O roteirista Tim Seeley, conhecido por mais de duas décadas de trabalho na indústria dos quadrinhos, deixou recentemente a plataforma X/Twitter após receber ameaças de morte relacionadas ao enredo de uma edição da franquia X-Men. O autor, que já colaborou com diversas editoras e continua ativo em outras redes, explicou que a situação ultrapassou os limites do tolerável.
Em publicação feita no Bluesky, Seeley escreveu:
“Bom… eu finalmente tive que desativar o Twitter porque foi um pouco demais de [ameaças] morte para mim e minha família. Foram 16 anos de m***a! F***-se todo mundo!”
O enredo que gerou as reações
A polêmica surgiu após a publicação de X-Men: Age of Revelation Infinity Comic #4, quadrinho digital escrito por Seeley, com arte de Phillip Sevy, cores de Michael Bartolo e letras de Clayton Cowles. A história aprofunda como Illyana Rasputin, a mutante Magia, se transforma na entidade Darkchylde dentro do futuro distópico que sustenta o arco Era da Revelação.
Logo na estreia do evento, ficou estabelecido que Magia havia sido morta em uma missão pouco depois do retorno de Doug Ramsey (Revelação) aos X-Men. Na HQ digital, o leitor descobre que, após sua morte, a alma de Illyana retorna ao Limbo, onde ela é “revivida” como Darkchylde — assumindo o controle de uma cidade nos Estados Unidos.
Por que parte do público reagiu mal
Nas redes, diversos fãs alegaram que a nova origem proposta retoma elementos traumáticos da trajetória clássica de Illyana, cuja formação original envolvia anos presa no Limbo durante a infância, período marcado por abusos que moldaram sua versão adulta como uma guerreira mágica.
Para parte da comunidade, reviver esse ciclo de sofrimento — especialmente mostrando a personagem em posições consideradas subservientes, como na capa — reforçaria um padrão desgastado e incômodo. As críticas narrativas, segundo o próprio público, faziam parte do debate comum entre fãs e criadores.
No entanto, entre manifestações argumentativas, vários usuários passaram a enviar ataques diretos ao roteirista, incluindo mensagens como “morra”, “você precisa se matar”, “temos que matar esse cara.”
Apesar de deixar o X, Seeley continua presente em outras redes, como o Bluesky. O autor não interrompeu o diálogo com os leitores, mas decidiu se afastar do ambiente onde o número de ameaças tornou-se, segundo ele, insustentável.
A decisão evidencia um problema recorrente entre criadores de conteúdo: mesmo quando a minoria é responsável por mensagens violentas, seu impacto costuma ser significativo o bastante para comprometer a permanência e o bem-estar de artistas nas redes sociais.




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