O PlayStation 2 celebra 25 anos desde seu lançamento, marcando uma geração que viveu a transição para um período em que a descoberta de jogos acontecia de forma muito diferente da atual. A ausência de vídeos on-demand, a internet limitada e a força das lojas físicas criaram uma experiência única para quem navegava pelo catálogo do console da Sony.
Ao recordar aquele período, jogadores destacam o sentimento de aventura ao explorar a biblioteca do PS2, quando cada visita às lojas representava a chance de encontrar um título desconhecido. Sem redes sociais, sem trailers instantâneos e com pouquíssimos vídeos disponíveis na internet, descobrir novos jogos era quase tão imprevisível quanto encontrar uma mensagem em uma garrafa.
Na virada dos anos 2000, a internet já existia, mas estava longe de ser integrada ao cotidiano. Conexões eram lentas, limitadas e compartilhadas entre a família inteira, enquanto sites funcionavam de forma amadora e revistas especializadas dominavam o consumo de informação. Publicações sobre PlayStation eram numerosas, lançadas em ciclos mensais que traziam uma nova leva de notícias e análises. Para muitos jogadores, esse conteúdo era suficiente, mesmo sem oferecer uma visão completa do que estava por vir.

Diferente do cenário atual, marcado por um fluxo constante de vídeos, guias, listas e transmissões, a informação nos anos 2000 dependia de busca ativa. Quem desejava saber mais sobre lançamentos precisava comprar revistas, visitar lojas ou trocar impressões com amigos. Essa limitação influenciava diretamente a forma como os jogos eram descobertos. Sem gameplays, reviews em vídeo ou streams, a curiosidade guiava decisões de compra — e muitas vezes isso levava a experiências surpreendentes.
O impacto dessa realidade ficava evidente na rotina dos jogadores da época. Com o PS2 chegando ao mercado, lojas físicas eram o principal ponto de venda, e a ausência de jogos digitais tornava cada visita uma oportunidade de encontrar algo inesperado. Muitos consumidores entravam em lojas como a Electronics Boutique sem saber exatamente o que estava disponível, transformando cada ida ao centro da cidade em uma espécie de expedição.
Nesse contexto, era comum adquirir um jogo sem nunca tê-lo visto em ação. Em vários casos, nem mesmo uma imagem havia sido encontrada antes de se olhar para a caixa na prateleira. Para muitos, esse desconhecimento fazia parte da magia. Títulos como Gregory Horror Show — descrito como um “bizarro survival horror ambientado em um hotel da Capcom” —, Ring of Red, Mr. Moskeeto e Sky Odyssey surgiam como descobertas inesperadas, feitas quase que exclusivamente pela intuição e pelo impacto visual da caixa.
Esses jogos permanecem lembrados não apenas por sua qualidade, mas pelo sentimento de novidade absoluta. Sem listas de “hidden gems”, sem análises detalhadas e sem vídeos demonstrando mecânicas, a experiência era completamente inédita desde o momento em que o disco tocava o leitor do console. Muitas dessas obras só foram reconhecidas posteriormente, mas na época representavam um território desconhecido.
Hoje, com acesso irrestrito à informação e um mercado movido por divulgação massiva, é difícil imaginar um lançamento surpreender da mesma maneira. A expectativa é moldada por meses — às vezes anos — de análises, prévias e longos vídeos explicativos. Antes mesmo de jogar, consumidores já conhecem sistemas, mecânicas e até partes inteiras de campanhas.Com o avanço da conectividade e a consolidação das redes sociais, esse cenário tornou-se irreversível. Contudo, os 25 anos do PlayStation 2 reacendem a memória de um período em que cada jogo encontrado por acaso representava algo especial. Uma era anterior ao “sempre online”, marcada pela sensação de descoberta, pela curiosidade e por uma exploração que se perdeu na transição para o excesso de informação.



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