Desenvolvedores demitidos da Rockstar tiveram pagamento negado; entenda

Vinicius Miranda

Uma nova decisão judicial no Reino Unido trouxe um revés significativo para os 31 ex-funcionários da Rockstar Games demitidos em massa no ano passado. A Justiça britânica negou o pedido de pagamento provisório solicitado pelos trabalhadores enquanto o caso segue em tramitação, deixando o grupo sem qualquer remuneração durante o processo.

A informação foi revelada em um relatório recente e envolve uma disputa judicial entre os ex-desenvolvedores, a Rockstar Games e a Take-Two Interactive, controladora do estúdio. Os funcionários alegam que foram demitidos de forma injusta, enquanto a empresa sustenta que a decisão foi tomada após a descoberta de vazamentos de informações confidenciais.

Juíza rejeita pedido de pagamento provisório

A decisão foi assinada pela juíza Frances Eccles, que avaliou o pedido de pagamento interino — mecanismo que permitiria aos trabalhadores voltarem temporariamente à folha de pagamento da empresa enquanto o processo judicial é analisado.

Segundo a magistrada, os ex-funcionários não conseguiram demonstrar que tinham uma “boa chance de sucesso” ao provar que as demissões ocorreram como forma de represália sindical. Em sua decisão, a juíza afirmou:

“Em todas as circunstâncias, o tribunal não conseguiu concluir que é provável que se determine que o principal motivo da demissão dos requerentes foi sua filiação ao sindicato IWGB.”

Com isso, o tribunal entendeu que não há, até o momento, elementos suficientes para sustentar a tese de que a Rockstar estaria praticando perseguição contra funcionários sindicalizados.

Acusações de sindicalização e resposta da Rockstar

Após a demissão coletiva, surgiram denúncias de que a Rockstar estaria tentando conter iniciativas de sindicalização no Reino Unido, supostamente mirando funcionários ligados ao sindicato IWGB. A empresa, no entanto, negou categoricamente qualquer relação entre as demissões e atividades sindicais.

De acordo com a Rockstar, os funcionários desligados estariam envolvidos no vazamento de informações sensíveis, incluindo dados sobre jogos ainda não anunciados. A empresa afirma que essas informações teriam sido repassadas a influenciadores por meio de redes sociais e servidores privados.

Discord virou o centro da disputa

Um dos principais pontos citados pela Rockstar envolve um servidor no Discord, onde estariam reunidas 25 pessoas que não faziam parte do quadro da empresa. Entre elas, ex-funcionários, desenvolvedores concorrentes e até um jornalista especializado em games.

Segundo a companhia, a presença desse grupo no servidor teria garantido acesso irrestrito a informações críticas, incluindo detalhes sobre GTA 6 e outros projetos ainda não revelados oficialmente. A Rockstar sustenta que esse ambiente facilitou o vazamento sistemático de dados estratégicos.

Impacto direto para os ex-funcionários

Com a decisão do tribunal, os 31 ex-desenvolvedores ficam sem qualquer tipo de remuneração enquanto tentam resolver a disputa judicial. Além disso, a negativa do pagamento provisório é vista como um sinal de que a Justiça britânica, ao menos neste estágio do processo, tende a considerar mais plausível a versão apresentada pela empresa.

Apesar disso, o caso ainda não está encerrado. Os ex-funcionários seguem contestando as demissões e buscam provar que houve abuso por parte da Rockstar. No entanto, a decisão atual representa um obstáculo relevante tanto do ponto de vista financeiro quanto jurídico.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA