Reboot de Resident Evil: o que esperar do filme de terror de 2026

William Prado

Depois de conquistar a crítica e o público com “A Hora do Mal” em 2025, Cregger se consolidou como uma das vozes mais respeitadas do terror contemporâneo. Agora, o cineasta assume a missão de transformar uma das franquias mais icônicas dos videogames em um filme que finalmente faça jus ao material de origem. Em entrevista exclusiva ao ComicBook, Roy Lee revelou qual sensação Cregger pretende provocar na plateia.

Cregger quer recriar a tensão dos jogos no cinema

Roy Lee, que trabalha ao lado de Cregger no projeto, explicou durante a divulgação do filme “Psycho Killer” que o diretor tem uma visão muito clara para o novo filme de Resident Evil. Segundo o produtor, a prioridade de Cregger é transportar para as telonas a mesma experiência emocional que os jogadores sentem diante dos games.

O que Zach quer fazer é proporcionar ao público a experiência daquilo que ele sentiu jogando, porque ele ama os jogos. Ele diz que existe uma sensação específica quando você está prestes a entrar em uma determinada área, com recursos limitados, e não quer entrar, mas sabe que precisa. Ele quer que as pessoas sintam isso ao assistirem ao filme.

Essa declaração é bastante reveladora. Quem já jogou qualquer título da franquia Resident Evil sabe exatamente do que Lee está falando. Aquela hesitação antes de abrir uma porta, a contagem mental de munição, o medo do que pode estar esperando no próximo corredor. Cregger não quer apenas adaptar um jogo, mas sim traduzir uma sensação visceral para a linguagem cinematográfica.

Uma história original para evitar os erros do passado

Já é sabido que o reboot de Resident Evil contará uma história inédita, sem adaptar diretamente nenhum dos jogos da série. Essa decisão pode parecer arriscada à primeira vista, mas faz todo o sentido quando analisamos o histórico das adaptações de videogames para o cinema.

Tentativas de traduzir fielmente a narrativa de um jogo para outro formato costumam esbarrar em dois problemas recorrentes. Primeiro, a limitação de tempo obriga os roteiristas a comprimir tramas que se desenrolam ao longo de dezenas de horas. Além disso, a ausência da interatividade remove justamente o elemento que torna a experiência tão marcante para os jogadores.

Ao optar por uma narrativa própria, Cregger ganha liberdade criativa para construir algo pensado especificamente para o cinema. A franquia Resident Evil é muito maior do que qualquer personagem individual. Os jogos já apresentaram diferentes protagonistas ao longo dos anos, como Ethan Winters em “Resident Evil 7: Biohazard” (Resident Evil 7: Biohazard) e “Resident Evil Village” (Resident Evil Village). Portanto, explorar novas perspectivas dentro desse universo está longe de ser uma novidade para a série.

Os rumores sobre a trama

Embora uma sinopse oficial ainda não tenha sido divulgada, Cregger já deu algumas pistas sobre o que está planejando. O diretor confirmou que a trama acompanha um personagem em uma jornada linear, de um ponto a outro. Segundo rumores, a história envolveria um entregador encarregado de levar um pacote até um hospital abandonado.

Se essa premissa se confirmar, o cenário é perfeito para o tipo de terror que a franquia sempre representou. Um protagonista com recursos escassos, navegando por um ambiente hostil e desconhecido, sem saber o que o aguarda em cada esquina. Essa estrutura permitiria que Cregger explorasse os elementos clássicos do survival horror de forma orgânica, ao mesmo tempo em que surpreende a audiência com uma narrativa totalmente inédita.

Por que Zach Cregger é a escolha certa

O currículo de Cregger fala por si. Em 2022, ele surpreendeu o mundo com “O Bárbaro” (Barbarian), um filme de terror que se tornou fenômeno de público e crítica graças à sua capacidade de subverter expectativas. O longa demonstrou que o diretor domina a arte de criar atmosferas sufocantes e momentos de tensão genuína, além de inserir humor negro de forma orgânica em situações extremas.

Com “A Hora do Mal”, lançado em agosto de 2025, Cregger elevou ainda mais o nível. O filme alcançou 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e arrecadou mais de US$ 70 milhões em seu fim de semana de estreia, consolidando o cineasta como um dos grandes nomes do terror moderno. A capacidade de mesclar horror genuíno com momentos de alívio cômico e personagens cativantes é exatamente o que Resident Evil precisa.

Vale lembrar que a franquia já teve diversas adaptações em diferentes mídias ao longo dos anos. Nos cinemas, foram seis filmes estrelados por Milla Jovovich entre 2002 e 2017, seguidos pelo reboot “Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City” (Resident Evil: Welcome to Raccoon City) em 2021. Nenhuma dessas produções conquistou a aprovação unânime da crítica, apesar do sucesso comercial da série original. Com Cregger no comando, existe uma expectativa concreta de que isso finalmente mude.

Se o reboot de Resident Evil de Cregger corresponder ao potencial demonstrado por seus trabalhos anteriores, estamos diante de uma possível revolução para as adaptações de games nos cinemas. O filme pode provar que é possível capturar a essência de uma experiência interativa sem precisar replicá-la literalmente.

Para os fãs, o recado é animador. Cregger não é apenas um diretor talentoso escalado para um projeto comercial. Ele é um jogador apaixonado pela série, que entende visceralmente o que torna Resident Evil especial. Essa combinação de talento comprovado e conexão pessoal com o material é rara em Hollywood, e pode ser o ingrediente que faltava para que a franquia finalmente brilhe nas telonas.

Ainda não há data oficial de estreia, mas o novo filme de Resident Evil está previsto para chegar aos cinemas em 2026.

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