Mesmo ainda no começo do ano, o episódio focado na Maki Zen’in já se consolida como um dos mais impactantes de 2026. Tecnicamente impressionante e narrativamente intenso, o capítulo não apenas entregou uma das sequências de ação mais brutais de ‘Jujutsu Kaisen’, como também provocou um volume gigantesco de debates dentro e fora da comunidade otaku. A recepção foi marcada por elogios à animação, à trilha sonora e à força simbólica da personagem, transformando o episódio em um verdadeiro evento.
Ao mesmo tempo, a repercussão deixou claro que a experiência não foi unânime. Enquanto o público ocidental reagiu de forma extremamente positiva, parte da audiência japonesa demonstrou certo incômodo com escolhas narrativas e estruturais. O episódio da Maki gerou uma verdadeira polêmica entre fãs japoneses. Essa divisão reacendeu discussões antigas sobre adaptação de mangá para anime, fidelidade ao material original e até diferenças culturais na forma de consumir a obra.
Um episódio cinematográfico — e as consequências da escolha estética
O episódio da Maki apostou claramente em uma abordagem mais cinematográfica, priorizando ritmo, impacto visual e fluidez da ação. A direção optou por longas sequências de combate, enquadramentos estilizados e uma condução quase de filme, o que elevou a experiência sensorial do capítulo a um patamar raramente visto em animes semanais.
Porém, essa escolha teve um custo narrativo significativo. Diversas informações essenciais do mangá foram removidas ou reduzidas, o que compromete a compreensão de certos acontecimentos. Diálogos perderam contexto, motivações ficaram implícitas demais e elementos importantes do passado dos personagens deixaram de ser explicados, criando lacunas para quem acompanha apenas o anime.
Cortes narrativos que enfraquecem a compreensão da história
Entre os principais pontos ausentes estão explicações fundamentais sobre falas do Naoya Zen’in, referências à luta anterior contra Choso e detalhes técnicos sobre a espada utilizada por Maki, forjada por Juzou Kumiya. O anime também omitiu explicações sobre a técnica usada por Ogi Zen’in e reduziu significativamente o peso simbólico de cenas envolvendo a mãe da Maki, o que enfraquece a conexão emocional de certos desfechos.
Outro corte que gerou estranhamento foi a remoção da cena das maldições com falas infantis, que no mangá contribuem para o clima de crueldade e desumanização vivido pelas irmãs Zen’in. A ausência desses momentos reforça a sensação de que o episódio priorizou impacto imediato em detrimento da construção narrativa mais profunda.

A polêmica internacional e a distorção da recepção japonesa
A discussão ganhou proporções ainda maiores após a circulação de um post de um usuário japonês criticando o público ocidental. A publicação apontava que fãs fora do Japão estariam mais interessados em animação e lutas do que em desenvolvimento de enredo, citando diferenças de avaliação entre episódios focados em explicação e episódios focados em ação.
O problema se agravou quando uma imagem começou a circular alegando que o episódio da Maki teria recebido nota baixa no Japão. Tudo indica que essa informação é falsa, já que sites japoneses relevantes raramente avaliam episódios individualmente com notas numéricas, preferindo análises gerais da obra. Mesmo sem fontes confiáveis, a imagem foi amplamente aceita e acabou alimentando uma narrativa de rejeição que não se sustenta nos dados reais.

Naoya Zen’in, popularidade e o desconforto do debate social
Outro ponto central da discussão envolve o personagem Naoya Zen’in. Apesar de ser retratado como um vilão explicitamente machista e sem carisma tradicional, Naoya alcançou a quinta posição na pesquisa oficial de popularidade de ‘Jujutsu Kaisen’, ficando à frente de personagens extremamente queridos pelo público, como Yuta, Choso, Toji e até Sukuna.
Essa popularidade levanta questionamentos importantes. Diferente de vilões clássicos que conquistam fãs por carisma, ideologia ou presença ameaçadora, Naoya se destaca quase exclusivamente por representar uma visão misógina extrema. O contraste entre sua posição no ranking e a reação intensa à derrota dele pelas mãos de Maki sugere que o episódio pode ter tocado em incômodos sociais mais profundos, especialmente ao mostrar uma mulher derrotando, sem sexualização, um personagem que simboliza o machismo de forma direta.
A postura da obra e o impacto duradouro do episódio
Apesar das controvérsias, ‘Jujutsu Kaisen’ segue sendo uma obra reconhecida por evitar sexualização gratuita e por tratar seus personagens femininos com seriedade. O próprio mangá frequentemente subverte padrões do shonen tradicional, colocando personagens masculinos como principais símbolos de apelo estético e abordando temas sociais complexos em seus arcos mais recentes.
Do ponto de vista técnico, o episódio da Maki representa um marco. O trabalho de animadores como Shota Goshozono, Hakuyu Go, Yosuke Yajima, Itsuki Tsuchigami e Takeshi Okazaki foi fundamental para transformar o capítulo em uma das produções mais impressionantes da franquia. Independentemente das críticas, o episódio cumpriu um papel essencial: marcar a temporada, provocar reflexão e consolidar Maki como uma das personagens mais fortes e simbólicas do anime.





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