O Universo Cinematográfico Marvel (UCM) começou em 2008 e já conta com mais de 30 filmes. Nesse período, a franquia apresentou ao público uma enorme variedade de antagonistas, interpretados por nomes de peso de Hollywood. Alguns se tornaram ícones da cultura pop, enquanto outros ficaram esquecidos na memória dos fãs. Todos, porém, tiveram seu papel na construção dessa saga cinematográfica sem precedentes.
Abaixo, você encontra todos os vilões dos filmes do UCM explicados, com detalhes sobre quem são, o que os motiva e qual foi seu impacto na franquia.
“Homem de Ferro” (2008)
Raza e os Dez Anéis (Faran Tahir)

O UCM nasceu com Raza, líder de uma célula terrorista vinculada à misteriosa organização dos Dez Anéis. Ele comanda o grupo responsável pelo sequestro de Tony Stark no Afeganistão, episódio que força o bilionário a construir a primeira armadura do Homem de Ferro dentro de uma caverna. Dentro da trama, Raza funciona como o estopim de tudo: sem ele, Tony Stark jamais teria se tornado um herói. Além disso, a organização que ele representa só ganharia explicação completa mais de uma década depois, em “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” (2021), quando conhecemos o verdadeiro líder do grupo.
Obadiah Stane/Monge de Ferro (Jeff Bridges)

Obadiah Stane ocupava o cargo de diretor das Indústrias Stark e agia como uma espécie de figura paterna para Tony após a morte de Howard Stark. Por trás dessa fachada, Stane negociava armas ilegalmente e foi o verdadeiro mandante do sequestro de Tony. Jeff Bridges dá ao personagem um ar de empresário confiável que esconde uma ambição sem limites. Quando Stane constrói sua própria versão da armadura, o Monge de Ferro, o confronto final se torna pessoal: é o pupilo contra o mentor, a confiança destruída pelo dinheiro e pelo poder. Stane estabeleceu um padrão importante no UCM: o vilão que está mais perto do herói do que qualquer inimigo externo.
“O Incrível Hulk” (2008)
Emil Blonsky/Abominável (Tim Roth)

Emil Blonsky é um veterano militar de origem russa que atua como soldado de elite para o exército dos Estados Unidos. Ao testemunhar a força descomunal do Hulk em combate, Blonsky desenvolve uma fixação por aquele poder. Ele aceita voluntariamente receber uma versão do soro do supersoldado, mas isso não é suficiente para sua obsessão.
Ao combinar o soro com o sangue de Bruce Banner, Blonsky se transforma no Abominável, uma criatura tão forte quanto o Hulk, porém sem qualquer controle sobre sua fúria. Tim Roth constrói o personagem como alguém que envelhece assistindo seu corpo físico se deteriorar e enxerga no Hulk a juventude e a força que lhe escapam. É um vilão movido pela inveja em sua forma mais primitiva.
“Homem de Ferro 2” (2010)
Ivan Vanko (Mickey Rourke)

Ivan Vanko carrega nas costas o peso de uma injustiça familiar. Seu pai, Anton Vanko, foi coautor da tecnologia do Reator Arc ao lado de Howard Stark, mas acabou deportado para a Rússia e morreu na miséria.
Essa mágoa geracional é o combustível de Ivan, que constrói chicotes energéticos alimentados pela mesma tecnologia que tornou os Stark bilionários.
Mickey Rourke compõe o personagem como um homem de poucas palavras e muita raiva contida, alguém que não busca dinheiro ou poder, mas simplesmente quer provar ao mundo que o nome Stark não é sinônimo de genialidade.
Para ele, basta arranhar a armadura de Tony para mostrar que o mito do Homem de Ferro tem falhas.
Justin Hammer (Sam Rockwell)

Justin Hammer é o CEO da Hammer Industries, principal concorrente das Indústrias Stark no ramo de tecnologia militar. O problema de Hammer é que ele nunca consegue produzir nada tão bom quanto Stark.
Seus protótipos falham, suas demonstrações são constrangedoras e seu ego é inversamente proporcional à sua competência. Sam Rockwell transforma o que poderia ser um antagonista descartável em um personagem memorável, entregando cada cena com um timing cômico afiado.
Hammer é responsável por libertar Vanko da prisão e financiar suas armas, o que faz dele o elo entre o vilão emocional e a ameaça tecnológica do filme. O personagem sobrevive aos eventos de “Homem de Ferro 2” e é preso, mas seu destino no UCM permanece em aberto.
“Thor” (2011)
Loki (Tom Hiddleston)

Loki estreou no UCM como o irmão adotivo de Thor, um príncipe de Asgard que descobre ser, na verdade, filho de Laufey, rei dos Gigantes de Gelo.
Essa revelação abala completamente sua identidade: Loki percebe que nunca pertenceu verdadeiramente à família que o criou e que jamais seria escolhido para o trono. Tom Hiddleston construiu, filme após filme, uma das trajetórias mais ricas de todo o Universo Cinematográfico Marvel.
Ao longo de “Thor”, “Os Vingadores”, “Thor: O Mundo Sombrio”, “Thor: Ragnarok”, “Vingadores: Guerra Infinita” e da série “Loki” no Disney+, o personagem transitou entre vilão, anti-herói e, eventualmente, uma figura trágica que sacrifica tudo pelo multiverso.
O Deus da Trapaça é movido por ressentimento, ciúme e uma necessidade desesperada de validação, sentimentos universais que fazem dele um vilão profundamente humano, apesar de ser um deus.
Sua confirmação em “Vingadores: Doutor Destino” é uma das notícias mais aguardadas pelos fãs.
Laufey (Colm Feore)

