Lançado em 1985 para o Nintendo Entertainment System, Super Mario Bros. redefiniu a indústria dos videogames e transformou Mario em um dos personagens mais populares de todos os tempos. O que poucos sabem é que, apenas um ano depois, a franquia também influenciaria diretamente o universo da animação japonesa ao dar origem ao que é considerado o primeiro isekai baseado em videogame.
Em 20 de julho de 1986, chegaram aos cinemas japoneses duas produções animadas inspiradas em jogos eletrônicos: Running Boy Star Soldier no Himitsu e Super Mario Bros.: A Grande Missão para Resgatar a Princesa Peach!. As obras marcaram o início das adaptações de videogames para anime, abrindo espaço para um novo modelo narrativo dentro da indústria.
O primeiro isekai dos videogames
Embora o conceito de isekai — histórias em que o protagonista é transportado para outro mundo — já existisse na literatura e em outras mídias, Super Mario Bros. é amplamente reconhecido como o primeiro isekai originado de um videogame.
A trama apresenta Mario como um jogador comum que, enquanto se diverte no Famicom, vê a Princesa Peach literalmente sair da televisão antes de ser puxada de volta pelo vilão Rei Koopa. Em seguida, Mario e Luigi entram no Reino dos Cogumelos para resgatá-la, estabelecendo uma estrutura narrativa que se tornaria recorrente em produções do gênero nas décadas seguintes.
Liberdades criativas e construção do Reino dos Cogumelos
Por ter sido produzido logo no início da franquia, o longa animado não contava com uma mitologia consolidada para adaptar. Como resultado, o filme apresentou versões bastante diferentes de personagens como Luigi e Toad, além de reinterpretar elementos icônicos do jogo.
Itens clássicos e power-ups aparecem ao longo da narrativa, mas nem sempre com as características que os fãs associariam posteriormente à série. Essa liberdade criativa contribuiu para que o Reino dos Cogumelos fosse retratado de maneira mais “estranha” e distinta, reforçando ainda mais o conceito de mundo alternativo no centro da história.
Impacto no gênero isekai e nas adaptações de games
Produzido em um período em que os animes eram majoritariamente associados a romance, drama e comédia, o sucesso de Super Mario Bros.demonstrou que histórias de fantasia com protagonistas transportados para outros mundos poderiam conquistar o público.
Além de influenciar o crescimento do isekai como um dos gêneros mais populares da animação japonesa, o filme também ajudou a consolidar a ideia de que adaptações de videogames para cinema e televisão poderiam funcionar comercialmente. Quatro décadas depois, o legado da produção permanece.
Outras adaptações da franquia
Ao longo das décadas, Super Mario Bros. deixou de ser apenas um fenômeno dos videogames para se tornar uma propriedade consolidada no cinema. A primeira grande tentativa em live-action aconteceu com Super Mario Bros. (1993), produção estrelada por Bob Hoskins e John Leguizamo. O longa apresentou uma releitura mais sombria e urbana do Reino dos Cogumelos, com estética distópica e forte liberdade criativa em relação ao material original, marcando uma fase experimental das adaptações de jogos para as telonas.
Anos depois, a franquia retornou ao audiovisual com uma abordagem totalmente animada e alinhada ao visual clássico dos jogos. Super Mario Bros. – O Filme (2023), produzido pela Illumination em parceria com a Nintendo, apostou em fidelidade estética, humor familiar e referências diretas aos games, alcançando grande desempenho de bilheteria global e ampliando o alcance da marca para novas gerações.
A animação está prestes a ganhar uma sequência, intitulada Super Mario Galaxy – O Filme, que chega aos cinemas no dia 2 de abril.




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