O episódio do Panda e do Hakari em ‘Jujutsu Kaisen’ já chega pesado emocionalmente logo de cara ao adaptar a história do Panda e do Yaga em um momento diferente do mangá, encaixando tudo no início da busca pelo Hakari. E, sinceramente? Funcionou melhor ainda. O clima é estranho desde o primeiro segundo: um diretor sério, gigantesco, visivelmente abatido… cercado por criaturas fofas, infantis e animadas demais. Esse contraste grita que tem algo muito errado ali.
E quando a verdade vem, ela vem como um soco no estômago. Descobrimos que Yaga criou seres artificiais com consciência, e um deles carrega as memórias de Takeru, uma criança que morreu e cujo “boneco” foi feito para aliviar o luto da própria mãe. O detalhe mais cruel? Ela nunca poderá saber a verdade. Aquele bonequinho “gênio” não é só fofo — ele é o eco de uma criança que já se foi. Isso sozinho já mostra por que ‘Jujutsu Kaisen’ não brinca quando decide falar de dor.
Por que Yaga virou uma ameaça para o sistema jujutsu
É aqui que a história fica ainda mais sinistra. A Escola Jujutsu não conspirou contra Yaga por sadismo. Eles fizeram isso porque perceberam algo muito simples e aterrador: se ele consegue criar vida artificial com consciência, então ele tem o potencial de se tornar o “pai” de um exército inteiro. Isso automaticamente colocaria Yaga em um nível de risco comparável a um feiticeiro especial.
Enquanto o Gojo estava solto, ninguém tinha coragem de fazer nada. Mas com o Gojo selado… como o próprio Yaga diz, todo mundo ficou saidinho. Eles o cercam e dão um ultimato nojento: ou ele revela o segredo da criação desses seres, ou morre ali mesmo. E é exatamente isso que acontece. Yaga não morre como vilão, morre como mártir — e ainda deixa sua última vingança.
A maldição final de Yaga e o segredo da criação da vida
Antes de morrer, Yaga revela o método… não como um presente, mas como uma maldição. Ele explica que é preciso unir a informação da alma e do corpo, inserir isso em um objeto amaldiçoado e estabilizar tudo com três núcleos formados por três almas compatíveis diferentes. Após três meses, se tudo der certo, aquela entidade desperta consciência própria e passa a gerar sua própria energia amaldiçoada.
O peso disso é absurdo. Yaga sofreu por carregar esse conhecimento e agora o passa para Gakuganji como um fardo que só pode destruir a vida dele. Tudo isso acontece enquanto o Panda chora, em uma das cenas mais poéticas do episódio, com a imagem da mariposa morta sendo molhada pelas lágrimas dele. E o detalhe é insano: o kanji 蛾 (ga), de mariposa, é o mesmo presente no nome Ya-ga. ‘Jujutsu Kaisen’ não faz nada por acaso.

Hakari: o prodígio problemático que pode mudar tudo
Do luto, a história parte para o caos controlado que é Hakari. Enquanto os veteranos falam que ele “não presta”, o Yuta solta a bomba: Hakari é mais forte do que ele. E isso não é pouca coisa. Estamos falando do cara que o próprio Gojo disse ter mais potencial do que ele. Ou seja, se o Yuta reconhece isso, Hakari é um monstro absurdo em potencial.
O problema? Ele é o rei de bater de frente com o sistema. Hakari foi expulso por desafiar os superiores e ainda comanda um clube de luta clandestino envolvendo feiticeiros, violando uma das maiores leis do jujutsu: não revelar a existência deles. A ironia é deliciosa — é literalmente um Clube da Luta, onde a primeira regra é ninguém fala sobre o Clube da Luta. E como os espectadores não enxergam maldições, os combates viram pancadaria pura, focada apenas em atributos físicos. Brutal e genial.

Cinema puro: a direção silenciosa que eleva o episódio
E se o roteiro já é forte, a direção do episódio é cinema puro. Assim como no episódio anterior, o anime adiciona camadas visuais que simplesmente não existiam no mangá. A janela atrás do Itadori agora vira um vitral com luz vermelha, traduzindo culpa e terror. A escadaria pichada na descida para a luta cria um clima urbano, sujo e real. Tudo isso sem uma única fala explicando o óbvio.
Mas o ápice está na conversa entre Itadori e Hakari. Não tem explosão, não tem grito, não tem trilha épica. É só um diálogo travado, em um plano simples… e hipnotizante. A fluidez absurda dos movimentos indica que essa cena provavelmente foi encenada e depois animada frame a frame. E quando você acha que agora vai explodir tudo… o episódio acaba. Frustrante? Um pouco. Mas também prova que ‘Jujutsu Kaisen’ continua fazendo cinema em forma de anime, com um nível de produção que está muito acima da média.




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