Laufey é o Rei de Jotunheim, o reino dos Gigantes de Gelo, e pai biológico de Loki. Ele governa um povo que foi derrotado por Odin décadas antes dos eventos do filme e deseja recuperar o Baú dos Invernos Antigos para restaurar o poder de sua raça.
Contudo, Laufey acaba sendo uma peça no jogo de manipulação do próprio filho: Loki permite que o Gigante de Gelo entre em Asgard apenas para matá-lo diante de Odin e provar sua lealdade. É um destino irônico para um rei que se considerava o maior estrategista de seu mundo.
“Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011)
Caveira Vermelha (Hugo Weaving)

Johann Schmidt era um cientista nazista da divisão Hydra que se submeteu a uma versão imperfeita do soro do supersoldado, o mesmo que transformaria Steve Rogers no Capitão América. O soro amplificou tudo que Schmidt já tinha dentro de si: ambição, crueldade e sede de poder.
O resultado foi o Caveira Vermelha, um ser com força sobre-humana e um rosto desfigurado que reflete sua natureza interior. Hugo Weaving empresta ao personagem uma frieza calculista que contrasta perfeitamente com o idealismo inabalável do Capitão América.
Embora aparentemente destruído ao tocar o Tesseract, Schmidt foi na verdade transportado para o planeta Vormir, onde se tornou o guardião solitário da Joia da Alma, preso em uma ironia cósmica: o homem que buscava poder infinito acabou condenado a servir eternamente uma das Joias do Infinito.
“Homem de Ferro 3” (2013)
Aldrich Killian (Guy Pearce)

Aldrich Killian é um cientista que desenvolveu o Extremis, um tratamento genético experimental capaz de regenerar tecidos humanos e conferir força sobre-humana, mas com um efeito colateral grave: os pacientes podem se tornar instáveis e explodir, literalmente.
No passado, Killian tentou apresentar suas pesquisas a Tony Stark, que o ignorou completamente. Essa rejeição alimentou anos de ressentimento e transformou o cientista em um empresário perigoso, disposto a manipular o terrorismo internacional para seus próprios fins.
Guy Pearce entrega o papel com uma elegância fria que esconde a raiva acumulada do personagem. Killian também é o responsável pela controversa reviravolta envolvendo o Mandarim no filme, criando uma fachada terrorista para encobrir suas operações.
“Thor: O Mundo Sombrio” (2013)
Malekith (Christopher Eccleston)

Malekith é o líder dos Elfos Negros de Svartalfheim, uma raça ancestral que existia antes do próprio universo ser iluminado. Seu objetivo é usar uma substância chamada Éter (na verdade, a Joia da Realidade) para devolver o cosmos à escuridão primordial durante um evento astronômico chamado Convergência.
Nos quadrinhos, especialmente nas aclamadas histórias de Thor escritas por Walt Simonson, Malekith é um antagonista complexo e temível. Na adaptação cinematográfica, porém, o personagem recebe pouco desenvolvimento.
Christopher Eccleston, conhecido por papéis intensos na TV britânica, tem pouco material para trabalhar, e Malekith acaba funcionando mais como uma ameaça genérica do que como um vilão com personalidade definida.
“Capitão América: O Soldado Invernal” (2014)
Alexander Pierce (Robert Redford)

Alexander Pierce é um dos líderes do Conselho de Segurança Mundial e membro sênior da S.H.I.E.L.D. que se revela como agente infiltrado da Hydra. O plano de Pierce é usar o Projeto Insight, um sistema de helicarriers armados com algoritmos preditivos, para eliminar preventivamente qualquer pessoa que represente uma ameaça à Hydra.
Robert Redford dá ao personagem a aparência perfeita de estadista respeitável, alguém que fala sobre segurança nacional com uma convicção que faz suas ideias autoritárias parecerem razoáveis.
Pierce representa uma ameaça diferente de tudo que o UCM havia mostrado até então: não é um supervilão com poderes, mas um burocrata com acesso a armamento de destruição em massa e a paciência de quem infiltrou uma organização durante décadas.
Brock Rumlow/Ossos Cruzados (Frank Grillo)

Rumlow é o líder da equipe tática S.T.R.I.K.E. dentro da S.H.I.E.L.D., apresentado inicialmente como um aliado de Steve Rogers. Sua verdadeira lealdade, porém, é com a Hydra.
Frank Grillo interpreta Rumlow como um soldado eficiente e implacável, alguém que executa ordens sem hesitação e sem remorso. Após sobreviver ao colapso do Triskelion, Rumlow ressurge em “Capitão América: Guerra Civil” como Ossos Cruzados, usando uma armadura tática e explosivos em uma missão terrorista em Lagos.
Seu ataque suicida naquele filme é o gatilho para os Acordos de Sokovia, que dividem os Vingadores. É impressionante como um personagem com relativamente pouco tempo de tela gera consequências tão profundas para toda a franquia.
“Guardiões da Galáxia” (2014)
Ronan, o Acusador (Lee Pace)

Ronan é um guerreiro fanático do Império Kree que recusa o tratado de paz assinado entre seu povo e o planeta Xandar. Para ele, os xandarianos são inimigos que merecem ser exterminados, e nenhuma diplomacia vai mudar isso. Inicialmente, Ronan trabalha para Thanos, concordando em recuperar o Orbe (que contém a Joia do Poder) em troca da destruição de Xandar.
Porém, ao perceber o poder da Joia, Ronan decide usá-la para si mesmo e desafia abertamente o Titã Louco. Lee Pace constrói o personagem com uma intensidade quase religiosa: Ronan vê a si mesmo como um purificador, um instrumento de justiça Kree.
O personagem também aparece brevemente em “Capitã Marvel”, ambientado nos anos 1990, quando ainda era um comandante militar antes de sua radicalização total.
“Vingadores: Era de Ultron” (2015)
Ultron (James Spader)

