Episódio do Hakari e do Panda em ‘Jujutsu Kaisen’ é um dos mais devastadores do anime

Luiz Gustavo Gonçalves

O episódio do Panda e do Hakari em ‘Jujutsu Kaisen’ já chega pesado emocionalmente logo de cara ao adaptar a história do Panda e do Yaga em um momento diferente do mangá, encaixando tudo no início da busca pelo Hakari. E, sinceramente? Funcionou melhor ainda. O clima é estranho desde o primeiro segundo: um diretor sério, gigantesco, visivelmente abatido… cercado por criaturas fofas, infantis e animadas demais. Esse contraste grita que tem algo muito errado ali.

E quando a verdade vem, ela vem como um soco no estômago. Descobrimos que Yaga criou seres artificiais com consciência, e um deles carrega as memórias de Takeru, uma criança que morreu e cujo “boneco” foi feito para aliviar o luto da própria mãe. O detalhe mais cruel? Ela nunca poderá saber a verdade. Aquele bonequinho “gênio” não é só fofo — ele é o eco de uma criança que já se foi. Isso sozinho já mostra por que ‘Jujutsu Kaisen’ não brinca quando decide falar de dor.

Por que Yaga virou uma ameaça para o sistema jujutsu

É aqui que a história fica ainda mais sinistra. A Escola Jujutsu não conspirou contra Yaga por sadismo. Eles fizeram isso porque perceberam algo muito simples e aterrador: se ele consegue criar vida artificial com consciência, então ele tem o potencial de se tornar o “pai” de um exército inteiro. Isso automaticamente colocaria Yaga em um nível de risco comparável a um feiticeiro especial.

Enquanto o Gojo estava solto, ninguém tinha coragem de fazer nada. Mas com o Gojo selado… como o próprio Yaga diz, todo mundo ficou saidinho. Eles o cercam e dão um ultimato nojento: ou ele revela o segredo da criação desses seres, ou morre ali mesmo. E é exatamente isso que acontece. Yaga não morre como vilão, morre como mártir — e ainda deixa sua última vingança.

A maldição final de Yaga e o segredo da criação da vida

Antes de morrer, Yaga revela o método… não como um presente, mas como uma maldição. Ele explica que é preciso unir a informação da alma e do corpo, inserir isso em um objeto amaldiçoado e estabilizar tudo com três núcleos formados por três almas compatíveis diferentes. Após três meses, se tudo der certo, aquela entidade desperta consciência própria e passa a gerar sua própria energia amaldiçoada.

O peso disso é absurdo. Yaga sofreu por carregar esse conhecimento e agora o passa para Gakuganji como um fardo que só pode destruir a vida dele. Tudo isso acontece enquanto o Panda chora, em uma das cenas mais poéticas do episódio, com a imagem da mariposa morta sendo molhada pelas lágrimas dele. E o detalhe é insano: o kanji 蛾 (ga), de mariposa, é o mesmo presente no nome Ya-ga. ‘Jujutsu Kaisen’ não faz nada por acaso.

Panda chorando
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

Hakari: o prodígio problemático que pode mudar tudo

Do luto, a história parte para o caos controlado que é Hakari. Enquanto os veteranos falam que ele “não presta”, o Yuta solta a bomba: Hakari é mais forte do que ele. E isso não é pouca coisa. Estamos falando do cara que o próprio Gojo disse ter mais potencial do que ele. Ou seja, se o Yuta reconhece isso, Hakari é um monstro absurdo em potencial.

O problema? Ele é o rei de bater de frente com o sistema. Hakari foi expulso por desafiar os superiores e ainda comanda um clube de luta clandestino envolvendo feiticeiros, violando uma das maiores leis do jujutsu: não revelar a existência deles. A ironia é deliciosa — é literalmente um Clube da Luta, onde a primeira regra é ninguém fala sobre o Clube da Luta. E como os espectadores não enxergam maldições, os combates viram pancadaria pura, focada apenas em atributos físicos. Brutal e genial.

Hakari
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

Cinema puro: a direção silenciosa que eleva o episódio

E se o roteiro já é forte, a direção do episódio é cinema puro. Assim como no episódio anterior, o anime adiciona camadas visuais que simplesmente não existiam no mangá. A janela atrás do Itadori agora vira um vitral com luz vermelha, traduzindo culpa e terror. A escadaria pichada na descida para a luta cria um clima urbano, sujo e real. Tudo isso sem uma única fala explicando o óbvio.

Mas o ápice está na conversa entre Itadori e Hakari. Não tem explosão, não tem grito, não tem trilha épica. É só um diálogo travado, em um plano simples… e hipnotizante. A fluidez absurda dos movimentos indica que essa cena provavelmente foi encenada e depois animada frame a frame. E quando você acha que agora vai explodir tudo… o episódio acaba. Frustrante? Um pouco. Mas também prova que ‘Jujutsu Kaisen’ continua fazendo cinema em forma de anime, com um nível de produção que está muito acima da média.

Hakari duvidando do Itadori
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN
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