Novo ‘Massacre da Serra Elétrica’ precisa eliminar erros de outros reboots

Andre Luiz

A A24 anunciou a aquisição dos direitos da franquia O Massacre da Serra Elétrica, marcando uma nova fase para uma das propriedades mais conhecidas do terror. O projeto prevê uma série de TV produzida por Glen Powell, além do desenvolvimento de um novo filme, ainda sem detalhes divulgados. A iniciativa reacendeu o debate sobre como a história de Leatherface será abordada desta vez.

A nova adaptação surge após décadas de continuações e reboots que exploraram o personagem sob diferentes perspectivas, nem sempre alinhadas ao tom do longa original lançado em 1974.

Filme original foi além do formato slasher

Dirigido por Tobe Hooper, O Massacre da Serra Elétrica nunca foi concebido apenas como um filme de assassinatos em sequência. Embora tenha estabelecido elementos clássicos do gênero — como o vilão mascarado e a chamada “final girl” —, a obra foi construída a partir de ansiedades sociais dos anos 1970, incluindo crise econômica, guerra e instabilidade política nos Estados Unidos.

A narrativa apresentou a família Sawyer como trabalhadores descartados pela modernização, antigos funcionários de um matadouro substituídos pela automação. Nesse contexto, a violência surge como um reflexo extremo da exclusão social e da decadência econômica no interior do país.

A chamada “Maldição do Leatherface” e os erros das sequências

Grande parte das produções posteriores foi associada ao que fãs e críticos passaram a chamar de “maldição de Leatherface”, expressão usada para definir a dificuldade da franquia em manter a essência do personagem.

No filme original, Leatherface não é o centro da narrativa, mas um indivíduo submisso, controlado pela família e privado de identidade própria — simbolizada pelas máscaras que utiliza. As sequências, no entanto, transformaram o personagem em um ícone de força bruta, reduzindo sua complexidade psicológica.

O remake de 2003, apesar do sucesso comercial, adotou uma estética mais polida, enquanto o filme lançado pela Netflix em 2022 tentou atualizar o discurso social, mas retratou o personagem de forma quase invencível, afastando-se do realismo opressivo da obra original.

Ambiente e contexto como pilares do terror

No longa de 1974, o terror não se limitava às mortes. A casa da família, o calor extremo, o isolamento e a degradação do ambiente eram elementos centrais da narrativa. A violência era, em grande parte, sugerida, criando uma sensação de desconforto contínuo.

Esse aspecto foi diluído em produções posteriores, que priorizaram cenas explícitas e contagens de corpos, deixando em segundo plano o horror estrutural ligado à miséria, à perda de dignidade e à desintegração do tecido social.

Nova produção aposta em abordagem mais profunda

Com histórico de produções de terror focadas em atmosfera, tensão psicológica e construção de mundo, a A24 deve adotar um caminho distinto para a franquia. A participação de Glen Powell, natural do Texas, é apontada como um elemento que pode contribuir para maior fidelidade cultural e geográfica.

Segundo informações do The Hollywood Reporter, JT Mollner, roteirista de A Longa Caminhada, está ligado à direção do projeto. A proposta inclui explorar a dinâmica cotidiana da família Sawyer, indo além dos assassinatos e abordando a rotina, os conflitos internos e o contexto que moldou seus integrantes.

Além da série, um novo filme de O Massacre da Serra Elétrica também está em desenvolvimento pela A24, embora detalhes sobre elenco, trama e cronograma ainda não tenham sido divulgados.

Com múltiplos projetos em andamento, a franquia entra em um novo momento, com foco em resgatar o ambiente, os temas sociais e a atmosfera que marcaram o filme original, elementos considerados centrais para a compreensão da história de Leatherface e da família Sawyer.

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