Ultron é uma inteligência artificial criada por Tony Stark e Bruce Banner a partir da Joia da Mente, com o objetivo de proteger a Terra.
Em questão de segundos após ganhar consciência, Ultron analisa a história da humanidade e conclui que a maior ameaça ao planeta são os próprios humanos, especialmente os Vingadores.
James Spader dá voz e corpo (via captura de movimento) a essa IA genocida com uma personalidade surpreendentemente humana: Ultron é vaidoso, irritadiço e possui um senso de humor sarcástico que herdou involuntariamente de Tony Stark.
É nesse espelhamento com seu criador que o vilão se torna fascinante. Ultron odeia a humanidade, mas age de forma profundamente humana, com inseguranças, vaidade e raiva.
Ulysses Klaue (Andy Serkis)

Ulysses Klaue é um traficante de armas sul-africano especializado em vibranium, o metal mais valioso do universo Marvel, extraído exclusivamente de Wakanda. Em “Era de Ultron”, ele aparece como fornecedor de vibranium para Ultron e perde um braço no processo. Em “Pantera Negra”, Klaue retorna com uma prótese armada, continuando suas operações ilegais.
Andy Serkis interpreta o personagem com uma energia imprevisível e quase maníaca: Klaue ri quando deveria ter medo, provoca quando deveria se calar e transforma cada cena em algo caoticamente divertido.
Ele representa a primeira grande ameaça externa que Wakanda enfrenta nos filmes, e sua história com o país vai muito além de simples roubo: Klaue foi o responsável pelo ataque que matou wakandanos e expôs a existência do vibranium ao mundo.
“Homem-Formiga” (2015)
Darren Cross/Jaqueta Amarela (Corey Stoll)

Darren Cross foi protegido de Hank Pym e assumiu a liderança da Pym Technologies após afastar seu mentor da própria empresa. Obcecado em replicar a tecnologia de encolhimento que Pym mantinha em segredo, Cross desenvolve o traje da Jaqueta Amarela e planeja vendê-lo como arma militar para a Hydra e outros compradores.
Corey Stoll apresenta Cross como um homem brilhante, porém emocionalmente instável, possivelmente afetado pela exposição prolongada às Partículas Pym. O personagem é, em essência, o reflexo sombrio de Scott Lang: enquanto o herói usa a tecnologia para proteger sua família, Cross a usa para satisfazer sua ambição e provar que é superior a Pym.
“Capitão América: Guerra Civil” (2016)
Helmut Zemo (Daniel Brühl)

Zemo é um personagem extraordinário. Ele não é um robô, não é um alienígena e não possui superpoderes. É simplesmente um homem comum, motivado pela dor da perda e dotado de uma inteligência estratégica assustadora. O plano de Zemo é, possivelmente, o mais bem-sucedido de qualquer vilão do UCM: ele sabia que não poderia derrotar os Vingadores sozinho, então os manipulou para que se destruíssem por dentro.
Daniel Brühl interpreta essas maquinações com uma precisão maquiavélica impressionante. O fato de Zemo ter sido mantido vivo na franquia é uma das melhores decisões da Marvel, permitindo que o personagem retornasse com grande impacto em “Falcão e o Soldado Invernal”.
“Doutor Estranho” (2016)
Kaecilius (Mads Mikkelsen)

Kaecilius é um ex-mestre das artes místicas que abandona os ensinamentos da Anciã após perder sua família. Desiludido com a morte e com o que considera hipocrisia de seus mentores, ele se volta para Dormammu, a entidade da Dimensão Negra, buscando a vida eterna.
Mads Mikkelsen, ator dinamarquês reconhecido mundialmente por papéis como Hannibal Lecter na TV, traz uma gravidade intensa ao papel. Kaecilius representa algo interessante dentro da narrativa: ele é, na verdade, um homem enlutado que encontrou as respostas erradas para perguntas legítimas.
Sua existência no filme serve para mostrar a Stephen Strange o que acontece quando um praticante das artes místicas deixa a dor guiar suas escolhas.
“Guardiões da Galáxia Vol. 2” (2017)
Ego, o Planeta Vivo (Kurt Russell)

Ego é um Celestial, um dos seres mais antigos e poderosos do universo Marvel, que assumiu forma humana para explorar a galáxia. Ele é o pai biológico de Peter Quill, o Star-Lord, e se apresenta como o genitor ausente que finalmente reencontra o filho.
Kurt Russell entra no filme esbanjando simpatia e carisma, o que torna a revelação de suas verdadeiras intenções ainda mais perturbadora. Ego viajou por incontáveis planetas, implantando extensões de si mesmo com o objetivo de absorver toda a galáxia e se tornar o único ser existente.
Para isso, ele precisava de um herdeiro com genes celestiais, o que explica por que gerou filhos com diversas espécies pelo universo e matou todos que não possuíam o gene. A relação entre Ego e Quill transforma “Guardiões Vol. 2” em uma história sobre abandono, expectativa e a dor de descobrir que a pessoa que deveria te amar só te enxerga como ferramenta.
Ayesha (Elizabeth Debicki)

