCU passa a retratar um mundo onde a discriminação contra indivíduos superpoderosos se torna cada vez mais normalizada. Esse contexto é apontado como terreno fértil para a introdução dos X-Men, cujas histórias tradicionalmente abordam o preconceito enfrentado por mutantes devido às suas diferenças.
Embora Marvel Studios ainda não tenha anunciado oficialmente projetos dos X-Men em seu calendário, Kevin Feige confirmou que Jake Schreier, diretor de ‘Thunderbolts’*, será responsável por um filme da equipe mutante. A produção é esperada para depois de ‘Vingadores: Guerras Secretas’, previsto para 2027, e há a expectativa de que a próxima grande saga do MCU seja centrada nos mutantes.
A Marvel é conhecida por introduzir elementos narrativos com bastante antecedência, preparando o terreno para histórias futuras. Nesse contexto, a Cláusula Doorman apresentada em ‘Wonder Man’ se soma a outros sinais recentes de mudança no universo fictício, indicando uma transformação social que pode tornar plausível a perseguição aos mutantes. O novo regulamento surge, assim, como mais um passo na construção desse cenário dentro do MCU.




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