O documentário Pele de Vidro, dirigido pela cineasta Denise Zmekhol, chega aos cinemas brasileiros no dia 19 de março de 2026. Com uma trajetória brilhante em mais de 60 festivais internacionais e 13 prêmios no currículo, a obra é uma meditação poética que entrelaça a memória afetiva de uma filha com a dura realidade social do centro de São Paulo. A distribuição nacional fica por conta da Autoral Filmes.
A jornada pessoal de Denise Zmekhol e o Edifício Wilton Paes de Almeida
A premissa de Pele de Vidro nasce de uma descoberta pessoal impactante. Denise, que viveu duas décadas nos Estados Unidos, retornou ao Brasil ao saber que a obra mais famosa de seu falecido pai, o arquiteto Roger Zmekhol, estava no centro de uma controvérsia. O edifício Wilton Paes de Almeida, um ícone modernista de vidro no Largo do Paissandú, estava ocupado por centenas de moradores sem-teto.
O que começou como uma busca para se reconectar com os vestígios do pai, falecido precocemente, transformou-se em um mergulho na complexidade urbana brasileira. Ao tentar acessar o prédio, Denise acabou conhecendo as famílias que fizeram daquela torre de vidro o seu refúgio, criando um paralelo emocionante entre a sua perda pessoal e a luta daqueles moradores por um lar.

A tragédia do Largo do Paissandú e o renascimento da obra
Durante o processo de filmagem, a realidade impôs um desfecho trágico: no dia 1º de maio de 2018, o edifício Wilton Paes de Almeida foi consumido por um incêndio e desabou. O documentário captura a dor desse momento, mas também a resiliência dos sobreviventes. Denise passou meses ouvindo as histórias de quem perdeu tudo nas chamas, entendendo que o prédio, pioneiro em sua época, guardava significados diferentes para cada um.
“Meu pai era meu refúgio, seu edifício era o deles”, reflete a diretora. Essa dualidade entre o objeto arquitetônico e a função social é o que rendeu ao filme prêmios de melhor longa documental em festivais de arquitetura na França, Itália, Espanha e Suécia. A obra é descrita como uma reflexão profunda sobre as épocas de escuridão e renascimento do Brasil contemporâneo.

Produção internacional e reconhecimento global
Pele de Vidro é uma coprodução de peso entre Brasil e Estados Unidos, envolvendo produtoras como ZDFILMS, iTVS e Latino Public Broadcasting, com apoio da Corporation for Public Broadcasting (CPB). O filme já conquistou o prêmio do público no Mill Valley Film Festival (EUA) e menção honrosa no Ischia Film Festival (Itália), provando que sua temática sobre desigualdade e arquitetura é universal.
Com 90 minutos de duração, o longa promete ser uma experiência cinematográfica essencial para quem deseja entender as cicatrizes urbanas de São Paulo e a força da memória. A estreia comercial em 19 de março é um convite para olhar através da “pele de vidro” e enxergar as histórias humanas que sustentam nossas cidades.
Você acredita que a arquitetura das grandes cidades brasileiras ainda ignora a função social que deveria exercer?






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