Ayesha é a Suma Sacerdotisa dos Soberanos, uma raça geneticamente perfeita e absurdamente vaidosa. Após os Guardiões da Galáxia a ofenderem (mais especificamente, depois que Rocket rouba baterias Anulax dos Soberanos), Ayesha mobiliza toda a frota de seu povo para caçá-los pela galáxia.
Elizabeth Debicki entrega o papel com uma altivez cômica, como se perseguir um grupo de foras da lei fosse uma questão de honra pessoal. Ayesha retorna em “Guardiões da Galáxia Vol. 3” como criadora de Adam Warlock, um ser projetado especificamente para derrotar os Guardiões, revelando que sua obsessão vingativa se estendeu por anos.
“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (2017)
Adrian Toomes/Abutre (Michael Keaton)

Adrian Toomes era dono de uma empresa de limpeza e salvamento contratada para recolher os destroços da Batalha de Nova York. Quando o governo transfere o contrato para o Departamento de Controle de Danos, Toomes perde tudo e decide usar a tecnologia alienígena que já havia recolhido para criar um negócio clandestino de tráfico de armas.
Michael Keaton entrega o personagem com uma naturalidade que faz o público entender cada decisão de Toomes: ele é um pai de família que viu o sistema virá-lo de costas e decidiu jogar fora das regras. O grande diferencial do Abutre é sua conexão pessoal com Peter Parker, que se revela de forma surpreendente ao longo do filme.
Toomes não é um megalomaníaco ou um conquistador: é um homem que acredita estar protegendo os seus, mesmo que para isso precise cruzar linhas que jamais deveria cruzar. Essa humanidade faz dele um dos antagonistas mais tridimensionais de toda a franquia.
“Thor: Ragnarok” (2017)
Hela (Cate Blanchett)

Hela é a Deusa da Morte, primogênita de Odin e irmã mais velha de Thor e Loki. Durante séculos, ela foi a principal arma de conquista de Asgard, liderando os exércitos de Odin em campanhas sangrentas pelos Nove Reinos. Quando Odin decidiu mudar seus métodos e buscar a paz, Hela se rebelou e foi aprisionada.
Com a morte de Odin em “Ragnarok”, ela é libertada e retorna para reivindicar o trono. Cate Blanchett, duas vezes premiada com o Oscar, traz uma presença imponente ao papel: Hela destrói o Mjolnir com facilidade, derrota o exército asgardiano sozinha e se apresenta como uma força da qual nem Thor consegue escapar.
Sua existência levanta uma questão incômoda sobre Asgard: toda a grandeza do reino foi construída sobre conquista e sangue, e Hela é a prova viva dessa história que Odin tentou apagar.
Grão-Mestre (Jeff Goldblum)

O Grão-Mestre é o governante absoluto de Sakaar, um planeta-lixeira cósmico onde ele organiza lutas de gladiadores para seu entretenimento. Jeff Goldblum dá ao personagem uma excentricidade que beira o surreal: o Grão-Mestre fala de forma desconexa, possui reações imprevisíveis e trata a morte de seus subordinados com a mesma casualidade com que escolhe uma música para tocar.
Ele é um Ancião do Universo, um ser de milhões de anos que transformou o tédio existencial em sadismo recreativo. Apesar do tom cômico, o Grão-Mestre é genuinamente perigoso: ele escraviza seres de toda a galáxia, incluindo o Hulk, e tem o poder de dissolver pessoas em gosma com um bastão.
“Pantera Negra” (2018)
Erik Killmonger (Michael B. Jordan)

Erik Stevens, conhecido como Killmonger, é filho de N’Jobu, um príncipe wakandano que foi morto pelo próprio irmão, o Rei T’Chaka, após trair Wakanda. Abandonado criança em Oakland, nos Estados Unidos, Erik cresceu sem pai, sem pátria e sem o suporte da nação mais avançada do planeta. Ele canalizou toda essa raiva em treinamento militar de elite, acumulando missões de operações especiais pelo mundo inteiro, cada uma registrada como uma cicatriz ritualística em seu corpo.
Michael B. Jordan constrói Killmonger como alguém que carrega motivações pessoais profundas por trás de seus objetivos. Sua exigência central é que Wakanda use seu poderio tecnológico para ajudar comunidades negras oprimidas ao redor do mundo. É uma posição que gera debates entre os próprios fãs: os métodos de Killmonger são condenáveis, mas sua indignação é legítima.
O impacto do personagem vai além do filme. No desfecho de “Pantera Negra”, T’Challa decide abrir Wakanda para o mundo, indicando que as palavras de seu primo o afetaram de forma permanente.
“Vingadores: Guerra Infinita” (2018)
Thanos (Josh Brolin)

Thanos, o Titã Louco, é natural do planeta Titã, uma civilização que entrou em colapso por excesso populacional. Essa experiência traumática moldou toda a sua filosofia: para Thanos, a única forma de salvar o universo é eliminar metade de toda a vida existente, garantindo que os recursos restantes sejam suficientes para os sobreviventes. Para isso, ele busca as seis Joias do Infinito, artefatos cósmicos que, reunidos na Manopla do Infinito, concedem poder absoluto ao seu portador.
Josh Brolin, por meio de captura de movimento, entrega uma performance que vai muito além do que se esperaria de um vilão digital. Thanos é praticamente o protagonista de “Guerra Infinita”, e o público acompanha sua jornada com uma mistura de horror e fascínio. Ele demonstra afeto genuíno por Gamora, chora ao sacrificá-la e, após cumprir seu objetivo, simplesmente se senta para contemplar o pôr do sol.
É um vilão que acredita estar fazendo o certo com cada fibra do seu ser, e essa convicção o torna aterrorizante. A construção de Thanos ao longo de anos, desde sua primeira aparição nos bastidores em 2012, resultou em um dos antagonistas mais icônicos da história do cinema.
“Homem-Formiga e a Vespa” (2018)
Fantasma (Hannah John-Kamen)

