6 Pontos Terríveis sobre a série de One Piece (e 6 Ótimos)!

Luiz Gustavo Gonçalves

A primeira temporada do live-action de ‘One Piece’ foi simplesmente um fenômeno global. A adaptação do mangá criado por Eiichiro Oda conseguiu algo que parecia impossível: quebrar a maldição das adaptações de anime para live-action. O resultado foi uma série carismática, divertida e com personagens que rapidamente conquistaram novos fãs — inclusive quem nunca tinha visto o anime ou lido o mangá. Mas… como tudo, tem seus pontos positivos e negativos!

Com o sucesso gigantesco, a expectativa para a nova temporada foi lá para o alto. E como sempre acontece quando o hype explode, a análise precisa ser justa: a série trouxe coisas incríveis, mas também tomou algumas decisões bem questionáveis. Então bora falar a real: 3 pontos negativos e 3 positivos que mostram por que a série ainda divide opiniões.

1º NEGATIVO — Roronoa Zoro parece um adolescente depressivo

Vamos começar com polêmica pesada, porque criticar o Zoro é quase como criticar o Goku para fãs de ‘Dragon Ball. Só que existe um detalhe importante: no anime e no mangá, Zoro é o típico espadachim durão… mas ele também é muito expressivo e engraçado em vários momentos.

No live-action, o ator faz um bom trabalho, mas o roteiro decidiu transformar o personagem em algo muito mais fechado. Em várias cenas, enquanto todos os Chapéus de Palha estão se divertindo, Zoro parece um adolescente emburrado olhando para o nada. Uma cena ou outra tudo bem, mas quando isso vira o padrão, acaba tirando parte do charme do personagem.

Isso fica ainda mais curioso porque uma crítica comum no próprio mangá recente é justamente que o Zoro ficou sério demais ao longo da história. Ou seja, parece que a série pegou exatamente esse defeito e exagerou nele. Ainda existem momentos divertidos — como as discussões com Sanji — mas no geral o personagem passa muito tempo “farmando aura” em silêncio, o que acaba ficando bobo e forçado.

1º POSITIVO — Elenco e dublagem simplesmente perfeitos

Se tem uma coisa que a série acertou em cheio foi o elenco e a escolha dos atores. O próprio Oda participou do processo de aprovação dos personagens, e isso fez muita diferença. Personagens como Nami, Nico Robin e Monkey D. Dragon ficaram incrivelmente fiéis ao espírito da obra.

E tem um detalhe especial para o público brasileiro: a dublagem brasileira usa vozes muito próximas das que conhecemos no anime. Isso cria uma conexão emocional gigantesca. Para o público americano, as vozes são completamente diferentes, mas para nós parece que estamos vendo o anime ganhar vida.

Outro ponto interessante é a escolha de etnias. Por exemplo, a atriz que interpreta Robin é russa — exatamente como Oda disse que seria a nacionalidade dela no mundo real. Já Nefertari Vivi ganhou uma atriz com traços muito mais coerentes com um reino inspirado no Oriente Médio e no norte da África, o que combina com Alabasta.

one piece a série
Reprodução – Netflix/ONE PIECE

No caso do Brook, é bem óbvio que ele sempre foi um personagem essencialmente negro e qualquer crítica a escolha da série é digna de uma autorreflexão pesada. Um personagem inspirado no Jimi Hendrix e Slash, que tem um “afro”(BLACK power) e que é o SOUL King, ou seja – o rei de um estilo de música essencialmente negro, faz com que seja óbvia a escolha do Oda e da produção.

2º NEGATIVO — Cenas icônicas foram cortadas

Uma das críticas mais fortes da nova temporada é que várias cenas icônicas do mangá simplesmente desapareceram. Um exemplo clássico é a passagem pelo Calm Belt antes da Reverse Mountain, quando aparecem Reis dos Mares gigantescos cercando o navio.

