Pânico 7: Tatum Evans é a pior protagonista da saga?

Andre Luiz

Lançado recentemente, Pânico 7 chegou aos cinemas com bom desempenho nas bilheteiras, mas também cercado por controvérsias que impactaram a recepção do público. O novo capítulo da tradicional saga slasher precisou lidar com mudanças significativas nos bastidores, incluindo a saída de Melissa Barrera e Jenna Ortega, além de uma ampla reformulação do roteiro.

Originalmente, a produção daria continuidade à história das irmãs Carpenter. No entanto, após alterações no elenco e ajustes criativos, o foco retornou para Sidney Prescott, personagem central da franquia desde o filme original.

Sidney Prescott volta ao centro da trama

Interpretada por Neve Campbell ao longo da série, Sidney reassume papel de destaque em Pânico 7. A narrativa se passa anos após os eventos anteriores e apresenta a personagem agora como mãe de vários filhos, incluindo sua primogênita, Tatum, de 17 anos.

A jovem recebeu esse nome em homenagem a Tatum Riley, melhor amiga de Sidney e vítima do primeiro ataque de Ghostface em 1996. A escolha reforça a conexão direta com os acontecimentos do longa original.

O roteiro, assinado por Kevin Williamson — responsável pelos textos de Pânico, Pânico 2 e Pânico 4 — aposta na herança do passado para construir o novo conflito.

O passado de Sidney Prescott

Sidney Prescott é a protagonista central da franquia Pânico, criada por Kevin Williamson e interpretada pela atriz canadense Neve Campbell. Desde sua primeira aparição em Pânico (1996), Sidney evoluiu de jovem vítima para uma heroína experiente, enfrentando repetidamente assassinos mascarados que usam a identidade de Ghostface para aterrorizar seus entes queridos e toda a cidade de Woodsboro, na Califórnia.

No primeiro filme, uma onda de assassinatos começa no aniversário da morte de sua mãe, Maureen Prescott, fomentando ameaças e ligações pessoais via telefonemas de Ghostface. Sydney descobre que o assassino por trás das mortes é seu namorado Billy Loomis e seu amigo Stu Macher, motivados por vingança e desordem psicológica. Com ajuda de amigos, Sidney sobrevive aos ataques e derrota os assassinos.

No segundo filme, Pânico 2 (1997), Sidney é estudante universitária quando outra sequência de Ghostface começa, desta vez motivada pela busca de fama que os novos assassinos esperam alcançar ao matá-la. Sidney novamente sobrevive, enfrentando um novo grupo de assassinos que exploram sua história.

No terceiro capítulo, Pânico 3 (2000), ela é atraída de volta ao centro das mortes quando descobre que o assassino é Roman Bridger, seu meio-irmão, movido por ressentimento e abandono familiar. Mais uma vez, Sidney sobrevive ao confronto mortal, destacando-se como uma figura resiliente.

A década seguinte em Pânico 4 (2011) explora a vida de Sidney após ela publicar um livro superando o trauma vivido. Ao retornar a Woodsboro para promover sua obra, ela é novamente alvo de Ghostface — desta vez com ataques orquestrados por sua própria prima, Jill Roberts. Mesmo gravemente ferida, Sidney enfrenta a ameaça e sai viva das novas investidas.

Após um hiato de anos, Pânico (2022) traz Sidney como uma mulher de 42 anos, casada e mãe de três filhos. Embora inicialmente afastada da violência, ela retorna a Woodsboro após o assassinato de um amigo próximo, enfrentando uma nova onda de Ghostface que persegue os herdeiros dos traumas do passado.

A personagem não aparece em Pânico VI (2023), mas é mencionada enquanto vive em reclusão para proteger sua família diante de novas ameaças.

Tatum surge como possível sucessora, mas gera debate

Desde os primeiros momentos de Pânico 7, a intenção de posicionar Tatum como uma nova “final girl” fica evidente. Como filha de Sidney, ela se torna automaticamente um alvo em potencial dentro da lógica recorrente da franquia, na qual os ataques de Ghostface costumam ter ligação com eventos anteriores.

No entanto, a construção da personagem segue uma dinâmica já conhecida no gênero slasher: relação tensa entre mãe superprotetora e filha que questiona o passado familiar. Tatum demonstra frustração pela postura reservada de Sidney e pela falta de detalhes sobre os traumas vividos por ela.

Desenvolvimento limitado marca recepção da personagem

A proposta de explorar o impacto do passado de Sidney sobre seus filhos estabelece uma nova camada dramática para a franquia. Contudo, dentro da narrativa apresentada, Tatum permanece ligada às ações de Sidney durante boa parte do longa.

A personagem não apresenta uma transformação clara que a consolide como protagonista independente. Sua participação se desenvolve majoritariamente em conjunto com a mãe, sem momentos significativos de autonomia.

O desafio para Pânico 8

Com o encerramento de Pânico 7, a franquia se encontra diante de um novo cenário. Caso a história avance para Pânico 8, o roteiro precisará definir com clareza o papel de Tatum dentro do universo da série.

O próximo capítulo terá a tarefa de aprofundar a construção da personagem como possível sucessora de Sidney Prescott ou redefinir seu espaço na narrativa, consolidando os rumos da saga que começou em 1996 e se tornou uma das mais reconhecidas do cinema de terror.

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