Ava Starr, conhecida como Fantasma, é filha de cientistas que trabalhavam com tecnologia quântica. Após um acidente que matou seus pais, Ava ficou presa em um estado de instabilidade molecular: seu corpo atravessa objetos involuntariamente, causando dor constante. Recrutada pela S.H.I.E.L.D. como agente secreta (sua condição a tornava perfeita para espionagem e infiltração), Ava foi descartada quando a organização caiu.
Desesperada por uma cura, ela se torna uma antagonista circunstancial em “Homem-Formiga e a Vespa”: seus objetivos não são malignos, mas colidem com os dos heróis. É uma personagem marcada pela dor física e emocional, cuja jornada posterior como membro dos “Thunderbolts*” confirma que sempre houve mais vítima do que vilã em Ava Starr.
Sonny Burch (Walton Goggins)

Sonny Burch opera no submundo como intermediário de negócios ilegais envolvendo tecnologia de ponta. Em “Homem-Formiga e a Vespa”, ele tenta se apropriar do laboratório quântico de Hank Pym para revendê-lo a compradores misteriosos que nunca são revelados.
Walton Goggins, conhecido por performances marcantes em séries como “Justified” e “Fallout”, transforma um papel secundário em algo magnético. Burch menciona trabalhar para figuras poderosas durante o filme, uma ponta solta que poderia se conectar a tramas maiores do UCM no futuro.
“Capitã Marvel” (2019)
Yon-Rogg (Jude Law)

Yon-Rogg é um comandante da Starforce Kree que treina Carol Danvers e a manipula para acreditar que ela é uma guerreira Kree. Na verdade, ele ajudou a Inteligência Suprema a suprimir as memórias de Carol e limitar seus poderes, mantendo-a sob controle do Império Kree.
Jude Law interpreta o personagem como um mentor aparentemente dedicado que esconde uma agenda de controle e dominação. Yon-Rogg representa o tipo de vilão que não precisa ser fisicamente ameaçador para ser perigoso: sua arma é a manipulação psicológica, e ele a usa para manter uma das heroínas mais poderosas do UCM acorrentada à sua própria dúvida.
“Homem-Aranha: Longe de Casa” (2019)
Mysterio/Quentin Beck (Jake Gyllenhaal)

Quentin Beck é um ex-funcionário das Indústrias Stark especializado em tecnologia holográfica. Ele criou o sistema B.A.F.O. (Binária Argumentação de Frame Ornamental), apresentado brevemente em “Capitão América: Guerra Civil”, mas foi demitido por Tony Stark, que ridicularizou o nome da tecnologia.
Amargurado e obcecado por reconhecimento, Beck reúne outros ex-funcionários descontentes da Stark para criar Mysterio, um falso super-herói que usa drones e hologramas para simular ataques alienígenas e se posicionar como salvador do mundo.
Jake Gyllenhaal entrega uma performance que exige versatilidade: Beck precisa ser convincente como herói carismático, depois como manipulador frio e, por fim, como alguém completamente descontrolado.
O personagem é um comentário afiado sobre a era da desinformação: Mysterio prova que, com a tecnologia certa e uma boa narrativa, qualquer pessoa pode fabricar uma realidade inteira. Suas ações têm consequências duradouras para Peter Parker, cuja identidade é exposta ao mundo no final do filme
“Viúva Negra” (2021)
Dreykov (Ray Winstone)

General Dreykov é o criador e líder da Sala Vermelha, o programa secreto russo que sequestra meninas, elimina sua autonomia por meio de condicionamento químico e as transforma em assassinas de elite conhecidas como Viúvas Negras.
Ele é o homem que moldou Natasha Romanoff e Yelena Belova, entre centenas de outras. Ray Winstone interpreta Dreykov como um burocrata do mal: alguém que trata seres humanos como recursos descartáveis com a frieza de quem gerencia uma planilha.
O personagem também controla a Treinadora (Taskmaster), revelado no filme como sua própria filha, Antonia, transformada em arma após ser gravemente ferida em um atentado contra Dreykov orquestrado pela própria Natasha anos antes.
“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” (2021)
Wenwu/Mandarim (Tony Leung)

Wenwu é um guerreiro imortal que descobriu os Dez Anéis, artefatos místicos de poder imenso, há mais de mil anos. Com eles, ele construiu um império secreto que influenciou guerras e governos ao longo dos séculos.
Porém, tudo mudou quando conheceu Ying Li, guardiã da aldeia dimensional de Ta Lo. Por amor, Wenwu abandonou os Anéis e viveu como um homem comum. Quando Ying Li foi assassinada, o luto o consumiu por completo. Wenwu retomou os Anéis e dedicou sua vida a encontrar uma forma de trazê-la de volta, convencido de que ela estava presa em Ta Lo.
Tony Leung, lenda do cinema asiático com décadas de colaboração com o diretor Wong Kar-wai, transforma Wenwu em um antagonista trágico de proporções épicas. Cada ação do personagem nasce do amor e da perda, não de ambição ou crueldade gratuita.
Wenwu é um pai que ama seus filhos, mas cujo luto o cega a ponto de colocar o mundo em risco. É um tipo de vilão que deixa o público dividido: é impossível não entender sua dor, mesmo quando suas escolhas se tornam catastróficas.
“Eternos” (2021)
Kro (Bill Skarsgård)