No mangá essa cena é meio aleatória, é verdade. Ela não tem grande impacto na história naquele momento. Mas visualmente é absurda: o Merry em cima de um Rei dos Mares gigantesco é uma imagem inesquecível para qualquer fã.

Outro corte que gerou reclamações envolve a Laboon. No anime, Laboon é uma baleia-ilha gigantesca, com estruturas construídas dentro dela pelo médico Crocus. No live-action, isso foi simplificado, e muita gente sentiu que uma das ideias mais malucas e criativas de ‘One Piece’ acabou sendo desperdiçada.

laboon no mangá de one piece
Reprodução – ONE PIECE Magazine

2º POSITIVO — Retcons ficaram muito mais bem amarrados

Por outro lado, a série fez algo que até o próprio mangá demorou décadas para organizar: amarrar melhor certos retcons da história. ‘One Piece’ é gigantesco, e mesmo um gênio como Oda acabou criando várias ideias que só foram encaixadas depois.

Um exemplo clássico é Brook. No mangá, quando Crocus fala dos Piratas Rumbar, Brook simplesmente não aparece, porque ele ainda não existia como personagem. Só centenas de capítulos depois a história foi conectada. No live-action, essa ligação já aparece desde o início, deixando tudo mais coerente.

Outros exemplos incluem aparições antecipadas de personagens como Sabo e Bartolomeo. Esses detalhes ajudam a criar a sensação de que o mundo já estava planejado desde o começo, algo que no mangá foi sendo construído aos poucos.

Brook e Laboon
Reprodução – Netflix

3º NEGATIVO — Personagens ficam “cegos, surdos e burros” em certas cenas

Infelizmente, alguns momentos do roteiro parecem ignorar completamente a lógica da situação. Um exemplo envolve Mr. 9 e Vivi dentro de Laboon. Em certo momento, Mr. 9 aparece fingindo ser um cadáver… mesmo depois de os personagens já terem observado o corpo de perto, onde claramente ele não estava lá. Cenas desconexas e incoerentes numa tentativa de humor que quebra a imersão.

Isso gera uma situação estranha: para dar um susto, o personagem teria literalmente arrastado um cadáver, jogado para o lado e sentado no lugar dele. A cena começa engraçada, mas quando você pensa dois segundos, percebe que não faz o menor sentido.

Outro momento curioso acontece quando Nami luta contra Vivi e Zoro está a poucos metros de distância. As duas estão gritando e brigando… e mesmo assim ele não ouve absolutamente nada. São pequenas decisões de roteiro que acabam quebrando a imersão.

Vivi e Mr. 9 presos na série de One Piece
Reprodução – Netflix/ONE PIECE

3º POSITIVO — As cenas de luta são espetaculares

Se tem uma área em que o live-action realmente brilhou foi nas cenas de ação. Mesmo com limitações de cenário e orçamento, a direção conseguiu criar sequências muito bem coreografadas. A melhor de todas acontece em Whiskey Peak, quando Zoro enfrenta cem agentes da Baroque Works. E não é exagero: o próprio ator confirmou que foram realmente 100 inimigos na cena, algo que poderia facilmente ter sido resolvido com cortes e edição.

O resultado é uma sequência impressionante, quase como uma peça de teatro gigantesca de ação, com coreografias elaboradas e ritmo intenso. Somando isso às lutas envolvendo gigantes e outros personagens, fica claro que a série conseguiu entregar cenas de combate muito melhores do que a maioria das produções atuais de super-heróis.

No final das contas, a nova temporada tem defeitos — alguns bem gritantes — mas também entrega momentos que capturam perfeitamente o espírito de ‘One Piece’. E quando a série acerta no emocional, como nas cenas envolvendo Laboon ou os sonhos da tripulação, fica impossível não sentir que estamos vendo algo feito com verdadeiro carinho pela obra original.

zoro na série live action
Reprodução – Netflix/ONE PIECE
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