A primeira temporada do live-action de ‘One Piece’ foi simplesmente um fenômeno global. A adaptação do mangá criado por Eiichiro Oda conseguiu algo que parecia impossível: quebrar a maldição das adaptações de anime para live-action. O resultado foi uma série carismática, divertida e com personagens que rapidamente conquistaram novos fãs — inclusive quem nunca tinha visto o anime ou lido o mangá. Mas… como tudo, tem seus pontos positivos e negativos!
Com o sucesso gigantesco, a expectativa para a nova temporada foi lá para o alto. E como sempre acontece quando o hype explode, a análise precisa ser justa: a série trouxe coisas incríveis, mas também tomou algumas decisões bem questionáveis. Então bora falar a real: 3 pontos negativos e 3 positivos que mostram por que a série ainda divide opiniões.
1º NEGATIVO — Roronoa Zoro parece um adolescente depressivo
Vamos começar com polêmica pesada, porque criticar o Zoro é quase como criticar o Goku para fãs de ‘Dragon Ball’. Só que existe um detalhe importante: no anime e no mangá, Zoro é o típico espadachim durão… mas ele também é muito expressivo e engraçado em vários momentos.
No live-action, o ator faz um bom trabalho, mas o roteiro decidiu transformar o personagem em algo muito mais fechado. Em várias cenas, enquanto todos os Chapéus de Palha estão se divertindo, Zoro parece um adolescente emburrado olhando para o nada. Uma cena ou outra tudo bem, mas quando isso vira o padrão, acaba tirando parte do charme do personagem.
Isso fica ainda mais curioso porque uma crítica comum no próprio mangá recente é justamente que o Zoro ficou sério demais ao longo da história. Ou seja, parece que a série pegou exatamente esse defeito e exagerou nele. Ainda existem momentos divertidos — como as discussões com Sanji — mas no geral o personagem passa muito tempo “farmando aura” em silêncio, o que acaba ficando bobo e forçado.
1º POSITIVO — Elenco e dublagem simplesmente perfeitos
Se tem uma coisa que a série acertou em cheio foi o elenco e a escolha dos atores. O próprio Oda participou do processo de aprovação dos personagens, e isso fez muita diferença. Personagens como Nami, Nico Robin e Monkey D. Dragon ficaram incrivelmente fiéis ao espírito da obra.
E tem um detalhe especial para o público brasileiro: a dublagem brasileira usa vozes muito próximas das que conhecemos no anime. Isso cria uma conexão emocional gigantesca. Para o público americano, as vozes são completamente diferentes, mas para nós parece que estamos vendo o anime ganhar vida.
Outro ponto interessante é a escolha de etnias. Por exemplo, a atriz que interpreta Robin é russa — exatamente como Oda disse que seria a nacionalidade dela no mundo real. Já Nefertari Vivi ganhou uma atriz com traços muito mais coerentes com um reino inspirado no Oriente Médio e no norte da África, o que combina com Alabasta.

No caso do Brook, é bem óbvio que ele sempre foi um personagem essencialmente negro e qualquer crítica a escolha da série é digna de uma autorreflexão pesada. Um personagem inspirado no Jimi Hendrix e Slash, que tem um “afro”(BLACK power) e que é o SOUL King, ou seja – o rei de um estilo de música essencialmente negro, faz com que seja óbvia a escolha do Oda e da produção.
2º NEGATIVO — Cenas icônicas foram cortadas
Uma das críticas mais fortes da nova temporada é que várias cenas icônicas do mangá simplesmente desapareceram. Um exemplo clássico é a passagem pelo Calm Belt antes da Reverse Mountain, quando aparecem Reis dos Mares gigantescos cercando o navio.
No mangá essa cena é meio aleatória, é verdade. Ela não tem grande impacto na história naquele momento. Mas visualmente é absurda: o Merry em cima de um Rei dos Mares gigantesco é uma imagem inesquecível para qualquer fã.
Outro corte que gerou reclamações envolve a Laboon. No anime, Laboon é uma baleia-ilha gigantesca, com estruturas construídas dentro dela pelo médico Crocus. No live-action, isso foi simplificado, e muita gente sentiu que uma das ideias mais malucas e criativas de ‘One Piece’ acabou sendo desperdiçada.

2º POSITIVO — Retcons ficaram muito mais bem amarrados
Por outro lado, a série fez algo que até o próprio mangá demorou décadas para organizar: amarrar melhor certos retcons da história. ‘One Piece’ é gigantesco, e mesmo um gênio como Oda acabou criando várias ideias que só foram encaixadas depois.
Um exemplo clássico é Brook. No mangá, quando Crocus fala dos Piratas Rumbar, Brook simplesmente não aparece, porque ele ainda não existia como personagem. Só centenas de capítulos depois a história foi conectada. No live-action, essa ligação já aparece desde o início, deixando tudo mais coerente.
Outros exemplos incluem aparições antecipadas de personagens como Sabo e Bartolomeo. Esses detalhes ajudam a criar a sensação de que o mundo já estava planejado desde o começo, algo que no mangá foi sendo construído aos poucos.

3º NEGATIVO — Personagens ficam “cegos, surdos e burros” em certas cenas
Infelizmente, alguns momentos do roteiro parecem ignorar completamente a lógica da situação. Um exemplo envolve Mr. 9 e Vivi dentro de Laboon. Em certo momento, Mr. 9 aparece fingindo ser um cadáver… mesmo depois de os personagens já terem observado o corpo de perto, onde claramente ele não estava lá. Cenas desconexas e incoerentes numa tentativa de humor que quebra a imersão.
Isso gera uma situação estranha: para dar um susto, o personagem teria literalmente arrastado um cadáver, jogado para o lado e sentado no lugar dele. A cena começa engraçada, mas quando você pensa dois segundos, percebe que não faz o menor sentido.
Outro momento curioso acontece quando Nami luta contra Vivi e Zoro está a poucos metros de distância. As duas estão gritando e brigando… e mesmo assim ele não ouve absolutamente nada. São pequenas decisões de roteiro que acabam quebrando a imersão.

3º POSITIVO — As cenas de luta são espetaculares
Se tem uma área em que o live-action realmente brilhou foi nas cenas de ação. Mesmo com limitações de cenário e orçamento, a direção conseguiu criar sequências muito bem coreografadas. A melhor de todas acontece em Whiskey Peak, quando Zoro enfrenta cem agentes da Baroque Works. E não é exagero: o próprio ator confirmou que foram realmente 100 inimigos na cena, algo que poderia facilmente ter sido resolvido com cortes e edição.
O resultado é uma sequência impressionante, quase como uma peça de teatro gigantesca de ação, com coreografias elaboradas e ritmo intenso. Somando isso às lutas envolvendo gigantes e outros personagens, fica claro que a série conseguiu entregar cenas de combate muito melhores do que a maioria das produções atuais de super-heróis.
No final das contas, a nova temporada tem defeitos — alguns bem gritantes — mas também entrega momentos que capturam perfeitamente o espírito de ‘One Piece’. E quando a série acerta no emocional, como nas cenas envolvendo Laboon ou os sonhos da tripulação, fica impossível não sentir que estamos vendo algo feito com verdadeiro carinho pela obra original.






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