Kro é o líder dos Deviantes, criaturas predatórias criadas pelos Celestiais que evoluíram ao longo de milhares de anos. Diferente dos outros Deviantes, Kro desenvolve a capacidade de absorver os poderes dos Eternos que mata, ganhando consciência e inteligência ao longo do filme.
Bill Skarsgård, conhecido por interpretar Pennywise em “It: A Coisa”, empresta sua voz ao personagem, mas Kro funciona mais como uma ameaça física do que como um vilão com personalidade definida. “Eternos” é um filme que prioriza a dinâmica interna do grupo de heróis e questões filosóficas sobre o propósito da existência, deixando pouco espaço para desenvolver seu antagonista principal.
“Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021)
Norman Osborn/Duende Verde (Willem Dafoe)

O Duende Verde de Willem Dafoe foi originalmente apresentado no “Homem-Aranha” de Sam Raimi em 2002 e retorna ao UCM por meio da ruptura multiversal causada pelo feitiço de Doutor Estranho. Norman Osborn é um cientista brilhante e CEO da Oscorp que desenvolveu uma fórmula de aprimoramento que destruiu sua sanidade, criando uma personalidade alternativa violenta e caótica: o Duende Verde.
Em “Sem Volta Para Casa”, Dafoe entrega uma performance que amplifica tudo o que fez duas décadas antes. O Norman humano é frágil, confuso e genuinamente aterrorizado por sua própria mente. Já o Duende é pura destruição, alguém que encontra prazer no caos e na dor alheia.
A transição entre as duas personalidades acontece em tempo real, muitas vezes no meio de uma conversa, e é absolutamente perturbadora de assistir. O Duende Verde se torna a ameaça central do filme porque ataca Peter Parker não apenas fisicamente, mas emocionalmente, destruindo tudo que o jovem herói acredita sobre redenção.
“Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” (2022)
Feiticeira Escarlate/Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen)

Wanda Maximoff surgiu no UCM em “Vingadores: Era de Ultron” como uma jovem radicalizada pela Hydra que possuía poderes de manipulação mental e energética. Ao longo de cinco filmes e da série “WandaVision”, acompanhamos sua evolução de heroína traumatizada a uma das figuras mais poderosas do universo.
Em “Multiverso da Loucura”, corrompida pelo Darkhold (o Livro dos Condenados), Wanda se torna a Feiticeira Escarlate em sua forma mais destrutiva, caçando a jovem America Chavez pelo multiverso para roubar seus poderes e se reunir com seus filhos em outra realidade.
Elizabeth Olsen, sob a direção do mestre do terror Sam Raimi, entrega cenas genuinamente assustadoras. A Feiticeira Escarlate dizima equipes inteiras de heróis sem hesitar, persegue suas vítimas com uma determinação implacável e distorce a realidade ao seu redor.
Ao mesmo tempo, toda essa violência nasce de um lugar de dor maternal, o que torna impossível simplesmente rotulá-la como vilã. Wanda é uma mãe enlutada com poder suficiente para reescrever a realidade, e essa combinação é a coisa mais perigosa que o UCM já produziu.
“Thor: Amor e Trovão” (2022)
Gorr, o Carniceiro dos Deuses (Christian Bale)

Gorr era um homem comum de um planeta desértico que dedicou toda a sua vida à adoração dos deuses. Quando sua filha morreu de fome e sede, Gorr clamou por ajuda divina e recebeu silêncio. Ao descobrir que os deuses existiam e simplesmente não se importavam com o sofrimento de seus devotos, a fé de Gorr se transformou em fúria absoluta. Ele empunhou a Necroespada, uma arma capaz de matar divindades, e iniciou uma cruzada para exterminar todos os deuses do universo.
Christian Bale desaparece completamente no papel, com maquiagem que o transforma em uma figura espectralmente pálida e cicatrizada. Nos quadrinhos de Jason Aaron, Gorr é um dos maiores vilões de Thor, e Bale captura essa essência nos momentos em que está presente.
O ponto fraco não está na interpretação, mas na quantidade de tempo que o filme dedica ao personagem: entre as piadas e subtramas românticas de “Amor e Trovão”, Gorr acaba competindo por atenção em vez de dominá-la.
“Pantera Negra: Wakanda Para Sempre” (2022)
Namor (Tenoch Huerta)

Namor, também conhecido como K’uk’ulkan, é o governante de Talokan, uma civilização subaquática fundada por descendentes maias que consumiram uma erva mutada pelo vibranium. Ele é um mutante com asas nos tornozelos, força descomunal e a capacidade de voar, sendo um dos seres mais poderosos já apresentados no UCM. Tenoch Huerta, ator mexicano, dá ao personagem uma dignidade real: Namor fala com a autoridade de quem lidera seu povo há séculos e protege Talokan com uma ferocidade que não admite negociação.
O grande trunfo de Namor é que ele não é um vilão no sentido tradicional. Suas ações contra Wakanda nascem do medo legítimo de que seu povo seja descoberto e explorado pelo mundo da superfície. Ele e Shuri compartilham o luto pela perda de suas mães, o que cria uma conexão emocional complexa entre antagonista e protagonista. Namor sobrevive ao filme e aceita um acordo de paz frágil, deixando claro que seu potencial no UCM está apenas começando.
“Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania” (2023)
Kang, o Conquistador (Jonathan Majors)

