Conversamos com o elenco de Rio de Sangue; saiba sobre o próximo grande filme nacional

Vinicius Miranda

O cinema nacional está prestes a receber uma injeção massiva de adrenalina. A aguardada superprodução ‘Rio de Sangue’ trás uma proposta de filme de ação e suspense no Brasil, levando o público para uma jornada intensa e sufocante em meio à imensidão da selva. Com distribuição da Star Original Productions (selo da Disney), o longa-metragem tem sua estreia oficial e exclusiva marcada para o dia 16 de abril nos cinemas de todo o país.

Com direção assinada por Gustavo Bonafé, a obra foge dos cenários urbanos tradicionais e utiliza a grandiosidade de Santarém e Alter do Chão, no Pará, como um pano de fundo vivo, hostil e implacável. A floresta deixa de ser apenas uma paisagem exótica e assume o papel de uma verdadeira personagem, ditando as regras de sobrevivência em um território dominado pelo garimpo ilegal e pelo alto escalão do narcotráfico.

Uma corrida desesperada contra o tempo

Giovanna Antonelli e Alice Wegmann como Trindade e Luiza em Rio de Sangue – Divulgação / Barbara Vale

A trama acompanha a tensa e violenta trajetória de Patrícia Trindade, interpretada pela atriz Giovanna Antonelli. Ela dá vida a uma policial extremamente experiente que vê a sua carreira, que sempre definiu quem ela é, desmoronar completamente após liderar uma operação malsucedida. Afastada da corporação e jurada de morte por criminosos, a protagonista é obrigada a se afastar.

No entanto, ela logo se vê diante do maior pesadelo de sua vida quando sua filha, Luiza (vivida por Alice Wegmann), é sequestrada por garimpeiros que buscam extrair ouro de forma ilegal de terras indígenas. Sem o distintivo, sem apoio oficial e movida pelo desespero materno, Patrícia inicia uma caçada sangrenta e implacável para resgatar a filha.

O longa promete entregar sequências de ação de alto impacto, com efeitos práticos e perseguições reais, equilibrando a troca de tiros com um drama familiar profundo e atuações sólidas do seu elenco principal.

Encontramos o elenco de Rio de Sangue

Felipe Simas como Baleado em Rio de Sangue – Divulgação / Star Original Productions

Para celebrar a chegada dessa superprodução às telonas, o Ei Nerd teve a oportunidade de sentar e bater um papo com o trio de estrelas que comanda a ação do filme.

Conversamos com Giovanna Antonelli, que interpreta a protagonista Patrícia Trindade, Alice Wegmann, que vive a co-protagonista Luiza, e também Felipe Simas, que encarna o antagonista Baleado.

Confira a nossa entrevista completa logo abaixo:

Rios de Sangue é um filme de ação… no caso de cada um de vocês, o filme exigiu mais fisicamente ou emocionalmente?

Felipe Simas: “É um conjunto, né?”

Alice Wegmann: “Acho que vou fisicamente E emocionalmente.”

Giovanna Antonelli: “Que emocionalmente a gente tá sempre envolvido em qualquer produção artística. Se a gente não tá com a nossa emoção ali, não existe a personagem. E a gente ainda teve que lidar com todas essas adversidades de estar na floresta, de estar nesse lugar lindo. A gente trabalha 12 horas por dia. São 12 horas por dia com o nosso corpo em tensão. A gente não está ali só passeando. Você está atendo, está gravando… Vem! Para! Volta! Tiro! Marcação de cena! Porque todas as cenas ali tinham muita direção, muita marcação para serem realizadas.”

Felipe Simas: “Mas realmente, é um filme de ação que ajuda realmente a entrar na personagem. Eu acho que a minha personagem, por exemplo, usava uma bota que, quando eu calçava a bota…”

Giovanna Antonelli: “Já pisava diferente, né?”

Felipe Simas: “São 12 horas pisando um calçado que não é teu. É de pirar com a cabeça mesmo.”

Rio de Sangue lida com temas pesados, como a luta pela preservação das terras indígenas. Vocês acham que o filme pode ajudar a conscientizar mais as pessoas em relação a essa luta?

