God of War – Mini-game de sexo dos jogos originais foi feito por mulheres

Vinicius Miranda

Após o estrondoso anúncio da Sony confirmando o desenvolvimento de remakes para a trilogia original de God of War, uma dúvida peculiar e saudosista tomou conta da comunidade de jogadores: as novas versões vão manter os famosos e polêmicos minigames sexuais presentes nos clássicos?

Para quem não vivenciou essa época, os jogos originais da franquia grega — incluindo o popular spin-off ‘Chains of Olympus’ lançado para o PSP — permitiam que o anti-herói Kratos se envolvesse intimamente com várias mulheres através de sequências de Quick Time Events (QTEs).

Nessas seções, se o jogador acertasse as combinações de botões no ritmo exigido pela tela, a câmera desviava-se elegantemente da ação principal enquanto as personagens femininas reagiam com gemidos sonoros. Durante muitos anos, a indústria e os fãs partiram do princípio de que essas partes picantes tinham sido criadas e implementadas por uma equipe de produção exclusivamente masculina. No entanto, a realidade nos bastidores da desenvolvedora era bem diferente do que o público imaginava.

A Verdade Sobre os Bastidores e a Câmara de Afrodite

God of War 3 – Divulgação / Santa Monica Studio

Alanah Pearce, ex-escritora do Santa Monica Studio e uma das profissionais que trabalhou ativamente no desenvolvimento do aclamado ‘God of War Ragnarök’, revelou publicamente que esses minigames interativos foram, na verdade, idealizados e largamente desenvolvidos por mulheres dentro do estúdio.

“Eu trabalhei com uma delas”, explicou Pearce durante uma transmissão ao vivo recente em suas redes. A escritora também aproveitou o momento para revelar um pormenor visual surpreendente e escondido no cenário de ‘God of War 3’ que a grande maioria dos jogadores nunca chegou a notar.

“Na verdade, quando você entra naquela que penso ser a câmara de Afrodite, o cenário foi desenhado, novamente, com o envolvimento de um grupo de mulheres, para parecer uns lábios vaginais. Foi literalmente criado para fazer lembrar uma vagina. E foram as mulheres que fizeram isso”, detalhou Pearce. “Quando se olha com atenção, faz todo o sentido, mas sinto que muita gente nunca reparou nisso. A mulher com quem trabalhei estava muito orgulhosa disso, e achava a ideia incrivelmente boa.”

Para a roteirista, o forte tabu que ainda existe em relação ao sexo e à intimidade nos videogames resulta muitas vezes do próprio embaraço das equipes de desenvolvimento. Segundo a sua experiência, o desconforto corporativo surge normalmente da ideia constrangedora de ter que pedir a animadores, atores de captura de movimentos e programadores para colaborarem ativamente na criação física de mecânicas sexuais.

Os minigames devem voltar nos Remakes?

God of War Chains of Olympus – Divulgação / Santa Monica Studio

Apesar das sensibilidades da indústria de entretenimento terem mudado drasticamente desde a distante era de ouro do PlayStation 2, Alanah Pearce possui uma opinião muito forte e formada sobre o que a Sony deve fazer nos recém-anunciados remakes da violenta saga grega.

A profissional assumiu ser totalmente a favor da mecânica: “Sou pró-minigames de sexo. Reconheço que em God of War a abordagem era um pouco ridícula, mas continuo a achar que devem estar nos remakes. É o lugar deles.

Para a ex-escritora do estúdio californiano, essas controversas seções nunca foram inerentemente “desrespeitosas para com as mulheres”. Pelo contrário, Pearce defende analiticamente que as cenas ajudam a caracterizar o estado de espírito sombrio do protagonista naquela fase específica da sua vida imortal.

São [minigames] bastante críticos sobre quem o Kratos é como pessoa, mostrando que a raiva [e os encontros físicos] claramente não o satisfazem“, rematou a profissional, explicando que evidenciar esse profundo vazio emocional nos clássicos foi um passo narrativo essencial para preparar e justificar a longa jornada de redenção que o Deus da Guerra iniciou no aclamado reboot nórdico de 2018.

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