Kang é uma variante do viajante temporal Nathaniel Richards, exilado no Reino Quântico por suas outras variantes por ser considerado perigoso demais até mesmo para eles. Dentro do Reino Quântico, Kang construiu um império, escravizou civilizações inteiras e se posicionou como um conquistador interdimensional que deseja escapar para retomar o controle do multiverso.
Jonathan Majors interpreta o personagem com uma gravidade que destoa do tom geralmente leve da franquia do Homem-Formiga. Porém, os planos da Marvel para Kang como vilão central da Saga do Multiverso foram interrompidos após a demissão de Majors da franquia, deixando o personagem em um limbo narrativo.
Darren Cross/M.O.D.O.K. (Corey Stoll)

Darren Cross retorna em “Quantumania” como M.O.D.O.K. (Organismo Mental Projetado Apenas para Matar em português), uma versão grotescamente distorcida de si mesmo. Após ser sugado para o Reino Quântico no primeiro “Homem-Formiga”, Cross foi encontrado por Kang e reconstruído como uma arma biológica com uma cabeça gigante e um corpo diminuto.
Corey Stoll navega entre o patético e o cômico no papel, criando um personagem que gera mais pena do que medo. O visual de M.O.D.O.K. dividiu opiniões entre os fãs, com muitos considerando a adaptação do personagem uma das escolhas mais arriscadas do UCM.
“Guardiões da Galáxia Vol. 3” (2023)
Alto Evolucionário (Chukwudi Iwuji)

O Alto Evolucionário é um cientista obcecado pela criação da sociedade perfeita. Para isso, ele sequestra criaturas de diversos planetas, as modifica geneticamente, observa os resultados e, quando a civilização criada não atinge suas expectativas, a destrói completamente para começar de novo. É ele o responsável por transformar Rocket Raccoon de um guaxinim comum em um ser senciente, submetendo-o a experimentos brutais desde filhote.
Chukwudi Iwuji, que já havia trabalhado com o diretor James Gunn em “Pacificador”, dá vida ao Alto Evolucionário com uma vaidade aristocrática que torna cada cena desconfortável. Esse é um vilão que não mata por raiva ou por ideologia política: ele mata porque considera suas criações descartáveis, como rascunhos que podem ser jogados fora.
A revelação completa do passado de Rocket neste filme transforma o Alto Evolucionário no alvo da fúria de todos os Guardiões, e o público torce pela derrota desse vilão desde o primeiro minuto.
“As Marvels” (2023)
Dar-Benn (Zawe Ashton)

Dar-Benn é uma guerreira Kree que ascende ao poder após a queda da Inteligência Suprema, evento provocado por Carol Danvers no primeiro “Capitã Marvel”. Ela culpa Carol pela destruição de seu planeta e busca restaurar Hala, o mundo natal dos Kree, roubando recursos de outros planetas por meio de portais criados com Bangles (braceletes quânticos).
Zawe Ashton entrega uma personagem movida pela raiva e pelo desespero de salvar seu povo. No entanto, o filme dedica mais tempo à dinâmica do trio protagonista do que ao desenvolvimento da vilã, fazendo com que as motivações de Dar-Benn pareçam apressadas e suas ações, pouco impactantes dentro da narrativa.
“Deadpool e Wolverine” (2024)
Cassandra Nova (Emma Corrin)

Cassandra Nova é a irmã gêmea de Charles Xavier que foi eliminada por ele ainda no útero, quando Charles percebeu instintivamente a maldade de sua irmã. Sobrevivendo como uma entidade parasitária, Cassandra foi enviada ao Vazio, uma dimensão onde a Autoridade de Variância Temporal (AVT) descarta tudo que é podado da linha do tempo.
Lá, ela se tornou a governante absoluta, controlando um território de sobras multiversais com poderes telepáticos e telecinéticos absurdos. Emma Corrin interpreta Cassandra com uma alegria perturbadora: ela sorri ao destruir, se diverte ao aterrorizar e trata a crueldade como entretenimento pessoal.
Sr. Paradoxo (Matthew Macfadyen)

O Sr. Paradoxo é um agente da AVT estacionado na linha do tempo da Terra-10005 (o universo dos X-Men da Fox) que decide acelerar a destruição dessa realidade para impressionar seus superiores.
Matthew Macfadyen, eternizado como Tom Wambsgans em “Succession”, traz ao papel uma combinação de ambição mesquinha e covardia burocrática. O Sr. Paradoxo é o tipo de vilão que não suja as próprias mãos: ele orquestra a destruição de um universo inteiro sentado atrás de uma mesa, preenchendo relatórios. Sua presença no filme funciona como contraponto cômico à ameaça física de Cassandra Nova.
“Capitão América: Admirável Mundo Novo” (2025)
Presidente Thaddeus “Thunderbolt” Ross/Hulk Vermelho (Harrison Ford)

O General Thaddeus Ross acompanha o UCM desde “O Incrível Hulk” (2008), onde perseguia Bruce Banner implacavelmente. Ao longo dos anos, ele subiu na cadeia política até alcançar a Presidência dos Estados Unidos em “Admirável Mundo Novo”.
Originalmente interpretado pelo falecido William Hurt, o papel foi assumido por Harrison Ford, que traz uma intensidade diferente ao personagem. Neste filme, Ross é exposto ao mesmo tipo de radiação que criou o Hulk e se transforma no Hulk Vermelho, uma versão igualmente poderosa, porém ainda mais instável.
A transformação de Ross funciona como uma metáfora literal: um homem que passou a vida tentando controlar o poder do Hulk agora se torna aquilo que mais temia.
Samuel Sterns/O Líder (Tim Blake Nelson)