Giovanna Antonelli: “Eu acho que é o mínimo. O mínimo é a conscientização. O trabalho do cinema como ferramenta social… Não apenas o cinema, mas o TV, a arte, acho que faz toda a diferença no nosso dia-a-dia, no nosso país. Levar a informação. Mas fora isso, acho muito bonito a história do filme. Contada através do olhar da floresta e do olhar dos povos indígenas. Acho que isso engrandeceu a nossa história. A gente as vezes é coadjuvante diante de todo aquele olhar da floresta. A gente fica do nosso tamanho mesmo, como a gente é em relação à floresta amazônica, aos povos indígenas que começaram tudo aquilo ali. Então eu acho que trazer esse tema, essa forma como é contada no filme, ela merece ser vista e respeitada por todo mundo.”

Todos vocês tem carreiras muito extensas em filmes e novelas. Rio de Sangue trouxe alguma novidade no ofício de vocês? Alguma coisa que vocês nunca fizeram como atores?

Alice Wegmann: “Eu ia falar que nunca tinha entrado numa poça de lama, por exemplo. Nem costurado uma flanela. (risos). Acho que sempre tem uma novidade. Sempre tem alguma coisa que te atravessa. Eu acho que, a começar por filmar no norte do Brasil. Eu já trabalhei em todas as regiões do Brasil. Isso é uma coisa que me orgulha muito, que o meu trabalho já me levou pra todos esses lugares. E filmar agora no Pará por 2 meses, em Santarém e Alter do Chão, ser recebido por essas pessoas maravilhosas, pelos paraenses. Isso foi tudo muito especial e muito transformador na minha vida. Quando eu soube que seria filmado pelo Gustavo Bonafé, que é um diretor que eu já admirava, e lá, eu falei ‘quero fazer!’. Aí eu vi o roteiro e me encantei ainda mais, porque tem muito propósito. Então foi um combo, foi muito especial e foi novo pra mim.”

Felipe Simas: “É um gênero novo. Nunca tinha feito. Em novela, a gente tem algumas possibilidades de fazer alguma cena, que é um trailerzinho, um recorte da novela. Mas um longa assim, tão intenso, eu nunca tinha feito. Eu confesso que me diverti muito, foi uma delícia.”

Vocês acham que existe a possibilidade de Rio de Sangue virar uma franquia? Vocês voltariam para um possível Rio de Sangue 2?

Alice Wegmann: “SIM! QUEREMOS! AGORA!”

Giovanna Antonelli: “Claro, queremos Rio de Sangue 2. Não só Rio de Sangue 2, como Rio de Sangue 1, com tanto material que a gente já tem, que teve que editar, o Gustavo teve que escolher. Daria uma minissérie de 3 episódios aí.”

Essa pergunta é exclusive pro Felipe. O seu personagem, Baleado, começa como um capanga, mas vai ganhando importância ao longo da trama. Quando você topou fazer esse personagem, você sabia que esse desenvolvimento iria acontecer?

Felipe Simas: “Ah sim! O filme é uma obra fechada, diferente de uma novela. Mas ele fala sobre o desejo masculino de poder. De domínio. Me interessa muito isso, colocar isso na tela. Porque a gente só pode combater aquilo que a gente observa. Então se a gente não colocar isso pra fora, a gente não consegue mostrar que é real e que precisa ser combatido. Então acho que o Baleado, ele faz um contraponto com a história de amor entre mãe e filha. Ele faz um desejo de poder mesmo, real, que existe.”

Para a Alice agora. Sem querer dar muitos detalhes pra evitar spoiler, a Luíza passa por poucas e boas no filme. Mas de forma geral, como você definiria o foco o desenvolvimento da sua personagem?

Alice Wegmann: “Olha, pra mim, tem a questão central ali do… Ela viveu, durante muito tempo, a ausência da mãe, que saía pra trabalhar, e como policial. Eu acho que tinha um mundo que ela não conhecia. Ela nunca esteve inserida numas situações como essas que ela viveu ali no filme, que a gente acompanha. Então eu acho que tem essa questão central da relação com a mãe que é quase um resgate ali no filme. Porque elas começam com a relação um pouco mais conturbada. A Trindade chegando e ela saindo. Elas meio que discutem ali. Você não sabe muito bem aonde isso vai dar. E elas vão se reconectando e se salvam no filme. Tem um espalhamento das duas. Então, eu acho essa questão muito central. E a questão humanitária mesmo dessa menina que é médica, que vive em prol do outro. Se doa muito pro outro. Ela atua nessas missões, nas comunidades indígenas. Então, eu acho que ela tem um propósito muito grande na vida dela. Mas ela está distante da mãe no começo. E eu acho que é um resgate que elas fazem.”