Samuel Sterns apareceu brevemente em “O Incrível Hulk” (2008) como um cientista celular que ajudava Bruce Banner a buscar uma cura. No final daquele filme, uma gota do sangue de Banner caiu em um ferimento aberto de Sterns, e sua cabeça começou a pulsar e crescer.
Quase duas décadas depois, Sterns finalmente retorna como O Líder, um gênio com capacidades cerebrais sobre-humanas que opera como o cérebro por trás dos eventos de “Admirável Mundo Novo”.
Tim Blake Nelson dá vida a um vilão que manipula eventos à distância, calculando probabilidades e orquestrando crises como um mestre de xadrez. É uma premissa forte para um antagonista, especialmente considerando que o Líder é um dos maiores inimigos do Hulk nos quadrinhos da Marvel.
“Thunderbolts*” (2025)
O Vácuo (Lewis Pullman)

Robert Reynolds, também conhecido como Sentinela, é o resultado de uma tentativa de recriar o soro do supersoldado. Diferente de Steve Rogers, que era moralmente inabalável antes de receber o soro, Reynolds era um homem com graves problemas de saúde mental.
O soro amplificou tudo: seu poder e sua instabilidade. O Vácuo é a manifestação física da escuridão de Reynolds, uma entidade sombria capaz de engolir tudo ao seu redor em trevas absolutas.
Lewis Pullman interpreta tanto o vulnerável Bob quanto o aterrorizante Vácuo com uma sensibilidade que dá peso emocional real ao personagem. Seus diálogos com Yelena Belova (Florence Pugh) sobre a experiência de viver com altos e baixos emocionais intensos são alguns dos momentos mais maduros de todo o UCM.
O filme propõe que o Vácuo não pode ser derrotado no sentido tradicional: ele precisa ser gerenciado, compreendido e aceito como parte de quem Reynolds é. É uma abordagem rara para um filme de super-herói e adiciona profundidade a um gênero que frequentemente simplifica questões complexas.
Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus)

Valentina, ou simplesmente Val, é a Diretora da CIA e a mente por trás da montagem da equipe Thunderbolts*. Sua presença no UCM foi construída gradualmente, com aparições em “Falcão e o Soldado Invernal”, “Viúva Negra” e “Pantera Negra: Wakanda Para Sempre”, sempre como alguém que recruta indivíduos moralmente ambíguos para fins desconhecidos.
Em “Thunderbolts*”, suas verdadeiras intenções ficam claras: Val quer construir seu próprio supersoldado controlável, alguém que sirva como arma do governo americano.
Julia Louis-Dreyfus, dona de 11 Emmys na carreira, entrega o papel com uma mistura de humor cortante e frieza calculista. Val é uma manipuladora de alto nível que opera dentro das estruturas legais do governo, o que a torna mais perigosa do que a maioria dos vilões do UCM.
Ela não precisa de poderes ou armaduras: seu cargo, sua inteligência e sua total falta de escrúpulos são armas suficientes.
“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” (2025)
Galactus (Ralph Ineson)

Galactus é uma entidade cósmica tão antiga quanto o próprio universo. Conhecido como o Devorador de Mundos, ele sobrevive consumindo a energia vital de planetas inteiros. Nos quadrinhos da Marvel, Galactus é uma das figuras mais importantes do cosmos, funcionando como uma força natural necessária para o equilíbrio universal.
Em “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, a ameaça de Galactus é apresentada em sua escala mais imponente: quando ele chega à Terra-828, o público sente fisicamente sua presença opressora.
Ralph Ineson, ator britânico conhecido por sua voz grave e seus trabalhos nos filmes de Robert Eggers, é a escolha ideal para dar vida a essa força da natureza cósmica. O potencial de Galactus no UCM é imenso e certamente será explorado em produções futuras.
Surfista Prateada/Shalla-Bal (Julia Garner)

A Surfista Prateada nesta versão do UCM não é Norrin Radd (como nos quadrinhos clássicos), mas sim Shalla-Bal, uma mulher que se sacrificou para servir como arauto de Galactus e salvar seu próprio planeta da destruição.
Julia Garner, três vezes vencedora do Emmy por “Ozark”, interpreta a personagem como alguém presa entre o dever e o remorso: ela anuncia a chegada de Galactus e ajuda na destruição de mundos, mas carrega o peso emocional de cada civilização perdida.
A Surfista Prateada não é uma vilã por escolha, mas por circunstância. Sua relação com o Quarteto Fantástico é de confronto inicial, mas há nuances que sugerem que essa dinâmica pode evoluir significativamente em filmes futuros, assim como acontece nos quadrinhos.
A combinação da atuação de Garner com as sequências de ação cósmicas do filme faz da Surfista Prateada uma das apresentações mais marcantes de “Primeiros Passos”.
O legado dos vilões no UCM
Ao longo de quase duas décadas e mais de 30 filmes, o Universo Cinematográfico Marvel construiu um catálogo de vilões que evoluiu drasticamente.
Os primeiros antagonistas da franquia eram frequentemente empresários corruptos ou militares obcecados por poder. Com o tempo, o UCM passou a investir em vilões com motivações complexas, conexões emocionais com os heróis e performances de atores consagrados de Hollywood.
A chegada de “Vingadores: Doutor Destino” e a introdução de Doutor Destino prometem abrir um novo capítulo nessa história. O futuro da franquia depende, em grande parte, da qualidade de seus vilões. E se a trajetória até aqui serve como indicador, os fãs têm bons motivos para continuar acompanhando cada nova ameaça que surgir nos cinemas.





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