Agora para a Giovanna. Todo mundo sabe que não é a primeira vez que você interpreta uma personagem policial. Afinal, a Delegada Helô já apareceu em duas novelas. Mas existe algo na Trindade que se destaca pra você em relação aos seus papéis anteriores?

Giovanna Antonelli: “Com certeza. Acho que thriller de ação nunca é protagonizado por duas mulheres. Que é como a gente trouxe em Rio de Sangue. Então, pra mim foi uma oportunidade como atriz, como contadora de história e como realizadora. Por isso aceitei fazer esse roteiro, Rio de Sangue.”

Alice Wegmann: “Eu acho que, falando como telespectadora da Giovanna. Que eu cresci vendo ela na televisão, protagonizando várias histórias, várias personagens diferentes, várias camadas diferentes em vários personagens. Ela está num lugar muito diferente do que a gente já viu. Não é porque ela já fez uma delegada que essa personagem é parecida. Não tem nada a ver. Você vê a Giovanna num lugar muito crú, muito vivo, visceral. Foi muito legal de assistir, tanto no dia-a-dia no set dela, e admirar ela ainda mais pessoalmente, quanto na telona. O resultado é inacreditável. É um trabalho maravilhoso.”

Giovanna Antonelli: “Eu fiz um Pix pra ela. (risos)”

Alice Wegmann: “Mas é verdade. Ela tá num lugar muito diferente. Então acho que as pessoas que estão acostumadas a ver ela na televisão, vão ver ela no cinema ainda mais grandiosa. É muito especial.”

Giovanna Antonelli: “É a magia do cinema de bons companheiros de tela.”

Felipe, uma pergunta rápida. Na escala de 1 a 10, o quão o Baleado queria enfiar a porrada no Jadson desde o começo do filme?

Felipe Simas: “Te falar, 10 com certeza. Desde a infância. É inveja né, cara? Tentar ser herdeiro daquilo que não é dele, e o Jadson tava no caminho. Apesar do amor pelo primo, o ódio prevalecia.”

O filme deixa claro que a Patrícia e a Luiza têm questões familiares não resolvidas. E a terapia acaba sendo tudo o que acontece no filme. Como vocês enxergam a relação das duas?

Giovanna Antonelli: “Primeiro, eu acho muito legal. O roteiro já começa com o erro dos personagens. A minha personagem já começa errando. Não tem essa heroína, ela é anti-heroína. Ela não tenta agradar o público. É muito bom poder fazer um personagem assim, porque a história fica muito mais próxima do que é a vida real da gente. Então acho que essas personagens que vão sobrevivendo através dos seus erros e se buscando, elas são muito mais interessantes do que quando tudo se resolve. As questões ficam muito maiores entre elas, muito mais humanas e verdadeiras. As dificuldades… Aí consequentemente, o resgate também… Precisou de uma fatalidade dessa pra conseguir, talvez, elas se enxergarem. Se fosse no dia-a-dia talvez isso não tivesse acontecido. De elas se olharem com essa profundidade, com esse respeito uma pela outra. Como mulheres também, não só como mãe e filha.”

Alice Wegmann: “E o entendimento das duas, pela profissão das duas. Porque rola esse afastamento no começo. E aí elas se salvam.”

Giovanna Antonelli: “E tem o ego ali no começo, né? Que é vazio. E de repente tudo se aprofunda.”

Alice Wegmann: “Exatamente, tudo faz sentido.”

Rápido, sem pensar: Uma palavra pra descrever o clima do filme Rio de Sangue

Giovanna Antonelli: “Tiro”

Alice Wegmann: “Porrada”

Felipe Simas: “Bomba.”

Rio de Sangue tem estreia marcada pro dia 16 de abril em todos os cinemas do Brasil.





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